
Atualizada às 09h26 Rafael Gomes
Direto de Carapicuíba
Há oito anos no futebol italiano, o atacante Amauri, hoje na Juventus de Turim, já está adaptado à vida na Europa. No entanto, o jogador não esquece de suas raízes e, quando vem para o Brasil, mais precisamente a sua cidade-natal, Carapicuíba - localizada na Grande São Paulo -, não descarta um quiabo com abóbora, prato difícil de se encontrar na Itália, de acordo com a mãe do atleta, a dona-de-casa Janete Oliveira.
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"A primeira coisa que ele pede para eu fazer é quiabo com abóbora e pão com manteiga", admite Janete, em entrevista ao Terra, que criou Amauri em Carapicuíba ao lado do pai do atacante, o aposentado Sebastião Oliveira, e das irmãs do atleta - Luciana e Thaís.
Hoje, Amauri é casado com Cynthia Valadares e tem dois filhos: Cindy, 6 anos, e Hugo Leonardo, 2 anos. Mesmo morando na Itália com a família, o atacante vem ao Brasil quando a agenda permite, geralmente no meio do ano, com sua mãe relata ao Terra.
Confira a entrevista na íntegra
Terra - Quando o Amauri vem ao Brasil, o que ele gosta de comer?
Janete - A primeira coisa que ele pede para eu fazer é quiabo com abóbora, além de pão com manteiga. Quando chega ele já fala: "mãe, quero pão com manteiga". Lá (na Itália) é diferente, não é como aqui, o pão é diferente, a manteiga é diferente. Aqui ele come tudo que tem direito.
Terra - Pelo fato de o Amauri morar a muito tempo fora do País, ele já fala mais italiano do que português?
Janete - Ele fala muito bem italiano, mas não enrola não, tanto ele e quanto os filhos (nascidos na Itália). Dentro de casa ele só fala português.
Terra - Ele era são-paulino mesmo na infância?
Janete - De carteirinha. Aqui em casa eu sou corintiana e ele é são-paulino. Em dia de jogo, ele se vestia com a roupa do são Paulo e eu até me escondia quando o Corinthians perdia. Eu roguei até uma "praga" nele: "você vai encerrar a carreira no Corinthians". Ele disse que jogaria (no Corinthians) por causa do profissional, mas seu coração é são-paulino.
Terra - Na escola ele dava trabalho?
Janete - Dava sim. Parece que o nome Amauri veio de um comercial de TV da época de 80, e quando o meu marido (Sebastião) colocou o nome dele nem imaginava que o Amauri da propaganda era um menino que jogava futebol, deixava tudo espalhado pela casa. Meu marido escolheu o nome de Amauri, eu disse que era feio, mas mesmo assim ele deu o nome de Amauri. O engraçado é que o menino da propaganda é o Amauri de hoje. Eu sempre perguntava ao Amauri o que ele queria ser quando crescer e ele respondia: "vou ser um jogador de futebol". Antes ele falava em ser motorista, que nem o pai, mas queria mesmo era ser jogador. Não largava a bola, ficava até de castigo. Uma vez ele não estava bem na escola, com 12 anos, e o meu marido tirou a bola dele. Sabe o que ele fazia? Juntava meia e fazia uma bola. Ele não deixava de jogar e, quando o pai chegava, ele escondia a bola.
Terra - Como era a relação entre o Amauri e Dão, seu primeiro técnico?
Janete - Era boa. O Dão treinou o Amauri desde os oito anos até quando ele foi para Santa Catarina. O Dão sempre o incentivou a jogador futebol. Ele não tinha poder, mas sempre treinou o Amauri, que jogava de atacante. De vez em quando ele atuou como goleiro, mas sempre foi atacante.
Terra - Para você, qual seleção Amauri deveria defender (Brasil ou Itália)?
Janete - O sonho dele é jogar na Seleção Brasileira, mas na verdade eu acho que ele devia abraçar a Itália, já que foi ela que deu tudo pra ele. O Brasil não deu nada. Ele testou no Palmeiras, fez dois gols e não deram uma chance pra ele. Ele foi dispensado e saiu de lá chorando, e eu vi tudo de perto. Tem aquele ditado: "quem a boca do meu filho beija, a minha adoça". Ele fez teste no Palmeiras, no Santos e foi dispensado. Ninguém acreditou nele. Agora, se ele jogar pelo Brasil, eu vou ficar muito feliz.
Terra - Alguém da sua família tem descendência italiana?
Janete - A mulher do Amauri (Cynthia) tem, o que facilita a retirada do passaporte italiano. Ele também tem quase dez anos de vida lá, o que também facilita.
Terra - E vocês viajam à Itália para visitar o Amauri?
Janete - Antigamente eu ia para o Natal, mas é muito frio e eu não agüento. Agora, a gente vai no meio do ano, ficamos muito tempo com eles. Uma vez ele machucou o joelho e eu fiquei um bom tempo ao lado dele.
Terra - Como foi o incentivo para que o Amauri se tornasse um jogador de futebol?
Janete - No começo foi mais difícil, quem acreditou mais fui eu. O pai dele não sabia se daria certo, mas eu apoiei. Meu marido sempre trabalhava, então eu dava apoio para ele jogar. Tinha vez que não tinha dinheiro para ele treinar, mas a gente falava: "não Amauri, você não vai faltar por causa de dinheiro". Os tios também ajudaram, daí Deus abençoou que ele fez o teste em Santa Catarina. O pai falou para ele não ir, ele até chorou, mas eu falei "Amauri, vai e deixa que com o seu pai eu me viro". Meu marido sempre teve medo. Depois eles foram para a Itália e escolheram três jogadores para ficar lá, o Amauri e mais dois. Quando chegou lá era pra ele ir para o Napoli, mas não deu certo. Depois foi para Piacenza, Messina, Chievo, Palermo, e, agora, a Juventus.
Terra - Ele está feliz na Juventus?
Janete - Ele está muito feliz com tudo, com os companheiros. Ele é um menino muito humilde e, por isso, talvez ele tenha conseguido chegar onde está.
Redação Terra
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Arquivo pessoal/Divulgação
Amauri (o 2ª entre os agachados) tem como prato preferido quiabo com abóbora
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