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Contra Lucas e Ibra, Henrique adota calma que o fez ídolo na França

20 jan 2013
05h04
atualizado às 14h14
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Formado nas categorias de base do Flamengo, o zagueiro Henrique se profissionalizou em 2002 e, em apenas três temporadas no time principal, se tornou referência com um título carioca e um vice da Copa do Brasil. Isso até 2005, quando foi negociado com o Bordeaux, da França, e chegou à Europa como único brasileiro do clube. A adaptação não foi fácil, mas também não evitou que ele rompesse todas as barreiras e se tornasse um verdadeiro ídolo.

A receita do sucesso para Henrique e para tantos outros brasileiros que conseguiram se tornar ícones do futebol europeu foi a paciência. Ainda mais na sua posição. Zagueiro "tem que ser sutil e elegante, ter sangue frio, acreditar em si", como disse Jorge Ben Jor em uma das poucas músicas a enaltecerem o jogador de uma posição em que se é mocinho ou bandido. Paciência também é fundamental quando, pela frente, são esperados adversários que desequilibram.

Na semana anterior ao confronto diante do Paris Saint-Germain, válido pela 21ª rodada do Campeonato Francês, Henrique atendeu a reportagem da GazetaEsportiva.Net para falar sobre a carreira, os planos para o futuro e principalmente a iminência da partida contra os líderes. Mesmo sem Thiago Silva, que está lesionado, o time de Carlo Ancelotti promete dar trabalho ao zagueiro brasileiro: o sueco Ibrahimovic, artilheiro da liga, e o meia-atacante Lucas, ex-jogador do São Paulo, e comprado por 40 milhões de euros pelo PSG, estão escalados."As pessoas que não conhecem podem falar que o Campeonato Francês não é forte, que é desnivelado, mas é porque não conhecem o futebol jogado aqui. Como há muitos africanos, ele é bastante rápido e pegado. Aí entra o elemento brasileiro e aumenta isso, porque o Lucas é um jogador com o qual você precisa estar sempre atento, e ainda ter outro na sobra, perto de você. O defensor já leva desvantagem porque está sem a bola, então é complicado", prevê o zagueiro brasileiro do Bordeaux, que ocupa a quinta posição na tabela de classificação.

Para o confronto diante do PSG, todos os ingressos foram vendidos pelo Bordeaux, que espera uma festa grandiosa e, mais importante do que isso, três pontos e um salto na tabela de classificação. Desde 2005 no clube, Henrique já foi campeão francês na temporada 2008/2009 e marcou até gol de título, isso sem contar outras conquistas secundárias no país que não é o do futebol, mas está se tornando, cada vez mais, alvo de atenções de todo o mundo.

Semana passada, o brasileiro renovou por mais duas temporadas o contrato que estava para vencer no meio de 2013. Sem ofertas muito sedutoras e também sem o aval do Bordeaux para negociar com Botafogo e Grêmio, que chegaram a procurá-lo, Henrique acha que a valorização do futebol francês é boa para todos: "Para o campeonato, esse grupo de investidores ter assumido o PSG é a melhor coisa que podia ter acontecido. Hoje as pessoas olham o Campeonato Francês de maneira diferente. Dizem que não tem nível, mas nos últimos quatro anos teve quatro campeões diferentes".

O exemplo do Montpellier é o mais óbvio. Contra Lille, Bordeaux, Olympique de Marselha, Rennes, PSG e Lyon, o modesto clube sulista conseguiu ser campeão nacional. Quando Henrique chegou ao país, vislumbrar um tipo de situação como essa podia ser motivo de piada. Em 2005, o Lyon estava apenas no terceiro dos sete títulos que conquistaria de forma consecutiva. Além da impossibilidade de ser campeão francês, Henrique esbarrava no idioma, na cultura e nas cobranças de um velho conhecido do Brasil.

"Cheguei junto com o técnico Ricardo Gomes, e não tinha outro brasileiro para me ajudar com apartamento, língua, comida, nada disso. Quando eu cheguei, achava que não estava pronto para um desafio tão grande. Me senti sozinho, pensei em voltar pro Brasil, mas tive sorte de estar com Ricardo, que me deu grandes conselhos no jogo e na vida. Depois de oito meses ou um ano, fiquei completamente adaptado", relembra, sem antes comentar as fortes cobranças que recebia do atual diretor técnico do Vasco: "Ele era rígido, pegava no pé. Às vezes a gente ficava chateado, mas era para o nosso bem".

Adaptado, Henrique já ouviu a "emocionante" música da Liga dos Campeões da Europa antes de um jogo seu, disputa a atual edição da Liga Europa no papel de azarão, mas acha que já conquistou tudo o que podia no Bordeaux. Tanto que, na última janela, pediu para voltar ao Brasil e foi barrado pela diretoria do clube. Ele está animado com o atual momento da economia e do futebol brasileiros, mas garante que não fará força para sair."Tive possibilidade de ir para o mundo árabe, mas descartei, porque não seria vantajoso esportivamente. Mas hoje me sinto realizado e contente de fazer parte do presente e do futuro do Bordeaux. Quando cheguei, minha intenção seria de ficar o mais tempo possível na Europa pela organização, pelo tempo de ficar com a família, pela educação dos filhos. Voltar ao Brasil ou continuar aqui tanto faz, mas acho que ficar mais uns dois anos vai ser melhor para minha família", discursa Henrique, sem esquecer de duas metas que traçou quando ainda jogava nas divisões de base do Flamengo: "Ganhar Campeonato Brasileiro e Libertadores são dois sonhos que espero realizar".

Aos 29 anos, Henrique tem mais dois anos de contrato com o Bordeaux, mas prefere não focar a longo prazo. O objetivo do dia é parar Ibrahimovic e Lucas: "Ainda não perdemos para equipes que estão na nossa frente, então vamos fazer um grande jogo, mas que é clássico, e podemos surpreender. O Ibra é o atacante mais completo do mundo. E o Lucas já mostrou qualidade no primeiro jogo, mostrou porque foi tão caro. É óbvio que o PSG quer que arrebente agora, mas contrataram pensando no futuro, pensando que ele pode ser um dos melhores do mundo em breve".

Gazeta Esportiva Gazeta Esportiva
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