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Decisivo, Love reconquista a Rússia e vive melhor ano da carreira

5 nov 2010 18h14
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Dassler Marques

Entre os jogadores brasileiros, ele é um caso raro para os russos, acostumados a atletas que ficam só algum tempo e querem pegar o avião de volta. Salvo alguns meses de Palmeiras e um semestre no Flamengo, Vagner Love tem mais de cinco anos com a camisa do CSKA Moscou, suficiente para ter um lugar de respeito na história do clube. Um espaço, porém, que foi preciso reconquistar.

Love pediu para ser emprestado ao Palmeiras, o que não foi bem aceito entre os fanáticos torcedores russos. Com gols, porém, Vagner caiu nas graças novamente. Fez oito gols e deu quatro assistências em 15 jogos, números suficientes para ser considerado o maior destaque da segunda parte do Campeonato Russo, agora em sua reta final.

Essa média, somada ao incrível desempenho de 23 gols em 28 jogos pelo Flamengo, fazem de 2010 um ano de destaque na carreira de Love. Para ele, individualmente o melhor ano, o que faz despertar o sonho de vestir de novo a camisa verde-amarela. Vagner, 26 anos, também fala da Seleção, do Fla e do Palmeiras. Onde, admite, a excessiva pressão e a política interna atrapalharam.

Confira a entrevista com Vagner Love na íntegra:

Terra - Houve muito descontentamento dos russos por seu retorno por empréstimo ao Brasil. Foi difícil reconquistar esse espaço na volta ao CSKA?
Vagner Love - Não precisei reconquistar. Deixaram meu espaço aberto, só me esperando (risos). Quando cheguei, fui muito bem recebido, não tive questionamento e nem tive que conquistar a torcida. Foi só fazer o meu trabalho e a torcida me recebeu de braços abertos, gritou meu nome...fiquei emocionado.

Terra - Você teve uma passagem de muitos gols pelo Flamengo e vem mantendo uma ótima média na volta ao CSKA. Há quem lhe considere, na imprensa russa, como o principal jogador deste semestre. Individualmente, é o melhor ano da sua carreira?
Vagner Love - Acredito que sim. Já tive anos bons, mas esse tem sido maravilhoso pela fase com o Flamengo e agora venho dando continuidade. Estou feliz, dando sequência e fazendo gols para ajudar meu time.

Terra - O CSKA está nove pontos atrás do Zenit e faltam cinco rodadas para o fim do Campeonato Russo. Ainda há esperança de título?
Vagner Love - Está difícil, estamos conscientes disso. O objetivo é terminar em segundo lugar para disputar a Liga dos Campeões ano que vem, só depende da gente. Temos cinco jogos e garantimos isso em caso de vitória.

NR: Só os dois primeiros colocados têm vaga direta na Liga dos Campeões 2011/12. Atualmente, Zenit lidera com 60 pontos, Rubin Kazan tem 54 (e um jogo a mais) e o CSKA tem 51.

Terra - Mais uma vez, se comenta que você pode partir para um clube de alguma liga com mais exposição. Houve alguma proposta? Você tem esse objetivo?
Vagner Love - Gostaria muito de ir para um centro melhor da Europa, como Espanha e Itália. Penso nisso, ainda. Mas se não acontecer...sou bem tratado, sou feliz e estou bem adaptado. Se tiver que cumprir o contrato (até junho de 2014), consigo.

Terra - Você chegou ao futebol russo em 2004 e é um raro caso de jogador adaptado a um país do Leste Europeu. A que isso se deve?
Vagner Love - Me adaptei super bem e acho que a família ajuda bastante. Tenho moral no clube e o presidente me trata como um filho. Coisas assim a gente não deixa passar na nossa vida, não posso desperdiçar esse carinho.

Terra - O presidente Yevgeniy Giner costuma dizer que não te negocia e que você é como um filho. Como é essa relação?
Vagner Love - Esse sempre fala que gostaria de eu ficasse aqui até o fim da vida, me trata como filho. Mas deixa acontecer, deixa rolar. Até quando voltei para cá, não teve nenhuma proposta.

