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Novorizontino "comemora" uma década de extinção

20 abr 2009
16h56
atualizado às 17h10

Poucos clubes do interior já tiveram dois campeões do mundo com a Seleção Brasileira. O Novorizontino, que ganhou notoriedade nacional no início da década de 90, é um deles. O zagueiro Márcio Santos e o atacante Paulo Sérgio foram apenas dois dos destaques da equipe que levou, por exemplo, o técnico Nelsinho Baptista ao Corinthians. E que em 2009, por mais inacreditável que possa parecer, completa dez anos de sua extinção.

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A situação que levou o Novorizontino ao fechamento é apenas mais um exemplo do enfraquecimento do interior paulista, que fez feio mais uma vez no estadual. Em 1990, o clube da camisa que virou moda, com longas listras verticais pretas e amarelas, disputou o que ficou conhecida como a "final caipira". O campeão foi o Bragantino, de Vanderlei Luxemburgo, e que também teve outro tetracampeão: Mauro Silva, mais um titular na Copa de 94.

Hoje, o retorno do clube ao futebol profissional virou promessa de campanha nas eleições para prefeito em Novo Horizonte. Cléber Gaúcho prometia empenho para resgatar as cores para o campo, mas perdeu a eleição para Toninho Belão em 2008. Assim, o projeto segue estagnado e já se vão dez anos.

A queda do Novorizontino coincide com o agravamento das condições de saúde de Jorge Ismael de Biasi, presidente da agremiação entre 1977 e 94. Empresário com boa capacidade financeira na região, ele era um obstinado pelo clube e se utilizou desse poder de investimento para enriquecer as categorias de base.

A política consistia em ter olheiros eficientes e que buscassem jovens jogadores com talento pelo interior paulista. Assim, foram captados nomes como os próprios tetracampeões Paulo Sérgio e Márcio Santos. Prova disso é que o Novorizontino foi campeão paulista de juniores em 1988 e 94.

Em seu auge, o Novorizontino revelou ainda o volante Luís Carlos Goiano, campeão da Libertadores com o Grêmio em 95, o lateral-direito Odair, que conseguiu certo destaque na época, e o atacante Alessandro Cambalhota, que jogou por Santos, Vasco e Corinthians. Também pintaram Maurício e Édson Pezinho, goleiro e meia que se destacariam no mesmo Corinthians, e Élder, volante que foi parar no Santos e hoje defende o Santa Cruz.

"Além de bons jogadores, o Novorizontino tinha também uma estrutura muito boa. O Jorjão (presidente) foi para a Europa conhecer como trabalhavam e montou um centro de treinamento de ponta, que ninguém tinha", explica Alvani Lima, jornalista de Novo Horizonte.

Segundo o Terra apurou, a partir dos problemas que Jorge Ismael de Biasi foi tendo, o desempenho do clube foi caindo. O filho, que recebeu a herança de seguir o caminho do pai, alegou que era impossível conciliar os negócios com o Novorizontino. Em 94, a família Chedid arrendou a administração e, de cara, venceu a Série C do Campeonato Brasileiro. Parecia o começo de uma nova era, mas foi apenas o início do fim.

Endividado, o Novorizontino chegou a jogar em Mirassol e Catanduva, mas não se acertou. Os problemas financeiros se juntaram ao mau desempenho esportivo e o resultado foi a fechamento, decretado no início de 1999 após dívidas com a Federação Paulista. A última partida, realizada em 98, foi melancólica: derrota por 4 a 0, diante da Paraguaçuense.

No ano seguinte, coincidindo com o fim das atividades, morreu Jorge Ismael de Biasi. Certamente com dois sentimentos contrastantes: feliz por tudo o que fez e amargurado com as ruínas de uma de suas maiores paixões.

Novorizontino é um dos poucos do interior que tiveram 2 campeões do mundo
Novorizontino é um dos poucos do interior que tiveram 2 campeões do mundo
Foto: Gazeta Press
Fonte: Terra
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