Paulista Série A1

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02 de fevereiro de 2013 • 13h11 • atualizado às 13h15

Olha Ele! Ex-corintiano deixa fama de mulherengo e renasce no interior

Marcelo contra o Palmeiras: o recomeço no Penapolense, terceiro colocado no Paulista
Foto: Marcelo Pereira / Terra
  • Dassler Marques
    Direto de São Paulo
 

Marcelo não jogava no Pacaembu havia muito tempo, mas a verdade é que aquele era um cenário familiar. Goleiro do Penapolense-SP, mas com uma década de serviços prestados ao Corinthians, ele se emocionou quando o ônibus de sua nova equipe chegou para enfrentar o Palmeiras no domingo passado, 27 de janeiro. Era o início de uma nova história para Marcelo, afastado do futebol por dois anos, de carreira marcada por polêmicas, fama de mulherengo...e que pegou quase tudo que foi até o gol de sua equipe na partida. Resultado: vitória sobre os palmeirenses por 3 a 1. 

"Até errei de vestiário no Pacaembu. Quando vi, estava entrando no vestiário do mandante", se diverte Marcelo, 28 anos, sobre a chegada ao estádio onde Palmeiras e Penapolense se encontraram. Diz ainda ao Terra: "foi uma satisfação muito grande, algo muito diferente. O ônibus foi entrando no estádio e me passou um filme na cabeça. Relembrei meus tempos de Corinthians, dos jogos que fiz, das vitórias. Desde criança nas categorias de base. Foi um filme mesmo". 

A carreira de Marcelo, de fato, poderia interessar a algum diretor de cinema. Ele já experimentou a fama de ser goleiro titular do Corinthians e apontado como sucessor de Ronaldo. Foi ídolo da torcida do Bahia, contratado pelo Atlético-MG. "Vou ser sincero, exagerei em alguns momentos (no extracampo). Já fiz de tudo que todos os jogadores fazem. Eu fazia. Você é muito novo, ganha muito dinheiro". Ele não especifica exatamente o que. E repete: "tudo o que os jogadores fazem". 

A briga com Vampeta e o envolvimento com Eliza Samudio

É possível que Marcelo se refira a alguns episódios como os dois que mais marcaram sua carreira no que diz respeito ao extracampo. "Sabia que você ia perguntar", diz com bom humor enquanto viaja para Campinas, onde enfrenta a Ponte Preta neste sábado. Quando goleiro do Bahia, ele foi agredido pelo ex-colega de Corinthians, Vampeta, que invadiu a concentração da equipe em Salvador acompanhado de seguranças. A razão teria sido a disputa de ambos por uma mulher. 

Meses depois, Marcelo também foi convocado a depor por conta de sua amizade com a então modelo Eliza Samudio em Belo Horizonte. O ex-goleiro Bruno, há dois anos, acabou preso por suspeita de assassinato. Na época, Marcelo era confidente de Eliza, que a ele telefonou para contar de sua relação turbulenta com Bruno. "Sobre o Vampeta, cada um segue a sua vida, já era, já passou e nem lembro mais", conta. "Não me serviu para nada (sobre Samudio), falei o que tinha que falar. Já deletei tudo isso, coloquei uma pedra em cima", tenta esquecer. 

Foi desde então, por aproximadamente dois anos, que Marcelo tentou esquecer. Dispensado pelo Atlético-MG, resolveu se aposentar aos 26 anos. "Tive problemas pessoais e coisas da minha cabeça. Acabei desanimando e não quis mais jogar futebol. Fiquei passeando com minha mulher, com as minhas filhas. Mas passou um tempo e falei, 'caramba, todo mundo jogando'. Meus amigos no Corinthians, no Atlético-MG, no Vasco, Aí começou a bater saudade", diz. 

No fim de 2011, Marcelo decidiu voltar ao futebol. Assinou por três meses com o ASA de Arapiraca-AL, mas apenas para entrar em forma. Depois  fechou com o Americano-RJ, só que não teve sucesso. "No primeiro jogo, já rompi o (ligamento) cruzado (do joelho). Então procurei o Corinthians, fui muito bem tratado e revi amigos. No final do meu tratamento, já estava 100% e aí pintou a oportunidade de jogar pelo Penapolense".

O clube havia tentado o ex-santista Fábio Costa, mas optou por outro nome com fama de bad boy. Uma questão do passado, assegura o diretor de futebol Paulo Carvalho. "Ele é hoje um atleta que quer ressurgir para o futebol. Ele é dedicado no comportamento extracampo e nos treinamentos", explica. Marcelo, que almeja um lugar entre os oito finalistas do Estadual, sonha grande. "Queria ter a cabeça de hoje há cinco anos. Mas agora valorizo a família, as pequenas coisas, a minha carreira. Quero voltar a um grande clube, quero jogar a Série A ou a Série B", diz esperançoso. 

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