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Mineiro
Quinta, 17 de fevereiro de 2005, 16h03 
Escolha de juiz paulista revolta cruzeirenses
 
Leonardo Niquini
Especial para o Terra
 
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A escolha de Paulo César de Oliveira como árbitro para o clássico do próximo domingo, entre Cruzeiro e Atlético-MG, revoltou os dirigentes do clube celeste, que queriam juízes do quadro da Federação Mineira de Futebol no comando da partida.

O Atlético-MG, por sua vez, exigia árbitros de fora. Na opinião do vice-presidente do Cruzeiro, Zezé Perrella, o presidente da Federação Mineira, Paulo Schettino, se rendeu às pressões do time alvinegro, clube do qual é torcedor declarado e conselheiro.

"Nós ficamos pasmos. O Paulo Schettino sabia da nossa posição de não aceitar juízes de fora. Era a hora do presidente da Federação ter mostrado pulso, o que não ocorreu. Nesta hora pesou o coração atleticano e ele se dobrou à pressão."

Na última semana, o presidente do Atlético-MG chegou a sugerir que a Federação Mineira estaria manipulando as escalações dos árbitros para beneficiar a conquista do estadual pelo Cruzeiro. O que revoltou ainda mais o dirigente Zezé Perrella.

"O Leão foi punido com 60 dias de suspensão pela Federação Paulista por ter feito críticas à instituição. O presidente do Atlético-MG, que eu respeito muito, disse que o Campeonato Mineiro já tinha as cartas marcadas, questionou a honestidade da Federação Mineiro e do próprio Cruzeiro e nenhuma providência foi tomada."

Por último, Perrella disse ainda que a partir de agora a relação com a Federação Mineira de Futebol será reduzida. O dirigente do Cruzeiro chegou a declarar que está arrependido de ter apoiado Paulo Schettino para a presidência da FMF.

"Apoiamos o Paulo Schettino porque acreditávamos que ele teria pulso para comandar a instituição. Mas na primeira crise ele já se rendeu às pressões do Atlético-MG. Estamos arrependidos de tê-lo apoiado e a partir de agora a relação do Cruzeiro com a Federação Mineira será estritamente institucional", esbravejou.

O presidente da Federação Mineira não se abateu com as críticas e, em entrevista à Rádio Itatiaia, garantiu que a instituição não se rendeu a nenhum tipo de pressão. Paulo Schettino disse que a escolha do árbitro pareceu a mais acertada.

"Ele (Perrella) fala o que quer, eu não tenho nada a contestar. Agimos corretamente, não sofremos pressão de nenhuma parte e somente achamos que foi a melhor decisão no momento. E ele tem um direito de se arrepender de ter votado em mim, isto não me atinge de maneira alguma, respeitamos o Cruzeiro."
 

Redação Terra