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Há um ano no futebol inglês, o técnico José Mourinho se tornou uma figura controversa fora de campo. Dentro dele, sua equipe, o Chelsea, se tornou muito temida pelos adversários. Com o polêmico técnico português se destacando nas manchetes dos jornais antes do início da próxima temporada e a chegada de reforços para seu esquadrão milionário, é difícil imaginar que haverá alguma mudança substancial nos próximos nove meses. Mourinho ouviu uma série de alertas e elogios na temporada passada de autoridades do futebol inglês e europeu por criticar a arbitragem, apontar jogadores violentos, manter contato irregular com Ashley Cole, do Arsenal, e gesticular de forma provocativa para a torcida do Liverpool durante a final da Copa da Liga. Na primeira semana de treinamentos da pré-temporada, em julho, ele pressionou os dirigentes da federação inglesa atacando a maneira como as regras dos campeonatos são definidas, alegando favorecimento ao Arsenal, cujo presidente David Dein faz parte da diretoria da FA. Embora tenha tentado ser menos controverso, o técnico de 42 anos mudou a imagem do treinador de futebol com seu jeito despojado do sul europeu, visual fotogênico, gestos exagerados e uma forma peculiar de se expressar, que chamou muito a atenção. ESPÍRITO DE EQUIPE Sua tarefa de modelar o time, criar espírito de equipe e ensinar táticas sofisticadas está fora de questão e seu objetivo agora é manter coeso e regular o que ele mesmo descreveu como "um grupo fantástico." O Chelsea terminou o Campeonato Inglês 12 pontos à frente dos rivais Arsenal e 37 dos campeões europeus Liverpool, que ficaram em quinto. Embora tenha sido o primeiro título inglês do Chelsea em 50 anos, mais a conquista da Copa da Liga, Mourinho não estava feliz. "Não estou satisfeito. Não ganhamos nada. Não vencemos a Copa dos Campeões e a Copa da Inglaterra." A Copa dos Campeões tem um significado especial para Mourinho e seus jogadores, já que muitos deles chegaram às semifinais em sucessivas temporadas. Mourinho, em uma ambição feroz, queria uma repetição imediata do seu sucesso no comando do Porto em 2004. O Chelsea perdeu a semifinal para o Liverpool, time que venceu três vezes durante a temporada, por um único e polêmico gol. O retorno do atacante argentino Hernán Crespo, que marcou duas vezes pelo Milan na final da competição européia, acrescentará experiência ao ataque do time inglês que não teve regularidade para impedir que o meia Frank Lampard se tornasse o artilheiro. Os jornais vincularam o Chelsea a uma série de atacantes de preços altíssimos devido ao poder financeiro do clube. Mas Mourinho preferiu chamar de volta de empréstimos Crespo e o prata da casa Carlton Cole. Cole, que deve impressionar Mourinho para garantir seu lugar na equipe, pode desenvolver um papel importante, usando sua leveza e velocidade para vencer os adversários entrando no lugar de Crespo, Didier Drogba ou Eidur Gudjohnsen. Os dois gols de Drogba na vitória por 2 x 1 sobre o Arsenal na final da Supercopa da Inglaterra, no domingo, sugeriram que ele pode fazer mais no futebol inglês esta temporada do que fez depois da transferência por 24 milhões de libras junto ao Olympique de Marselha ano passado. MAIOR DISPUTA A maior briga por vagas será no meio-de-campo, onde o francês Claude Makelele e Lampard, eleito o jogador inglês do ano, são os destaques. O Chelsea contratou o jovem e promissor inglês Shaun Wright-Phillips por 21 milhões de libras para lutar por uma vaga com o habilidoso holandês Arjen Robben, o irlandês veloz Damien Duff e o inglês Joe Cole no esquema 4-3-3 de Mourinho. Também foi contratado o jovem de 20 anos Lassana Diarra, do Le Havre, como reserva de Makelele, e o clube ainda tenta convencer o Olympique Lyon a disponibilizar Michael Essien. O espanhol Asier del Horno, que veio do Atlético de Bilbao, reforça o lado esquerdo da defesa, que estava desguarnecido após a séria contusão de Wayne Bridge, que quebrou a perna em fevereiro passado. O Chelsea quebrou recordes pela solidez da sua defesa e o jogador do ano e capitão John Terry, o francês William Gallas e o português Ricardo Carvalho, assim como o alemão Robert Huth, formam um excelente quarteto de onde sairá a dupla principal. Com o goleiro tcheco Petr Cech se mantendo como um dos melhores da Inglaterra e Carlo Cudicini, no banco, não surpreende que os apostadores acreditam no Chelsea para repetir o sucesso da temporada passada.
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