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Itália e Alemanha "negam história" com jogo bonito e fazem semi

28 jun 2012
09h04
atualizado às 09h23
Dassler Marques
Direto de Varsóvia (Polônia)

A história do futebol jamais duvidaria de que Itália e Alemanha poderiam fazer uma aguardada semifinal da Eurocopa 2012, nesta quinta-feira, às 15h45 (de Brasília) no Estádio Nacional de Varsóvia. Mas a construção da campanha, a qualidade técnica das equipes e a busca pelo jogo ofensivo, características comuns aos atuais times de italianos e alemães, são grandes novidades em um confronto que colocará em campo sete títulos mundiais e mais quatro europeus.

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Em comum às duas equipes estão grandes decepções recentes com times envelhecidos e a urgência de renovação. O fiasco alemão que virou marco-zero se deu em duas Eurocopas consecutivas (2000 e 04), quando caiu na primeira fase. Em que pese o vice-campeonato mundial no meio do caminho, havia a certeza de que mais jovens precisavam ser formados, de que era preciso adotar novos conceitos para voltar realmente a ser temida. A Copa 2006 marcou o início de um novo ciclo que, espera-se, termine com um aguardado título europeu.

A reviravolta italiana é mais recente e foi liderada pelo treinador Cesare Prandelli após a queda do país na primeira fase do último Mundial, em 2010. As mudanças no time titular foram menos sensíveis em relação aos nomes, mas pontuais figuras jovens e principalmente o talentoso ataque Cassano-Balotelli oxigenaram a Itália, que como em três de seus quatro títulos mundiais tem como base a Juventus. Mas o que Prandelli mudou, de verdade, foi o jeito de jogar de um time que jamais pode se chamar de defensivo.

"Você não pode mais dizer que a Itália só tem jogadores que defendem e contra-atacam. Eles querem jogar, têm qualidade, melhoraram em qualidade. Perderam força na defesa, claro, mas é uma opção dos treinadores", elogiou Joachim Löw, treinador alemão assumidamente adepto do futebol técnico. "É uma equipe muito boa vindo de trás, Cassano e Balotelli realmente têm muita classe e especialmente Pirlo não é só um bom jogador. Entende taticamente, tem grandes ideias, é o melhor italianO", emendou.

É verdade que são só quatro gols em quatro jogos da Eurocopa, mas o problema da Itália definitivamente não tem sido abrir espaços e criar. Com média de 15,2 finalizações por jogo, é o time que mais acerta o gol rival na competição. A posse de bola, um detalhe do jogo quase sempre relativizado pelos italianos, virou obsessão com Prandelli, inspirado na Espanha. Os italianos são a segunda equipe com mais passes trocados e acertam 74% deles. "Só precisamos converter as chances, estamos jogando bem", opinou Pirlo.

Prandelli pode também se dizer um inovador no que diz respeito à parte tática. Atenção ao dado: a Itália é a única seleção da Eurocopa que se recusa a jogar com dois pontas abertos, sempre uma arma para ajustar a marcação nos laterais adversários. "Trabalhamos desde o começo para exaltar a qualidade de nossos jogadores. Nosso meio (Pirlo, De Rossi, Marchisio e Montolivo) tem qualidade, fantasia, técnica e a força importante na Europa. Nos mexemos em campo para sempre deixar um jogador livre na frente", explicou.

Única 100% e melhor ataque da Euro, a Alemanha chega à quarta semifinal consecutiva de grandes torneios em um processo muito mais longo e consolidado que os italianos, nunca vencidos pelo rival desta quinta fora de amistosos e torneios menores. A Federação Alemã liderou um processo de formação nos clubes de todo o país e Löw montou, na Copa 2010, o time mais jovem em Mundiais desde os anos 1930 - e conseguiu diminuir a média para 2012. Sua dupla de zaga tem duas faltas cometidas no torneio. É a favorita.

"Trabalhamos duro nas academias por 10 anos e agora aprendemos a ser mais técnicos", define Löw. "Somos envolvidos com a filosofia do nosso time, é como queremos jogar e todos estamos de acordo com isso. Agora temos uma cultura de jogar tecnicamente e temos jogadores fantásticos que podem jogar nesse alto nível", acrescentou. O volante Schweinsteiger, símbolo da equipe, define: "temos bons jogadores e trabalhamos juntos, como um time. Todos trabalham muito bem juntos, somos felizes e estamos perto do título".

As formações titulares

A Itália tem dúvidas por razões físicas e o desfalque de Maggio, reserva e suspenso, além da possível volta do zagueiro Chiellini. Deve jogar com Buffon; Abate (Chiellini), Barzagli, Bonucci e Balzaretti; Pirlo; Marchisio e De Rossi; Montolivo; Balotelli e Cassano.

A Alemanha levará dúvidas para o ataque até o momento final. O provável time tem Neuer; Boateng, Hummels, Badstuber e Lahm; Khedira e Schweinsteiger; Müller (Reus), Özil e Podolski (Schürrle); Klose (Mario Gómez).

Técnico italiano Cesare Prandelli transformou o estilo de jogo da seleção
Técnico italiano Cesare Prandelli transformou o estilo de jogo da seleção
Foto: EFE
Fonte: Terra
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