Futebol Europeu 2007/2008
Sábado, 26 de janeiro de 2008, 09h01 
Ex-cruzeirense comemora "casamento perfeito" com Lugano
 
Fábio Mello
 
Divulgação
Edu Dracena faz elogios ao experiente  Roberto Carlos
Edu Dracena faz elogios ao experiente Roberto Carlos
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Um dos destaques do Fenerbahce na temporada, o zagueiro Edu Dracena credita parte do sucesso obtido pelo time ao que chama de "casamento perfeito" com o uruguaio Lugano, que se destacou no São Paulo e agora é seu companheiro de defesa.

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Em entrevista exclusiva ao Terra, o ex-jogador do Cruzeiro conta que mudou de opinião sobre o companheiro, seu antigo rival no Brasil, com a convivência na Turquia. "Moramos até no mesmo condomínio. Ele no terceiro e eu no quarto andar", brinca.

Além do entrosamento com Lugano, Dracena ressalta que a campanha histórica do Fenerbahce, que pela primeira vez alcançou as oitavas-de-final da Copa dos Campeões, também tem a participação fundamental de outros dois brasileiros: o lateral-esquerdo Roberto Carlos, que "é importante tanto dentro como fora de campo", e do técnico Zico, seu ídolo que "é extraordinário".

A presença de um grande número de brasileiros o Fenerbahce, aliás, serviu para a rápida adaptação de Edu Dracena à Turquia. A comida apimentada ainda incomoda, mas o fanatismo da torcida e o bom relacionamento com os companheiros, segundo ele, compensam.

O bom momento e a vida tranqüila na Turquia, no entanto, não tiram o sonho do zagueiro de jogar em um clube de um grande centro da Europa. "Trabalho para que isso aconteça em um futuro breve", conta o jogador, que assim espera ter mais chances na Seleção Brasileira.

Confira a entrevista na íntegra:

Terra - Daqui do Brasil, se tem a impressão que o fanatismo na Turquia é maior do que no Brasil. Isso é verdade?
Edu Dracena - Eu nunca tinha visto isso não. É muito fanatismo. Chega até a ser chato. As pessoas ficam te pegando, te tocando. Mas por outro lado fico muito feliz com o reconhecimento.

Terra - Qual foi o maior ato de fanatismo que você viu neste período em que está aí?
Edu Dracena - Ás vezes ultrapassa o limite, como quando vestiram o Roberto Carlos com aquelas roupas. Nunca fizeram uma loucura assim comigo. O que acontece é que quando saio para almoçar ou jantar, as pessoas tiram fotos, pedem autógrafos. E o legal é que parece que estamos jogando em casa em todo jogo. Há mais torcedores nossos do que do outro time em qualquer outro estádio.

Terra - Eles apóiam o time a todo momento?
Edu Dracena - Às vezes eles também ficam ansiosos. Quando jogam em casa e o gol não sai, eles ficam nervosos, começam a vaiar. Aí faz um gol e todo mundo sai feliz.

Terra - Os costumes na Turquia são muito difíceis para se adaptar?
Edu Dracena - Foi muito fácil a adaptação. Tem bastante brasileiro no Fenerbahce e isso ajudou bastante na minha adaptação. Eu tinha um pensamento totalmente diferente do que era a Turquia. Aqui tem tudo o que tem em uma capital européia. Tem o pessoal fanático por religião, mas existem bons restaurantes, bares. Você pode se divertir sem problemas.

Terra - Alguma excentricidade chamou a sua atenção?
Edu Dracena - Os jogadores são bastante religiosos. Na sexta-feira eles vão para as mesquitas rezar. Depois começam a cantar alto. No começo eu achava esquisito. Agora já estou acostumado.

Terra - E a comida? Qual o prato mais estranho que você viu? Edu Dracena - A comida é muito apimentada. A gente até fala que quem tem hemorróidas não pode brincar. É muita pimenta. Mas a comida, no geral, é gostosa. Não tem muita diferença em relação ao Brasil. Tem feijão, tudo igual.

Terra - Ao que você credita o sucesso do Fenerbahce na temporada? Edu Dracena - Á permanência aos jogadores do ano passado e a chegada de novos jogadores, como o Roberto Carlos. Ele é muito experiente.

Terra - Então você acha que a presença do Roberto Carlos no clube era o empurrão que faltava ao time?
Edu Dracena - Acho que sim. Ele é importante tanto dentro como fora de campo. Já viveu varias situações parecidas com as que estamos passando agora. Ele sabe o que pode acontecer. Ele conversa bastante e nos orienta. Fora isso, o grupo está entendendo bem o que o Zico está pedindo.

Terra - As oitavas-de-final da Copa dos Campeões é um marco na história do clube. Qual você acha que é o limite desse time?
Edu Dracena - Esperamos quebrar mais recordes. Mas sabemos que para chegar mais longe, a gente tem que melhorar.

