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Futebol da Ucrânia vira "caminho sem volta" para brasileiros

28 ago 2009 - 13h19
(atualizado às 14h56)
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Dassler Marques


Provavelmente com cinco brasileiros em campo, nesta sexta-feira, o Shakhtar Donetsk tentará tomar das mãos do Barcelona, em Monaco, o título da Supercopa Europeia, que confronta os campeões da Liga dos Campeões e da Copa da Uefa, que agora passa a se chamar Liga Europa. O clube ucraniano, na década atual, foi precurssor na abertura de mercado aos jogadores brasileiros no país.

Em 2002, o Shakhtar Donetsk - que hoje tem Ilsinho, Jadson, Fernandinho, Willian e Luiz Adriano - foi o primeiro clube ucraniano a levar um jogador brasileiro, quando comprou Brandão, então artilheiro da Copa Libertadores com o São Caetano. Desde então, o país do Leste Europeu, antigo integrante da União Soviética, se tornou porta de entrada para vários jogadores, em um caminho quase sem volta.

Em 2009, por exemplo, quatro grandes clubes brasileiros - Corinthians, Palmeiras, Fluminense e Santos -, tentaram tirar Brandão, por empréstimo, do Shakhtar. Nenhum teve sucesso. Os palmeirenses ainda forçaram a barra por Luiz Adriano, mas o negócio também não aconteceu, assim como a tentativa corintiana para repatriar Willian. Para os jogadores que deixam o Brasil para atuar por lá e já vão pensando em voltar, é um banho de água fria.

"Por lá, é difícil mesmo de aceitarem empréstimo. Tem que ter um trabalho forçando, conversando com o presidente e o treinador", conta Marcelo Moreno, boliviano que fez carreira no Vitória e no Cruzeiro e hoje atua no Werder Bremen. "Concordaram em me emprestar porque foi um time europeu que me queria e investiu um grande dinheiro para me levar, mesmo que por um ano",explica o jogador cedido aos alemães.

Caso raro aconteceu em 2008, quando o Dínamo de Kiev, mais tradicional clube ucraniano, liberou de uma só vez quatro jogadores para voltar ao Brasil: Kléber (Palmeiras), Rodrigo (São Paulo), Diogo Rincón (Corinthians) e Michael (Santos). Fazia parte de um acordo dos jogadores com o presidente do clube, que ficou de mãos atadas.

Nenhum dos quatro jogadores emprestados acabou retornando para a Ucrânia, mas nem assim o Dínamo abriu mão dos brasileiros. Neste ano, já levou três nomes de Minas Gerais para o elenco que já tem Betão, ex-Corinthians. Guilherme deixou o Cruzeiro em janeiro e foi seguido por Gérson Magrão. Do Atlético-MG, partiu o zagueiro Leandro Almeida.

Na Ucrânia, Brandão abriu as portas

Para os jogadores brasileiros, especialmente no Shakhtar, Brandão é referencial. "Ele é um guerreiro, sofreu bastante. Chegou no momento em que não tinha ninguém e conta muitas histórias para nós. Deve ter passado o dobro de dificuldades que os outros", acredita Marcelo Moreno, que não se adaptou bem à Ucrânia e partiu para a Alemanha após uma temporada.

"Eu tinha muita curiosidade de saber o que as pessoas falavam no estádio. Gostaria de um dia poder entender o idioma", diz Moreno, que chegou a iniciar um curso de ucraniano antes de ir para a Alemanha.

Willian, que completa dois anos no Shakhtar depois de ter defendido o Corinthians, faz uma confissão importante. "Pra dizer a verdade, só assinei porque tinha vários brasileiros", diz. "O Brandão me ajudou muito quando cheguei, pois eu morava sozinho. É muito querido no país. Levarei pro resto da vida".

Mais adaptado, Willian também acredita ser importante que os brasileiros se firmem no futebol ucraniano. "Os brasileiros que vão para a Ucrânia ajudam a mostrar que é um bom mercado. Os clubes oferecem uma ótima estrutura de trabalho", elogia. De quebra, ele conta uma história engraçada.

"Uma vez eu fui entrar numa loja de roupas com o meu pai e ainda faltavam 15 minutos para fechar, mas a porta estava encostada. Empurramos para entrar e o segurança correu na nossa direção e nos deu uma bronca, mas não entendíamos nada. Liguei para o tradutor que trabalha com os brasileiros para que ele ajudasse a esclarecer a situação. Ele conversou com o segurança e resolveu, mas acho que ele pensou que iríamos assaltar a loja".

Brasileiros na primeira divisão da Ucrânia:

Gil Bala - (Arsenal Kiev) - (ex-Fluminense)
Alcides - (Dnipro Dnipropetrovsk) - (ex-Santos, Vitória e Benfica)
Betão - (Dínamo de Kiev) - (ex-Corinthians e Santos)
Leandro Almeida - (Dínamo de Kiev) - (ex-Atlético-MG)
Guilherme - (Dínamo de Kiev) - (ex-Cruzeiro)
Gérson Magrão - (Dínamo de Kiev) - (ex-Cruzeiro)
Severino - (Illichivets Mariupol) - (ex-Flamengo)
Edmar - (Metalist Kharkiv) - (ex-Paulista e Internacional)
Jajá - (Metalist Kharkiv) - (ex-Flamengo, Getafe e Feyenoord)
Fabinho - (Metalurh Donetsk) - (ex-Anorthosis Famagusta - Chipre)
Fernandinho - (Shakhtar Donetsk) - (ex-Atlético-PR)
Jadson - (Shakhtar Donetsk) - (ex-Atlético-PR)
Ilsinho - (Shakhtar Donetsk) - (ex-São Paulo e Palmeiras)
Willian - (Shakhtar Donetsk) - (ex-Corinthians)
Luiz Adriano - (Shakhtar Donetsk) - (ex-Internacional)

Jadson e Luiz Adriano são dois dos brasileiros do Shakhtar
Jadson e Luiz Adriano são dois dos brasileiros do Shakhtar
Foto: Getty Images
Fonte: Redação Terra
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