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Segunda, 19 de maio de 2008, 23h26 Atualizada às 23h38

Técnicos de Mogi e Oeste admitem ordem para "tocar a bola"

Os protagonistas do empate sem gols entre Mogi Mirim e Oeste, que colocou as duas equipes na Série A-1 do Campeonato Paulista, admitem o pedido para seus times reduzirem o ritmo. Tanto o ex-zagueiro Argel, que estava no Mogi, quanto Ademir Fonseca, da equipe de Itápolis, confirmaram as ordens para seus jogadores "tocarem a bola" após saberem que, em Sorocaba, o Atlético vencia o São Bento por 1 a 0, resultado que classificava os clubes.

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"Estava em um desespero muito grande. No primeiro tempo, tivemos oportunidade de ganhar e joguei para isso. Aos 28min do segundo tempo, quando recebemos a notícia da vitória do Atlético, pedi para o meu time tocar a bola. Se eu ganhasse, estava na final, mas se perdesse estava fora. Joguei com o regulamento debaixo do braço", explicou Argel, que depôs no TJD-SP nesta segunda-feira.

Roberto Fonseca usou de palavras similares para justificar suas instruções. "Seria um suicida, um insano, um kamikaze se jogasse meu time para atacar. O empate ou a vitória eram resultados excelentes para meu time, que disputava o acesso de uma região toda", exaltou o comandante do clube de Itápolis, que também teve depoimento pedido no julgamento.

Os comandantes, porém, avisam que o empate lhes satisfazia devido às boas campanhas que realizaram na segunda divisão paulista deste ano. "Não é em 20 minutos que o campeonato é decidido. Nós subimos na quarta-feira, quando meu time venceu o São Bento, em Sorocaba, de virada, por 3 a 1, com um a menos. Eles não foram melhores que eu no campo. Joguei três vezes contra eles e não ganharam nenhuma", defendeu Argel.

"O empate era um direito que me assistia pelo suor e trabalho que tivemos durante todo o campeonato. Sou um estrategista do futebol e tocar a bola foi a estratégia que eu escolhi", emendou Roberto Fonseca, se apoiando também na eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 1982 - o time de Telê Santana chegaria às semifinais com um empate, mas foi à frente e perdeu por 3 a 2 para a Itália. "Se em 82 fizéssemos isso, talvez teríamos um título mundial a mais".

E a sintonia nas palavras dos dois técnicos também está na negativa de "acordo" para que houvesse o empate satisfatório a ambos, apesar de apresentarem contradições em suas versões.

"Não lembro se foi pelo Roberto que eu soube do resultado primeiro, mas ele me falou do resultado. Cheguei a falar em 'acordo' em uma entrevista, mas me expressei mal. Minha preocupação era o meu time. Estou no futebol há 16 anos, joguei em nove clubes, um maior do que o outro, sete anos na Europa, com melhores técnicos do mundo. Vocês acham que eu ia fazer um acordo?!", questionou Argel aos auditores.

Roberto, por sua vez, admitiu no tribunal conversas "mais longas". "Falei coisas do futebol com ele. No momento de alegria, cheguei a brincar e falar: 'se você atacar pode ficar fora'. Mas era um momento de euforia", declarou.

Gazeta Press

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