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Sucesso alemão tem 53 cientistas, ioga, psicólogos e "caça-passaportes"

22 jun 2012 12h14
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Dassler Marques
Direto de Gdansk (Polônia)

As ordens são de Joachim Löw. O ritmo é ditado por Özil e Schweinsteiger. Os gols são feitos por Mario Gómez e as defesas são incumbência de Manuel Neuer. Mas há muito mais que isso por trás do sucesso da seleção alemã. Terceira colocada nas últimas duas Copas e vice-campeã europeia, parece pronta para voos mais altos, ao grande título que ainda falta. Foram 10 vitórias em 10 jogos nas Eliminatórias, mais três no grupo da morte da Eurocopa. O caminho até a semifinal encontra a Grécia, nesta sexta-feira, em Gdansk.

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Há muito mais por trás desse time que, no Mundial 2010, foi o mais jovem dos alemães em oito décadas de Copas, e é ainda mais jovem na Euro 2012. Há um professor de ioga para fazer os jogadores relaxarem antes dos treinamentos e partidas, uma prática incomum para o futebol. "Precisamos estar no máximo fisicamente, mas também na parte mental", define Patrich Broome, incorporado pelo antecessor Jürgen Klinsmann quando Löw ainda era o auxiliar técnico.

"Os outros só julgam os jogadores por quanto ganham e por como jogaram, mas aqui eles importam pelo que são: seres humanos. Os jogadores alcançam fama e dinheiro muito rápido e a ioga faz com que eles abram a mente", explica Broome. Mas ele também é só mais uma das peças que fazem virar a grande engrenagem instalada pelos alemães em Gdansk, seu quartel-general da Eurocopa. Lugar com 70 luxuosos quartos à disposição, piscinas com hidromassagem, spa, academia, sauna e ampla área verde.

Além de psicólogos, também legado dos tempos de Klinsmann, uma equipe de analistas ajuda a explicar o sucesso dos alemães nos últimos anos. Jürgen Buschmann comanda um time de 50 estudantes cientistas, além de três profissionais formados, que dissecam absolutamente tudo dos adversários da seleção. "Analisamos pelo menos 15 jogos de cada equipe e elaboramos um estudo estatístico com variáveis de comportamento em diferentes situações de jogo, como em escanteios ou em toque de bola".

Jürgen continua em sua explicação de impressionantes detalhes: "vemos como é a construção de jogos do rival, que espaços percorreram os jogadores no campo, como se comportam defendendo e atacando, como mudam sua tática perdendo ou ganhando, como fazem e sofrem gols, como se movem os jogadores individualmente", tenta resumir, mas não consegue, o chefe do grupo que costuma trabalhar em Colônia.

Até a imprensa é monitorada para entregar a Löw um perfil do adversário. O resumo desse trabalho, pasme, é um dossiê de 500 páginas e 20 dvds, posteriormente resumido a cinco páginas de texto para as mãos dos treinador. Na Federação Alemã, esse trabalho é encarado como fundamental para uma seleção que, de fato, parece sempre saber como abordar os rivais.

Mas é outro trabalho com documentos que é de fato pioneiro e ajuda a ascensão alemã. Uli Stielike, ex-diretor da Federação, comandou uma procura ostensiva, dentro do país, por jogadores com dupla nacionalidade. E, ao localizá-los, evitar que defendessem outro país. Iniciado de verdade em 2000, o processo trouxe seis dos 23 jogadores do elenco de Joachim Löw nessa Euro: Boateng, Gündogan, Özil, Khedira e os poloneses Klose e Podolski. O futebol, provam os metódicos germânicos, vai muito além de 11 homens a correr atrás de uma bola.

Para Alemanha, o futebol vai muito além de 11 homens a correr atrás de uma bola
Para Alemanha, o futebol vai muito além de 11 homens a correr atrás de uma bola
Foto: Reuters
Fonte: Terra
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