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Governos pedem "sabedoria" a torcedores de Egito e Argélia

27 jan 2010
11h04
atualizado às 11h21

Os ministros das Relações Exteriores de Argélia e Egito, Mourad Medelci e Ahmed Aboul Gheit, respectivamente, destacaram a necessidade dos torcedores das seleções de futebol dos dois países evitarem distúrbios após o jogo desta quinta entre elas, pela Copa Africana de Nações. O duelo (às 17h30 de Brasília) vale uma vaga na final da competição, que é disputada em Angola.

Os ministros conversaram por telefone, de acordo com um comunicado divulgado nesta quarta-feira por Argel, e concordaram sobre a importância dos torcedores "lidarem com sabedoria" com a partida.

Os governos egípcio e argelino mantêm tensas relações diplomáticas desde novembro do ano passado, quando houve uma série de distúrbios após as partidas disputadas entre as seleções pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo.

O ônibus que levava os jogadores argelinos para uma das partidas, no Cairo, foi apedrejado, o que provocou a ira de muitos torcedores, que incendiaram e saquearam as sedes de várias empresas e lojas egípcias em Argel.

Como o Egito venceu em casa por 2 a 0, houve a necessidade de um jogo-desempate, já que as equipes terminaram empatadas em pontos e em todos os critérios de desempate. O duelo aconteceu no Sudão, apenas quatro dias depois, e a Argélia conseguiu a classificação para o Mundial ao ganhar por 1 a 0.

Depois da partida, houve protestos em frente à embaixada da Argélia no Cairo, e em um deles os choques entre a polícia e os manifestantes terminaram com saldo de 35 feridos, sendo que 11 deles eram agentes de segurança.

Por causa dos incidentes, os dois governos se acusaram mutuamente de fomentar os tumultos ou de não evitá-los. Além disso, chamaram de volta seus embaixadores.

Na terça-feira, a Liga Árabe, organização criada em 1945 para promover intercâmbio de informações e solidariedade política entre as nações árabes, manifestou seu desejo de que o duelo desta quinta contribua para encerrar a crise diplomática.

"A próxima partida entre as seleções egípcia e argelina deveria servir para pôr fim às diferenças, e enfatizar que as relações históricas e cordiais entre os países são mais fortes que qualquer crise passageira", disse o porta-voz da organização árabe, Hesham Youssef.

O representante também disse que a imprensa deve ter "um papel positivo nos próximos dias" para evitar hostilidades.

As medidas para proteger empresas e trabalhadores do Egito na Argélia foram reforçadas, especialmente em torno das sedes da companhia de telefonia celular Djezzy, que foi alvo da fúria dos torcedores em novembro e sofreu, desde então, queda no número dos usuários de seus serviços.

A companhia aérea estatal Air Algérie anunciou nesta quarta que fretará quatro voos a Angola para levar 2.500 torcedores, número menor do que o que foi levado para assistir o jogo no Sudão.

Argélia revê Egito na semifinal da Copa Africana
Argélia revê Egito na semifinal da Copa Africana
Foto: AP
EFE   
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