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Com aventura soviética, Zico assume espírito desbravador

13 abr 2009 - 17h49
(atualizado às 18h17)
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Embaixador e responsável direto pelo surgimento e ascensão do futebol japonês, Zico não se ateve aos grandes centros desde que parou de jogar. Depois da Ásia, passou por Turquia, Uzbequistão e, desde janeiro, está na Rússia. Comanda o CSKA Moscou e, comendo pelas beiradas, atinge um prestígio na Europa que poucos outros treinadores brasileiros conseguiram por lá nas últimas décadas. Essencialmente, com o espírito desbravador dos grandes aventureiros.

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"Estou realmente feliz e agradecido a Deus por poder conhecer países totalmente diferentes. Você pode observar mais como as pessoas vivem, os lados bons e ruins. Aprende com clima, alimentação, religião e comportamento", enaltece Zico, em entrevista exclusiva ao Terra, depois de transitar do Uzbequistão para a Rússia dentro do território da extinta União Soviética.

No Uzbequistão, o primeiro passo

No tempo em que jogadores brasileiros reclamam da dificuldade de adaptação à Europa, Zico desembarcou na gélida Moscou em janeiro, no auge do inverno europeu. Vinha de Tashkent, capital do Uzbequistão, em que dirigiu o Bunyodkor por um rápido bimestre, e se adaptou sem problemas, a despeito das limitações. "Não existe vida social e são poucos lugares em que se pode sair para jantar fora, ir a um teatro ou mesmo cinema. Nesse ponto, deixa a desejar".

Bastante populosa, com cerca de 3,6 milhões de habitantes, Tashkent é a capital do Uzbequistão e está localizada na Ásia - era uma das referências da União Soviética. "É uma cidade com ruas largas, muito verde, as pessoas andam numa boa e com liberdade. Apesar das questões passadas, o Uzbequistão é um país liberal e tranqüilo. Existem muitos policiais desde que há alguns anos houve um atentado a um presidente. A partir disso, tem um policiamento mais forte. Hoje, a cada 100 metros você vê um policial parado", explica.

Tal qual quando aceitou ingressar em um ainda incipiente futebol japonês, Zico teve um papel fundamental para o esporte no Uzbequistão. Ainda que pudesse realizar mais ao permanecer por um período amplo, o bimestre por lá teve um papel importante.

"Demos um pontapé inicial. O presidente (do Bunyodkor) precisa de nomes, tanto que levou o Rivaldo para lá. E é um projeto que pode ser muito importante na Ásia, porque o clube monta uma estrutura maravilhosa. Não ficará devendo para ninguém", explica.

Com o poder de investimento forte e comum àquela região, o Bunyodkor provou não estar para brincadeiras quando realizou uma tentativa formal para levar Samuel Eto'o até a Ásia. Em um cenário ainda pouco competitivo, é difícil para o futebol local atrair jogadores de nível mundial, ainda que com altas cifras envolvidas.

"O presidente quer esses grandes nomes, botou isso na cabeça. Queria que eu fosse atrás de jogadores e, como tem um contato bom no Barcelona, tentou também o Henry. Dinheiro lá não é problema, mas são campeonatos que não vão querer disputar, porque não tem a mesma estrutura", observa Zico, ainda que destacando uma evolução gradual no desenvolvimento da Copa dos Campeões da Ásia e o próprio valor de o campeão disputar o Mundial de Clubes da Fifa. "Ele quer benefício para o futebol de todo o Uzbequistão", destaca.

Zico, que em um bimestre conseguiu vencer dois títulos e trouxe repercussão mundial para o Bunyodkor, admite que ainda há muito para acontecer ao futebol local. Cita que há cidades em que não há sequer hotel para o clube se concentrar, mas prova que o desenvolvimento do esporte está em seu DNA: "Cumpriria, numa boa, o contrato por mais um ano. Deram todas as condições para que eu não tivesse problemas", reconhece, como quem deu um primeiro passo.

Ainda que tenha se atraído pelo projeto de colaborar para o futebol do Uzbequistão, Zico construiu na Europa um nome forte como treinador do Fenerbahce. Entre os oito finalistas da última Copa dos Campeões, seria natural que atraísse o interesse de clubes maiores que o Bunyodkor. O que, de fato, aconteceu.

Se não no meio do ano, quando começaram praticamente todos os campeonatos europeus, as coisas se acertaram em janeiro, com a oficialização do acordo com o CSKA Moscou. Campeão da Copa da Uefa em 2004 e com poder econômico suficiente para atrair jogadores de nome, o clube moscovita pintou como uma ótima oportunidade para Zico crescer na Europa, onde ele já vinha em ascendência. "Outros clubes russos me sondaram", diz. Foi natural que se abortasse o projeto em Tashkent.

Fonte: Redação Terra
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