Terra - Por que o Zico não deu certo e durou tão pouco tempo no CSKA?
Vagner Love - A oportunidade que tive com ele foi maravilhosa. Aprendi muitas coisas em pouco tempo, mas ele chegou na época da crise financeira e o clube não fez as contratações que ele pediu. Se tivesse feito, teria ganhado mais títulos, e ele ganhou dois. Fiquei sabendo que ele deu uma lista de jogadores e queria o Hernanes, o Léo Moura e o Diego Souza.

Terra - O Alex, ex-Inter, é hoje o grande jogador do futebol russo?
Vagner Love - Ele e o Welliton (ex-Goiás), que é artilheiro e até pode se naturalizar. Também faz um ótimo trabalho.

Terra - O que você pode nos falar sobre o Honda. Na Copa do Mundo, foi o grande destaque do Japão e também havia levado o time até as quartas de final da Liga dos Campeões.
Vagner Love - É um excelente jogador e uma excelente pessoa. Agora é que posso conviver agora com ele bem. Fez um ótimo trabalho na Liga dos Campeões e na Copa do Mundo. Está me ajudando bastante e tem qualidade. Como ele arranha um espanhol, a gente se entende bem (risos).

Terra - O Krasic, que atuou com você no CSKA, é considerado o melhor jogador da Juventus na atualidade. Te surpreende?
Vagner Love - Não, porque ele tem muita qualidade. É muito rápido com a bola nos pés e, com certeza, se saísse eu sabia que conseguiria fazer um bom trabalho. É o que ele tem feito. Teve a chance de sair para um grande clube em um centro melhor. Fez por merecer essa contratação.

Terra - Mudando um pouco o assunto, vamos falar de Seleção. O que passa por sua cabeça quando pensa em Seleção?
Vagner Love - Faltaram os gols. Sempre entrei para fazer meu melhor, dei minha vida e meu sangue, sempre ajudei, mas acho que as pessoas querem ver um camisa 9 fazendo gols. Fui para a Copa América e não fiz gols, mas dei assistências e isso não contou muito. Para o centroavante, vale é bola na rede. O que faltou foram os gols, se tivesse feito mais teria me mantido.

Terra - E sobre o Palmeiras: ficou algum arrependimento?
Vagner Love - Não me arrependo, queria muito voltar para o Brasil. Voltei e tinha dado a minha palavra que seria para o Palmeiras se eu voltasse. Já havia conversado com os dirigentes. O clube estava bem, escolhi pela melhor estrutura e infelizmente não foi da melhor maneira. Teve o episódio com torcida (jogador foi agredido por torcedores organizados na saída de um banco) e fiquei magoado. A vida seguiu, logo depois pude relizar um sonho de criança e vestir a camisa do Flamengo.

Terra - Todos os personagens da perda do título deixaram o clube: você, Diego Souza, Cleiton Xavier, Obina e Muricy. O Palmeiras é um clube diferente?
Vagner Love - É diferente e a pressão é grande, a torcida cobra demais, às vezes exageradamente. Foi o que fizeram comigo e Diego Souza. A cobrança vai existir, mas às vezes é exagerada e atrapalha.

Terra - A política também atrapalha?
Vagner Love - Atrapalha. Quando a oposição não está satisfeita, quer trocas as coisas e às vezes acaba interferindo. A gente vive o dia a dia do clube.

Terra - Você foi muito bem, mas o Flamengo teve problemas políticos sérios, troca de treinador, problemas com jogadores...o momento do clube não te ajudou?
Vagner Love - Queria um título, queria continuar e poder ajudar. Mas não acho que atrapalhou. A gente tem problemas fora, mas resolvíamos entre a gente. Não deu certo porque não ganhamos os títulos, mas quando entrávamos em campo o pensamento era de vencer os jogos. Espero que eu possa voltar.

Vagner Love retornou em grande estilo à Rússia
Vagner Love retornou em grande estilo à Rússia
Foto: Getty Images
Fonte: Redação Terra
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