Terra - Em relação aos grandes times da Europa, o Fenerbahce ainda está um nível abaixo? Edu Dracena - Acho que sim. É diferente pegar o Milan. Tem poucos jogadores italianos e a maioria é estrangeira. Aqui podem jogar apenas seis estrangeiros e não aceitam jogadores com cidadania européia. Então temos uma maioria de jogadores turcos.

Terra - Você pensa em procurar outro clube em outro grande centro da Europa?
Edu Dracena - O pensamento é esse, fazer um bom trabalho para depois ir para um grande centro. Estou trabalhando para que isso aconteça em um futuro breve. Por isso, é importante os jogos da Copa dos Campeões para que eu tenha uma maior visibilidade.

Terra - Você teve alguma proposta oficial?
Edu Dracena - Conversas sempre existem, mas nada concreto de nenhum clube.

Terra - Teu contrato vale até quando?
Edu Dracena - Até 2010. Mas o futebol aqui não é muito visto em outras partes do mundo. Em relação aos outros grandes centros fica um pouco apagado, mas aos poucos está tentando se igualar.

Terra - Você acha que a sua presença constante na Seleção depende de uma transferência para um grande centro?
Edu Dracena - Não. Já fui duas vezes convocado enquanto jogo aqui na Turquia. Acho que não faz tanta diferença. Estou procurando fazer meu trabalho e voltar. Na minha cabeça, fiz um bom trabalho e deixei uma dúvida. Mas eu creio que em termos de visibilidade, é muito interessante jogar em centros maiores.

Terra - Você já jogou Libertadores e a Copa dos Campeões. Há muita diferença entre elas?
Edu Dracena - Eu penso que é bem diferente. Na Copa dos Campeões estão os melhores times da Europa, que tem os melhores jogadores do mundo. A competição é muito difícil. Creio que a camisa, os jogadores e a experiência fazem com que uma partida seja muito equilibrada. Aqui, o respeito é maior. Faz pressão, mas nem tanto como na Libertadores.

Terra - Quais as vantagens e desvantagens de ter muitos brasileiros na equipe?
Edu Dracena - É bom, mas a gente não forma um grupo fechado. Conversamos com todo mundo. Nossa equipe não tem aquela coisa de estrangeiro para um lado e os nacionais de outro. Nós não temos afinidade com o idioma, o que acaba dificultando. Mesmo assim procuramos nos entrosar de outras maneiras, brincar uns com os outros.

Terra - Como é a sua relação com o Zico?
Edu Dracena - Melhor impossível. Ele é extraordinário. Ele deixa o jogador à vontade ajudou bastante na minha adaptação. Está fazendo um grande trabalho aqui.

Terra - O Zico era um ídolo da sua infância? Como foi o início da convivência com ele?
Edu Dracena - Eu peguei pouco o tempo dele, mas o suficiente para ele ser um dos meus ídolos. Quando eu cheguei aqui e o encontrei, não acreditava. Mas ele me deixou à vontade para conversar normalmente com ele e não tratá-lo como ídolo.

Terra - E como é formar a dupla de zaga com o Lugano, que fez sucesso no futebol brasileiro?
Edu Dracena - Eu e o Lugano nos damos muito bem. Ele é uma pessoa extraordinária. Antes, só jogávamos um contra o outro (ele no Cruzeiro e Lugano no São Paulo). Foi um casamento perfeito. Um já sabe como o outro se posiciona.

Terra - No Brasil, ele tinha a fama de não ser muito bem visto pelos adversários. Qual era a sua opinião em relação ao Lugano quando você atuava pelo Cruzeiro?
Edu Dracena - Eu tinha uma visão de que ele entrava forte, que não gostava de perder, jogava sério. Mas dentro de campo ele é uma coisa e fora de campo outro. Ele conversa, brinca. Considero ele como um brasileiro. Moramos até no mesmo condomínio. Ele no terceiro e eu no quarto andar.

Terra - Você pensa em voltar a jogar no Brasil em breve?
Edu Dracena - Eu não penso em voltar para o Brasil tão cedo. Quero ficar aqui na Europa por pelo menos uns oito anos. Até porque o futebol é mais profissional. Promete e cumpre com os compromissos.

Terra - O Cruzeiro será sempre a sua primeira opção quando voltar ao Brasil?
Edu Dracena - Hoje eu penso em que a primeira opção seria o Cruzeiro. Mas quando voltar ao Brasil, posso não ser o mesmo jogador. Posso apagar a imagem daquela outra passagem. Por isso, espero pelo futuro para falar sobre isso.

Terra - O que te impede de voltar ao Brasil além da questão financeira?
Edu Dracena - Além do salário, você acaba vivendo mais aqui, sai para jantar, não tem aquela cobrança. Há mais tranqüilidade.

Terra - E o Guarani? O que você acha da situação do clube que te revelou?
Edu Dracena - O clube Guarani não merece o que está se passando. Foi uma administração ruim que passou por lá há alguns anos Os dirigentes não sabiam nada de futebol. É lamentável, porque o Guarani é um clube que revelou grandes nomes no futebol, como o Careca.
 

Redação Terra