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Os torcedores do futebol italiano já estão acostumados a ver seus clubes perdendo muito dinheiro. A Fiorentina teve sua falência decretada, assim como a empresa Parmalat, que sustentava o Parma.
Os times da capital Lazio e Roma também vivem situações dramáticas, apesar do recente sucesso dentro de campo.
Mesmo o torcedor mais acostumado, entretanto, assustou-se quando a Federação Italiana de Futebol (FIGC) entrou em ação na semana passada.
Na sexta-feira, o Messina e o recém-promovido Torino foram expulsos da Série A por problemas financeiros. As exclusões fazem parte da nova política de tolerância zero, que já puniu da mesma forma 13 clubes nas quatro principais divisões do país.
No domingo, a FIGC lançou o segundo pacote de medidas: o campeão da Série B, Genoa, foi acusado de suborno e tem sua promoção à primeira divisão em risco.
Enquanto as notícias sobre Messina e Torino foram recebidas até com alguma normalidade, esta nova acusação causou um choque no futebol do país.
O Genoa havia encerrado um exílio de 10 anos na segunda divisão com uma vitória por 3 a 2 sobre o Venezia na última partida da temporada, no mês passado.
Caso de polícia
E a festa não acabou por aí. Poucos dias depois, o gerente-geral do Venezia, Giussepe Pagliara, foi parado pela polícia enquanto deixava o escritório do presidente do Genoa, Enrico Preziosi, perto de Milão.
Dentro do carro foi encontrada uma mala com 250 mil euros, referente ao pagamento pela compra do zagueiro do Venezia Ruben Maldonado, de acordo com Pagliara.
Investigações nas ligações telefônicas entre Preziosi, seu filho Matteo e o diretor-geral do Venezia, Michele Dal Cin, antes do último jogo da temporada levaram a polícia a começar as buscas.
Oito pessoas ¿ todas dirigentes ou jogadores do Genoa ou Venezia ¿ foram acusadas de fraude esportiva. O futebol italiano deve ser atingido por uma série de processos legais, que provavelmente deixará dúvidas até o início da temporada em agosto.
Torino e Messina já recorreram contra a decisão da FIGC junto ao Comitê Olímpico Italiano. O veredicto deve levar ainda alguns dias.
Caso o recurso seja negado, os clubes poderão ainda recorrer à justiça estadual e depois federal em busca da volta à Série A.
Em Genoa, a situação ficou ainda mais delicada depois que duas faixas de manifestação foram penduradas este final de semana no estádio Luigi Ferraris. "Série A ou haverá violência", ameaçava uma delas. "Prontos para tudo, desde já até a última prisão", dizia a outra.
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