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 Dupla elogia Ucrânia, mas mira outros centros da Europa
05 de maio de 2010 08h06 atualizado às 08h09

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Betão (esq) foi revelado pelo Corinthians. Foto: Reuters

Betão (esq) foi revelado pelo Corinthians
Foto: Reuters

Diego Freire

Então com 20 anos, o meia Willian foi o atleta mais jovem do grupo do Shakhtar Donetsk que se sagrou campeão da Copa da Uefa (atual Liga Europa), em 2009. Há três anos na Ucrânia, o ex-corintiano se diz adaptado ao país, assim como o ex-colega de clube Betão, zagueiro do rival Dínamo de Kiev. Além de tudo isso, os dois também têm em comum um desejo: atuar por equipes de outros países europeus.

Como trunfo, além do futebol apresentado, Willian aponta a adaptação à Ucrânia. "As maiores dificuldades são o clima e a língua. O primeiro ano foi mais complicado, pois eu não jogava muito, mas depois ganhei a confiança do treinador e me tornei titular. Quando você está bem dentro de campo, tudo se torna mais fácil", diz o meia, que tem contrato com o clube até 2012.

No caso de Betão, mais experiente quando se transferiu, em 2008, o problema foi justamente o contrário. "Eu já entrei na equipe como titular, então tive que assimilar muito rapidamente o estilo de jogo daqui, que é mais pegado". Hoje, o jogador se considera feliz no país, tanto dentro quanto fora de campo. "Tive um grande choque quando cheguei e notei o quanto a Ucrânia ainda carrega marcas do comunismo e as pessoas daqui são fechadas, diferentes dos brasileiros. Mas agora já entendo o jeito deles e estou bem, até já falo o idioma", conta.

Distantes de familiares e amigos que permanecem no Brasil, ambos encontram apoio nos compatriotas companheiros de clube (atualmente são quatro brasileiros no elenco do Dínamo e oito no Shakhtar). Buscando "amadurecimento" na Ucrânia, os dois compartilham o sonho de um dia retornar ao Brasil, mas antes ainda pretendem jogar em outra liga europeia.

"Devo muito ao clube onde estou, que me deu a oportunidade de disputar a Liga dos Campeões contra grandes times. Mas, após encerrar o meu ciclo no Dínamo, gostaria de jogar em outro país europeu, principalmente algum de cultura latina", projeta Betão. Willian, já sondado por equipes como o Barcelona, não nega o desejo de se transferir no futuro, mas é ponderado no discurso: "respeito muito o Shakhtar, que me oferece uma ótima estrutura e está conquistando títulos. Mas é claro que se houver uma proposta de um time de um centro maior, que seja boa para mim e para o clube, vamos sentar para conversar".

Ídolos no Leste Europeu, os atletas comentam o fanatismo dos ucranianos, mais contidos do que os brasileiros. "Aqui eles são muito apaixonados também, mas respeitam mais a nossa profissão do que no Brasil. Há até casos de times que são derrotados e saem de campo aplaudidos. É um lugar que oferece condições melhores de trabalho, mas claro que sentimos falta de muita coisa do Brasil, como o carinho da torcida e a motivação de um campeonato mais competitivo", relata Betão.

A visão é a mesma de Willian: "não dá pra comparar Dínamo e Shakhtar com os clássicos de São Paulo, por exemplo, pois aqui eles são mais tranquilos e tem a vantagem de que não há violência. Ainda assim, os ucranianos torcem bastante e a expectativa para esse jogo é grande, pois além de ser um clássico é praticamente uma final. Todos os ingressos já foram vendidos".

"Imbatíveis", Dínamo e Shakhtar ganham força fora da Ucrânia

Ainda pouco comentado no Brasil, o Campeonato Ucraniano ganha maior projeção internacional a cada temporada. Financiados por empresários, Shakhtar Donetsk e Dínamo de Kiev, os dois clubes hegemônicos no país, colecionam resultados expressivos nas principais competições europeias e colocaram a fria ex-república soviética no mapa do futebol.

O Dínamo, vencedor de 12 dos 17 campeonatos nacionais disputados desde a independência ucraniana, em 1991, foi também o maior campeão da história da União Soviética e possui torcida numerosa. Seu atual presidente, Ihor Surkis, um dos homens mais ricos do mundo, chegou a ser banido do futebol após um escândalo de suborno na Liga dos Campeões de 1995. Inocentado posteriormente, Surkis se notabilizou por contratar jogadores estrangeiros, algo até então incomum na história da equipe.

Parceiro do Banco da Ucrânia, o time de Kiev esperou quase uma década por um adversário regional à altura. Após nove títulos consecutivos, teve que se contentar com o vice-campeonato na temporada 2001/2002, ano da primeira conquista do Shakhtar. Desde então, o clube de Donetsk, quarta maior cidade do país, venceu o campeonato em mais três oportunidades. Em 2009, graças aos investimentos do mandatário Rinat Akhmetov (bilionário do ramo das indústrias de mineração, suspeito de ligações com a máfia), a equipe alcançou o grande feito da história do futebol local: foi campeão da Copa da Uefa, atual Liga Europa.

Especial para Terra