
Atualizada às 11h33 O Tribunal Arbitral do Esporte (TAS, em francês) manteve a sanção imposta pela Uefa ao Atlético de Madrid de jogar com portões fechados a partida contra o PSV, no Estádio Vicente Calderón, pela Copa dos Campeões, na próxima quarta, por causa de distúrbios ocorridos no jogo contra o Olympique de Marselha na mesma competição.
No entanto, em resolução que acaba de ser divulgada, o TAS reduz a multa de 150 mil para 75 mil euros e libera o clube espanhol de pagar os encargos jurídicos à Uefa.
O Tribunal estima, "em concordância com a Uefa", que o Atlético "cometeu várias infrações graves de segurança durante a partida contra o Olympique de Marselha, que permitiram a ocorrência dos incidentes do estádio Vicente Calderón".
"A situação do clube piora devido a fatos recentes, o que levou os juízes a manterem a sanção de jogar a partida do dia 26 com portões fechados", afirma a decisão.
"No entanto, o segundo jogo com portões fechados, que estava em suspenso, será revogado e a multa reduzida à metade, já que os atos racistas alegados pela Uefa não puderam ser observados com certeza", acrescenta.
O TAS anuncia que os fundamentos de sua resolução serão divulgados nos próximos dias. A apelação do Atlético contra as sanções impostas pela Uefa foi analisada "com urgência" por um painel presidido pelo suíço Olivier Carrard e do qual também faziam parte o espanhol José Juan Pinto - árbitro escolhido pelo clube madrilenho - e o italiano Luigi Fumagalli.
O Atlético apresentou no dia 4 um recurso ao TAS no qual pedia a anulação da sanção imposta pelo Comitê de Apelação da Uefa, que previa duas partidas com portões fechados (a segunda em suspenso, sujeita a um período de observação de dois anos) e uma multa de 150 mil euros devido aos incidentes da última partida.
O Comitê já tinha reduzido a sanção original do Comitê de Controle e Disciplina da Uefa, que previa inicialmente o fechamento do estádio por dois jogos e que as partidas respectivas fossem jogadas a pelo menos 300 quilômetros de Madri, além de outra condicionada à não repetição destes incidentes.
No entanto, o clube espanhol não conseguiu evitar a multa e os dois jogos de suspensão ao técnico mexicano Javier Aguirre, por insultar um jogador do time francês.
O assessor jurídico Juan de Dios Crespo e o gerente do clube, Clemente Villaverde, além de dois jogadores negros da equipe espanhola, o meia brasileiro Paulo Assunção e o atacante francês Florent Sinama-Pongolle, prestaram depoimento na quarta-feira ao TAS em audiência que durou cerca de sete horas.
Os dirigentes do Atlético também pretendiam contar com o depoimento do zagueiro colombiano Luis Amaranto Perea, outro atleta negro da equipe, mas ele não pôde comparecer por estar concentrado com a seleção de seu país.
Também prestaram depoimento o jogador senegalês Mamadou Niang e o goleiro Steve Mandanda (este por telefone, por estar concentrado com a seleção francesa), ambos do Olympique de Marselha, que denunciaram gritos racistas por parte da torcida espanhola no Vicente Calderón.
Além disso, também depuseram como testemunhas René Poutet, presidente da Associação HandiFan Clube OM (para torcedores com necessidades especiais) e o jornalista francês Thierry Tresor, que acusaram os torcedores do Atlético de Madri de insultos desse tipo durante a partida do dia 1º de outubro, no estádio madrilenho.
EFE
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