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Estudo: Balotelli é o maior alvo de racismo em redes sociais

Atacante italiano do Liverpool recebeu mais de 8 mil mensagens racistas durante a última temporada do futebol europeu

17 abr 2015
12h58
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Quando Mario Balotelli brincou com o Manchester United no Twitter durante a derrota surpreendente do clube por 5 a 3 para o Leicester no Campeonato Inglês, o atacante do Liverpool deveria esperar umas respostas mal-educadas.

Balotelli é o jogador mais ofendido nas redes sociais do Campeonato Inglês
Balotelli é o jogador mais ofendido nas redes sociais do Campeonato Inglês
Foto: Carl Recine / Reuters

O que o italiano recebeu, no entanto, foi uma avalanche de abuso vil que foi além de qualquer compreensão.

"Vá comer algumas bananas e pegar ebola", foi uma das respostas. Outra repetiu apenas a palavra "macaco" cinco vezes. Dezenas de outros comentários foram tão ruins quanto esses.

Tudo que Balotelli tinha escrito foi "Manchester United... rindo alto".

Todas as respostas raivosas em setembro passado foram parte das mais de 8 mil mensagens discriminatórias direcionadas ao italiano nas redes sociais nesta temporada, de acordo com um estudo feito por um grupo anti-discriminação no Reino Unido. 52% destas publicações eram racistas.

Polêmico, italiano chegou a publicar imagem sarcástica sobre racistas nas suas contas em redes sociais
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Foto: mb459 / Instagram

"É realmente chocante", disse Roisin Wood, diretora da Kick It Out. "Nós sabíamos que havia um problema, mas até a gente ficou chocado pela quantidade (de mensagens abusivas) os jogadores receberam."

O estudo mostrou que Balotelli tem sido o jogador mais ofendido do Campeonato Inglês nas redes sociais de agosto a março. Os atacantes Danny Welbeck, do Arsenal, (1,7 mil posts discriminatórios recebidos) e Daniel Sturridge, do Liverpool, (1,6 mil publicações) também foram abusados verbalmente em excesso. Os três são negros.

Estudos apontam que os clubes e jogadores do Campeonato Inglês tiveram 134 mil publicações abusivas a eles direcionadas nas redes sociais. Chelsea, que lidera o torneio, foi alvo de 20 mil delas.

"Acho que é porque somos chatos", afirmou o técnico do Chelsea, José Mourinho, na sexta-feira. "Na ponta desde o dia 1. É algo que as pessoas desse país não gostam."

Xingamentos vieram também em partidas pela Itália
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Foto: Shaun Botterill - FIFA / Getty Images

Os motivos por trás do abuso de Balotelli, Welbeck e Sturridge são muito mais preocupantes. Eles estimularam a Kick It Out formar um grupo especialista para investigar crimes de ódio relacionados ao futebol nas redes sociais. A entidade vai trabalhar com autoridades do futebol, as principais plataformas de redes sociais, organizações que lidam com segurança na internet e a polícia.

Um total de 88% das mensagens abusivas estavam no Twitter.

"Essas pessoas estão dizendo coisas que não fariam pessoalmente", declarou Piara Powar, diretora executiva de anti-discriminação e inclusão social na rede FARE. "Desta forma, pessoas pensam que diferentes regras se aplicam. Esse é o provável problema que temos que atacar."

Balotelli, um dos jogadores mais reconhecidos mundialmente, tem sofrido com racismo por toda sua carreira. Ele foi alvo de cantos racistas durante os treinos da Itália antes da última Copa do Mundo, enquanto Espanha e Croácia foram multados pela Uefa durante a Euro 2012 por barulhos de macacos direcionados ao atacante italianos.

Quando era jogador do Milan, Balotelli ameaçou deixar o campo se ouvisse ofensas racistas mais uma vez.

 

Fonte: AP AP - The Associated Press. Todos os direitos reservados. Este material não pode ser copiado, transmitido, reformado o redistribuido.
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