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Quinta, 6 de setembro de 2007, 11h19  Atualizada às 12h34
Kaká considera "justo" voltar ao banco na Seleção
 
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O meia Kaká, do Milan, artilheiro da Copa dos Campeões, vive a expectativa de ser eleito pela primeira vez o melhor do mundo, enquanto na Seleção Brasileira tem de lutar para voltar a ser titular. No entanto, o jogador considera isso "justo".

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Titular da equipe e grande aposta de Dunga para a Copa América, Kaká decepcionou o técnico ao pedir para ficar de fora da competição em julho para descansar, pois "estava no limite físico".

No primeiro jogo após o torneio, o amistoso no mês passado contra a Argélia, Dunga deixou Kaká no banco de reservas, mesma situação vivida pelo jogador após a Copa do Mundo da Alemanha, quando o técnico iniciou um processo de renovação da equipe.

A partir de domingo, quando o Brasil enfrenta os Estados Unidos, em Chicago, Kaká viverá de novo o dilema de provar ao treinador que merece reconquistar seu espaço no time.

"Desde que ele (Dunga) entrou, vem falando que ninguém tem vaga de titular na Seleção, e acho justo, acho que tem que ser assim mesmo, todo mundo tem que conquistar seu espaço. Acho que é uma forma justa de escalar um time", afirmou Kaká.

"Eu não fico frustrado exatamente por saber daquilo que já conquistei. Mas o que eu fiz fica como uma memória para mim, um marco na minha vida. Claro que ninguém fica feliz no banco, mas para mim é uma motivação para eu fazer melhor e conquistar meu espaço", disse o meia, destacando que um ponto a favor de Dunga é o fato de ele não ter encerrado a carreira de atleta há muito tempo, o que facilita o entendimento com os jogadores.

Agora, Kaká fez questão de disputar os dois próximos amistosos, contra os Estados Unidos e México, respectivamente nos dias 9 e 12 de setembro nos Estados unidos.

"Se não for na Europa o clube não é obrigado a liberar, e para esses dois amistosos eu fiz um pedido ao Milan para que não criasse nenhum tipo de caso com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) porque eu gostaria de ir para esses jogos", comentou.

Prêmio e títulos

Em meio a essa situação na Seleção, Kaká conquistou o título da Copa dos Campeões com o Milan em maio, garantindo a artilharia da competição européia com 10 gols, e na semana passada venceu a Supercopa européia.

Tudo isso e mais a escolha pela Uefa como melhor jogador europeu de clubes na semana passada o alavancaram a candidato a ser eleito pela primeira vez o melhor jogador da Fifa neste ano. Nada, entretanto, que abale a serenidade do jogador.

"Estou tranqüilo porque faço tudo aquilo que depende de mim, que é entrar em campo, jogar, treinar, fazer meu trabalho. Agora, a votação, isso já não depende mais de mim. O que eu puder fazer dentro de campo para convencê-los a votar em mim é o que eu vou fazer", disse ele.

Kaká acredita que qualquer jogador que tenha sido campeão, seja por clube ou seleção, é um bom candidato ao prêmio, mas destacou o português Cristiano Ronaldo, atual campeão inglês com o Manchester United.

"É um momento importante da minha carreira em termos de marcos, um momento que está sendo marcado agora pela conquista da Copa dos Campeões, da Supercopa da Europa. E os prêmios individuais são consequência desses títulos", disse.

O assédio de outros clubes, como foi o caso do Real Madrid, é inevitável. E ele não descarta uma mudança, apesar de ter contrato com o Milan até 2011.

"Pelo menos este ano continuo no Milan ainda. Mas para a frente não sei. Estou feliz e minha família está adaptada na Itália, mas depende muito do Milan também. Não quero ficar em um lugar em que nem eu nem o clube estejam satisfeitos", disse.

Uma das razões que levaram Kaká a optar pela permanência na Itália foi a oportunidade de disputar o Mundial Interclubes, conseguida pelo Milan ao conquistar a Copa dos Campeões.

"Um título que falta é esse de campeão mundial (de clubes). A gente no Brasil cresce aprendendo que esse é o título mais importante. Aqui na Europa não é o mesmo valor que tem para nós brasileiros, mas o meu sonho é ganhar esse campeonato", completou.

Copa de 2014

Kaká acredita que será muito bom para o Brasil receber a Copa do Mundo de 2014, para a qual o País é o candidato único. Ele destaca, entretanto, que tudo dependerá da organização.

"O Brasil só tem a ganhar com essa Copa. E tempo nós temos, até 2014 muita coisa pode acontecer no sentido de organização. Isso é fundamental. Para organizar uma Copa você precisa de pessoas capacitadas, e vamos torcer para dar certo", disse.

O meia-atacante, entretanto, não sabe se jogará este Mundial, quando terá 32 anos.

"Nunca parei para pensar em disputar uma Copa no Brasil, até porque não sei se estarei na próxima em 2010, quanto mais em 2014", disse ele, sem dizer quando pensa parar de jogar.

"Também não parei para pensar até quando gostaria de jogar. Vamos ver como as coisas vão acontecer, família, filhos", comentou.

Bem adaptado a Milão, por enquanto Kaká só descarta um retorno em breve ao Brasil. "Voltar para o Brasil hoje é difícil. Nos próximos 5 anos, por exemplo, não (deve acontecer). Devo ficar aqui por mais um bom tempo".


 

Reuters

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