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Paradinhas geram polêmica com árbitros, goleiros e atacantes

12 abr 2009 - 11h01
(atualizado às 11h07)
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No último domingo, foi Chicão, do Corinthians, que esperou o goleiro Mauro cair para converter penalidade sobre o Mirassol. Já no fim de semana anterior, Maicosuel, do Botafogo, é que fez uso da artimanha contra Fernando Henrique, do Fluminense. As paradinhas definitivamente voltaram a fazer parte do repertório dos cobradores. Para o terror dos goleiros e para criar ainda mais problemas para a vida dos árbitros.

» Você é a favor da paradinha?

Historicamente, o primeiro a cobrar um pênalti com paradinha teria sido o lateral-esquerdo Dalmo, célebre titular do Santos campeão de tudo nos anos 60. Na final do Mundial Interclubes em 1963, contra o Milan, a arbitragem ordenou que fosse repetida uma cobrança em razão disso. E Pepe, um dos craques daquele esquadrão, costuma dizer que foi o próprio Dalmo quem ensinou a artimanha a Pelé.

Para fomentar a discussão, o Terra ouviu os três lados da história: entre os árbitros, Carlos Eugênio Simon, representante do Brasil nas últimas duas Copas do Mundo, Leonardo Gaciba e Leandro Pedro Vuaden. Entre os cobradores, Daniel Carvalho, do CSKA Moscou, da Rússia, e Maicosuel, do Botafogo. E entre os goleiros, Renan, brasileiro do Valencia, e Tiago, do Vasco.

Arbitragem: regra aplicada à risca

Embora a regra seja bastante enfática com relação à paradinha, afirmando que é permitido o uso de fintas no ato da cobrança, as questões polêmicas e as reclamações persistem em envolver situações como a de Maicosuel, no último Botafogo e Fluminense.

Na opinião de Carlos Eugênio Simon, um dos dez árbitros brasileiros com chancela da Fifa, o papel da arbitragem é apenas aplicar o que é determinado, sem se importar com os descontentamentos. "O papel nosso é o de apitar em cima da regra, não tem que ligar. As orientações que recebemos são sempre em cima do que diz o regulamento", explica.

Símon ainda diz que a maioria dos jogadores, salvo uma ou outra exceção, já sabe a respeito do funcionamento da regra, o que leva a crer que as reclamações acontecem em razão do calor da partida. "É permitido que você engane o goleiro e no meu entendimento é válido. Se você julgar como uma conduta anti-desportiva, você tem que punir dessa forma, mas normalmente não", explica Símon, citando as paradinhas mais acintosas.

Leandro Pedro Vuaden, um dos três melhores árbitros do último Brasileiro, observa que é no Brasil que surgem mais polêmicas e que há um critério simples a se utilizar para diferenciar o que é normal ou não. "É importante salientar uma ou outra técnica adotada e a linha da bola é um referencial importante. Ou seja, quando ele passa o pé exatamente sobre a bola, aí se caracteriza isso. Agora, até a linha da bola, está normal e liberado".

Na opinião de Leonardo Gaciba, poderia haver uma determinação mais claro com relação aos excessos, embora ele siga os mesmos critérios de Vuaden e Símon. "Fica subjetivo para o árbitro. Em alguns países pode ser exagero, em outros não. Por isso, há a dúvida. Quanto ao teor da lei, está correto. Só se discutir isso mesmo para ficar perfeito", diz.

Goleiros: combate aos exageros

A discussão voltou para a pauta desde que Maicosuel, no enfrentamento com Fernando Henrique no último Botafogo x Fluminense, deu uma "paradona". O goleiro do clube tricolor reclamou bastante do excesso do botafoguense, expondo uma situação em que se via vítima de uma certa covardia, postura comum aos arqueiros que são surpreendidos por paradinhas.

Na opinião de Tiago, camisa 1 do Vasco e que também cobra faltas e pênaltis, a paradinha, moderada, deveria ser considerada válida. A questão está realmente quando as coisas passam do limite: "Em demasia, não acho certo. E já fiz isso muitas vezes cobrando pênalti, é normal. Vai do bom senso, mas quando se extrapola, vira um deboche contra os goleiros", opina, descartando que a regra seja revista.

"Como é, está bacana. Só acho que deveria haver um bom senso dos árbitros e dos cobradores", diz. Tiago ainda concorda que, como defende a equipe que cometeu a infração, é justo ficar em situação desfavorável. "A gente reclama, mas o time fez a falta", admite.

Renan, revelado pelo Internacional e hoje titular do Valencia, aponta para um abuso por parte dos cobradores e cobra que haja uma determinação mais clara sobre o que é possível ou não. "É preciso estabelecer um limite de até quando pode se parar e como pode parar. A cada rodada, você vê uma paradinha diferente. Quando o goleiro se adianta, é penalizado, mas os jogadores fazem duas ou três paradas e nada acontece".

O goleiro do Valencia ainda lembra que, na Europa, esse é um recurso poucas vezes utilizado. "Nunca aconteceu comigo e nunca ouvi qualquer recomendação. Já vi jogador que vem caminhando, que pega pouca distância, mas paradinha mesmo, ainda não", enumera Renan, que não vê nada parecido com o que se faz no Brasil.

Atacantes: tudo pelo gol

Como é permitido pela regra, que seja utilizado. É mais ou menos assim que pensa a média dos cobradores de pênalti no futebol brasileiro, que vêm se beneficiando de uma situação favorável, já que sofreu uma infração em que tinha boas possibilidades de fazer o gol. Essa é, inclusive, a opinião de Maicosuel, pivô das críticas de Fernando Henrique, goleiro do Fluminense.

"Como não se proíbe, eu acho válido fazer uso. O pênalti sempre tem que beneficiar o cobrador, já que realmente ele foi feito para impedir um gol. Já é uma segunda chance para quem está defendendo", aponta Maicosuel, que diz nunca ter recebido qualquer tipo de orientação dos árbitros, sobre o que pode ou não pode fazer quando a bola está na marca do cal.

No futebol russo, de acordo com Daniel Carvalho, meia do CSKA Moscou, acontecem casos de paradinhas no campeonato local. Inclusive, segundo ele, Alex, que recentemente trocou o Internacional pelo Spartak de Moscou, foi vítima recentemente: "Ele foi fazer a paradinha e o goleiro ficou parado e defendeu", recorda.

Na opinião do jogador, já convocado por Dunga para a Seleção Brasileira, a paradinha deve ser feita caso o cobrador deseje. E é uma faca de dois gumes. "Tem goleiro que espera, aí dificulta. Acho que pode favorecer qualquer um dos dois", explica. Para ele, parar bem em frente da bola não é correto. "Aquele em que você ameaça, pra mim, deve ser liberada", opina, de fato, sobre uma questão bastante polêmica. Para todos os envolvidos.

Clipe mostra paradinhas em cobranças de pênalti:
Fonte: Terra
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