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A final desta quarta-feira da Copa dos Campeões será marcada pelo confronto entre o escocês Alex Ferguson, técnico idolatrado no Manchester United, e o israelense Avram Grant, questionado comandante do Chelsea.
Há 22 anos no comando do Manchester, ninguém questiona a qualidade do trabalho realizado por Ferguson em Old Trafford. Considerado um técnico extremamente sério, é conhecido por mascar chicletes sem parar e celebrar efusivamente os gols do seu time.
O escocês comandou muitas equipes vitoriosas do Manchester, como a que conquistou a tríplice coroa em 1999. Naquela temporada, o clube venceu o Inglês, a Copa da Inglaterra e a Copa dos Campeões, além do Mundial Interclubes em cima do Palmeiras, no Japão.
Além disso, Ferguson se tornará o segundo treinador mais velho presente em uma final do principal torneio europeu de clubes. Em 21 de maio, o escocês terá 66 anos e 142 dias, ficando atrás somente do belga Raymond Goethals, que era o técnico do Olympique de Marselha na final de 1993 contra o Milan, quando tinha 71 anos e 231 dias.
Já Avram Grant vive uma situação bem diferente em Stamford Bridge. Apesar de levar o Chelsea à sua primeira final de Copa dos Campeões, os críticos de seu trabalho afirmam que a equipe joga um futebol feio e sem identidade.
Os torcedores do clube londrino, presidido pelo bilionário russo Roman Abramovich, ainda não aceitaram totalmente a saída do português José Mourinho no início da temporada.
O ex-treinador era a antítese de Grant. Seu carisma e sua personalidade forte conquistaram a torcida e fizeram a alegria dos jornalistas. O português criou um personagem com grande presença na mídia, uma postura oposta à discrição de Grant.
A chegada de Mourinho também coincidiu com a transformação do Chelsea em nova força do futebol inglês. Houve até quem falasse que ele decretaria o fim da hegemonia de Ferguson como principal técnico do país.
A história mostrou que a idéia era um equívoco. O escocês reconstruiu o Manchester United e não deixou a torcida sentir falta de ídolos como David Beckham, Ruud van Nistelrooy e Roy Keane.
O que torna o Manchester especial é a capacidade de renovar o elenco e manter a qualidade - sem perder a identidade. Algo que falta ao Chelsea.
O jogo ofensivo e vistoso que agrada a Ferguson foi elogiado constantemente durante a temporada, embora o sucesso da equipe seja um mérito, em grande parte, do sólido sistema defensivo.
A defesa do Manchester só levou 22 gols em 38 partidas no Inglês, graças ao bom trabalho da dupla de zaga formada pelo sérvio Nemanja Vidic e por Rio Ferdinand, da seleção inglesa. Outro destaque nos últimos meses foi o meio-campo Owen Hargreaves. O jogador foi improvisado na lateral direita e teve um bom desempenho.
Pelo lado do Chelsea, a caminhada até a final da principal competição européia foi marcada por momentos individuais de brilho.
Os dois técnicos recebem um tratamento diferente dos torcedores e da imprensa. Enquanto Ferguson conta com um respeito inquestionável, o comandante do Chelsea sofreu fortes críticas da torcida - que não perdoava a saída de Mourinho -, e da mídia, que sempre questionou duas decisões.
Mesmo chegando à final da Copa dos Campeões, a situação do israelense não melhorou. O técnico ainda teve que ouvir que seu sucesso é fruto do trabalho do antecessor.
Apesar de conviver constantemente com o fantasma de Mourinho, Grant optou por um estilo de jogo mais objetivo e não contou com contratações mirabolantes. O reforço de maior impacto foi o atacante francês Nicolas Anelka, que chegou no início do ano e não conseguiu se firmar na equipe titular.
No entanto, o técnico do Chelsea se defendeu das críticas nesta semana, quando citou o e-mail que recebeu de um velho torcedor. No texto, ele agradecia ao israelense por ter tornado realidade o maior sonho de sua vida: ver o time londrino na final. Além disso, o zagueiro John Terry, capitão da equipe, defendeu o treinador em entrevistas.
Carismático ou não, Avram Grant tem os números a seu lado. O Chelsea perdeu apenas três vezes em 38 rodadas no Campeonato Inglês. Uma campanha que passa longe do fiasco apontado por seus críticos.
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