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O Torino Cálcio, um dos clubes mais importantes do futebol europeu e dono de uma história marcada pelas tragédias, celebra hoje o centenário de sua fundação. O clube, que recebe o Empoli em partida do Campeonato Italiano, fará uma série de atos comemorativos sob o nome "100 anos, um só grande coração". Está programada uma missa na Basílica de Superga (arredores de Turim), onde, em 3 de maio de 1949, um acidente aéreo matou todos os seus jogadores. O "FC Torino" nasceu em 3 de dezembro de 1906 da união de uma série de dissidentes da Juventus (fundada em 1897) com um grupo de integrantes da alta burguesia da cidade e com torcedores suíços que trabalhavam na capital do Piemonte, além de alguns torcedores do extinto Football Club Torinese. A presença destes últimos fez com que ao longo da história os torcedores do Torino reivindicassem o "título" de clube mais antigo da cidade, à frente da Juventus. Após uma série de problemas econômicos e burocráticos, que custou seu rebaixamento e desaparecimento formal, em 9 de agosto de 2005, o clube foi refundado e ré-inscrito na Federação Italiana de Futebol como Torino Football Clube. Ao longo de sua história, o Torino conquistou sete títulos da Primeira Divisão italiana (1927-28, 42-43, 45-46, 46-47, 47-48, 48-49, 75-76) e cinco Copas da Itália (1935-36, 42-43, 67-68, 70-71, 92-93). Além disso, o clube foi vice-campeão da Copa da Uefa na temporada 1991-92. No entanto, o auge da equipe aconteceu anos 40, quando o "Grande Torino" era considerado praticamente imbatível. Liderado pelo capitão Valentino Mazzola, o clube conquistou cinco Campeonatos Italianos consecutivos, além de ser impiedoso em seus amistosos internacionais, já que na época não existiam as competições européias. Em função de seu sucesso, em 11 de maio de 1948, o então técnico da seleção italiana, Vittorio Pozzo, convocou dez jogadores do Torino para a partida contra a potente Hungria, que acabou saindo de campo derrotada. Mas foi no dia 2 de maio de 1949 que o "Grande Torino" entrou em campo pela última vez. A partida aconteceu em Lisboa contra o Benfica, cujo capitão era grande amigo de Valentino Mazzola e escolheu a equipe italiana para se despedir oficialmente do futebol. No dia seguinte, a delegação do Torino voltava de Portugal quando uma tragédia interrompeu sua trajetória de sucesso. Às 17h05 (horário local), enquanto começava a aterrissar, o trimotor FIAT N.212 no qual o clube viajava se chocou, devido a um denso nevoeiro, contra os muros do jardim da Basílica de Superga, nas imediações do aeroporto de Turim. As 31 pessoas que estavam no avião morreram imediatamente. A partir desse dia, a Basílica de Superga, onde atualmente se encontram restos do avião e há uma placa com os nomes das vítimas do acidente e uma lápide, se transformou em um local de peregrinação para os amantes do futebol, em particular os torcedores do Torino. O clube então demorou muitos anos para voltar a ser uma potência na Itália e viu a Juventus, sua principal rival, se destacar sob o comando da família Agnelli. Quando o Torino finalmente mostrava sinais de recuperação, a tragédia voltou a marcar a história do clube. No dia 15 de outubro de 1967, após uma partida do Campeonato Italiano contra a Sampdoria, o ídolo da equipe, Luigi Meroni, de 24 anos, foi atropelado por um jovem chamado Attilio Romero, e morreu após passar três horas agonizando no hospital. Conhecido como a "farfalla granata" ("borboleta grená"), Meroni era, na segunda metade dos anos 60, o jogador mais carismático não só do Torino, mas de todo o futebol italiano. O enterro do jogador, que chegou a rejeitar um cheque "em branco" da "toda poderosa" Juventus de Giovanni Agnelli, foi acompanhado por uma multidão de pessoas pelas ruas de Turim. O curioso é que Attilio Romero, que em 1967 tinha 18 anos e fazia parte da torcida "ultra" do Torino, muitos anos depois, em 11 junho 2001, foi o presidente que devolveu o Torino à Primeira Divisão italiana. A história é às vezes tão curiosa e caprichosa que os protagonistas das duas maiores tragédias do Torino têm o mesmo nome: Luigi Meroni, já que assim também se chamava o piloto do avião que se chocou em Superga, sem que os dois fossem parentes. Após o seu momentâneo desaparecimento em 2005, o Torino ergue mais uma vez a cabeça e se vê como a "primeira equipe" de Turim, após o rebaixamento da Juventus, envolvida em um escândalo de fraude esportiva. Mas o que seus torcedores mais esperam neste centenário é que desta vez a tragédia não cruze novamente o destino deste clube, que se imortalizou na história do futebol europeu.
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