
Após dois anos e dois meses como presidente do Ceará, Eugênio Rabelo não resistiu à pressão de torcedores e dirigentes. Ele renunciou hoje ao seu segundo mandato.
Em entrevista à TV Diário, Rabelo chorou ao confirmar que não tinha mais condições de comandar o clube. Segundo ele, sua família estava sendo ameaçada.
"Eu estou renunciando ao meu mandato. Não havia mais como agüentar essa pressão. Estou sendo muito humilhado. Na última sexta-feira, chamei meu filho para assistir ao jogo do Ceará e ele me falou que não ia, pois não queria ver ninguém me xingando", afirmou.
"Por onde eu vou, ficam me ameaçando e ameaçando minha família com palavrões. Não posso suportar uma coisa dessas. Sou apaixonado pelo Ceará, mas desse jeito não posso continuar mais", acrescentou.
O ex-presidente alvinegro, que está em Brasília, onde exerce o mandato de Deputado Federal, confirmou que as Lojas Rabelo, que patrocinam o clube, também deixarão Porangabuçu. No entanto, disse que, ao lado de seu irmão, João, vai continuar ajudando o clube alvinegro, anonimamente.
No período em que esteve no Ceará, de janeiro de 2006 a março de 2008, Eugênio conseguiu o título estadual logo em seu primeiro ano, mas em seguida o clube naufragou numa crise sem precedentes.
Salários atrasados, contratações equivocadas, o time brigando para não ser rebaixado no Brasileiro. No Cearense do ano passado, caiu nas semifinais para o Icasa. Na Copa do Brasil, não passou da segunda fase. No Nacional, terminou em 16º. Mesmo assim, Rabelo foi reeleito em dezembro.
Nesta temporada, várias pessoas de sua confiança deixaram o clube, entre elas o diretor de futebol Evandro Leitão, seu aliado e segundo vice-presidente. A equipe se reapresentou para o Estadual com apenas 11 jogadores (sendo que quatro eram goleiros). Na estréia, foi goleado pelo Horizonte por 5 a 1.
Nas semifinais do primeiro turno, nova eliminação para o Icasa, e o torcedor já perdia a paciência. Após a derrota na primeira rodada do returno, o técnico Heriberto da Cunha deixou o clube. No dia seguinte, os muros do Estádio Carlos de Alencar Pinto apareceram pichados e os torcedores invadiram o treino.
O estopim da crise aconteceu no domingo passado, quando o time perdeu para o rival Fortaleza, e a torcida estendeu faixas pedindo a cabeça de Eugênio Rabelo.
Agora, o presidente do Conselho Deliberativo, Castelo Camurça, deve convocar novas eleições, já que o segundo mandato de Eugênio não havia chegado a 90 dias. Por enquanto, Evandro Leitão, vice-presidente, deve comandar as ações em Porangabuçu.
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