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Capitão polonês supera assassinato dentro de casa para brilhar na Euro

16 jun 2012
08h31
atualizado às 08h35
Dassler Marques
Direto de Gdansk (Polônia)

"Nunca vou entender o que aconteceu", define Jakub Blaszczykowski, o Kuba, capitão da seleção polonesa co-anfitriã da Eurocopa 2012 que busca a inédita vaga nas quartas de final, neste sábado, contra a República Checa. Traumas, ele sabe, dificilmente são superados de verdade, mas o homem do mais belo gol da Euro até aqui, contra a Rússia, já é mesmo um vencedor. Aos 11 anos, ele viu ter fim trágico uma briga doméstica entre seu pai, Zygmund, e a mãe, Anna, assassinada de forma cruel pelo marido após uma briga conjugal.

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A polícia polonesa de Cracóvia prendeu Zygmund, mas nunca mais curou a dor de Kuba. "Essa lembrança vai me acompanhar pelo resto da minha vida. Daria tudo o que pudesse em troca de minha mãe estar viva. Aquilo deu um giro de 180 graus em minha vida. Foi como se uma rocha houvesse caído sobre a minha cabeça e uma semana depois despertasse e tivesse que recomeçar minha vida e reagir como se nada tivesse ocorrido", descreve.

O assassinato da mãe diante das próprias retinas, é certo, moldou o caráter de Blaszczykowski. Em campo, seja pelo Borussia Dortmund em que é bicampeão alemão, seja com a seleção polonesa, é possível perceber um jogador aguerrido. Que tem a perfeita combinação entre o talento, a entrega e uma incrível força física. Criado pela avó após toda a tragédia, Kuba herdou um pouco desse espírito graças ao tio famoso.

Jerzy Brezczec foi capitão da seleção da Polônia em sua medalha de prata nos Jogos Olímpicos de Barcelona, há 20 anos. Ele teve participação fundamental para que, na Euro 2012, os poloneses tivessem mais um capitão elogiado. Kuba Blaszczykowski havia deixado o futebol de lado e o clube de seu bairro, o Rakow Czestochowa. Convencido por Jerzy, fez um teste, voltou a jogar pelo Rakow e decolou. Campeão nacional em 2005, se transferiu ao Dortmund dois anos depois e virou ídolo.

Em maio do último ano, Kuba definitivamente encerrou uma parte importante da história vivenciada aos 11 anos de vida. Seu pai, que cumpriu 15 anos de prisão e nunca mais o procurou, foi enterrado por morte natural. O filho foi ao funeral antes de um jogo do Dortmund e viu Zygmund pela última vez.

Neste sábado, o religioso Kuba estará em campo com a camisa 16 da Polônia contra a República Checa, às 15h45 (de Brasília) em Wroclaw, atrás de uma inédita vitória na história da Eurocopa, o que valeria a também inédita vaga às quartas de final. Os poloneses esperam vê-lo repetir o gesto que sempre faz após seus gols - são 10 só pela seleção: ajoelha, olha para os céus e dedica para Anna, sua mãe. Será o roteiro perfeito para uma noite, quem sabe, histórica para um dos mais sofridos povos do Velho Continente.

Antes da Eurocopa, Jakub Blaszczykowski ajudou o Borussia Dortmund a ser bicampeão alemão
Antes da Eurocopa, Jakub Blaszczykowski ajudou o Borussia Dortmund a ser bicampeão alemão
Foto: Reuters
Fonte: Terra

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