3 eventos ao vivo

Irritado, Adebayor despreza à Copa Africana de Nações

13 jan 2010
18h33
atualizado às 19h48

O atacante Emmanuel Adebayor, capitão da seleção do Togo, reclamou do tratamento das autoridades do futebol continental à sua equipe e confessou que, por conta disso, não quer saber de acompanhar a Copa Africana de Nações.

"Não penso muito na competição, e sim nos meus amigos Stan Ocloo e Abalo Amelete, mortos no ataque de Cabinda", disse o jogador do Manchester City ao citar o assessor de imprensa e o auxiliar-técnico da seleção, mortos em um ataque na última sexta-feira.

O ônibus que transportava os jogadores da seleção do Togo e era escoltado pela Polícia angolana foi metralhado por membros da guerrilha separatista Frente de Libertação do Enclave de Cabinda (Flec), pouco após entrar em território de Angola.

"Fomos alvo de um ataque dos rebeldes durante cerca de 30 minutos, foi uma loucura", lembrou Adebayor, que repudiou a atitude adotada posteriormente pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

"Muitos homens morreram, mas temos a sensação de que isso não significou nada para eles", comentou, acrescentando que os membros da delegação togolesa não receberam apoio dos dirigentes.

"A CAF e o Governo angolano tentaram tapar o assunto ao deixar entender que tudo ia bem, o que para mim é uma traição", disse Adebayor, continuando em seguida.

"O que queriam era superar seu desafio de organizar a Copa da África em Cabinda, sem se preocupar com nossas vidas", ressaltou o jogador.

Adebayor contou que o goleiro reserva Kodjovi Kadja Obilale, um dos oito feridos no ataque e que está hospitalizado na África do Sul, se encontra melhor, segundo as informações que recebeu.

"Estamos rezando para que ele (Obilale) volte o mais rápido possível", disse.

O togolês ainda não voltou à Inglaterra para se juntar aos companheiros do Manchester City. Adebayor quer se recuperar mentalmente e pensar nas homenagens para as vítimas do ataque.

Em consequência dos fatos, o Governo do Togo ordenou a retirada da seleção da competição africana e assegurou que as autoridades de Angola não ofereciam as devidas garantias de segurança à delegação togolesa, que voltou a Lomé.

Togo declarou três dias de luto oficial, de segunda-feira até esta quarta, pela morte de Ocloo e Abalo no atentado.

Apesar de o Governo de Luanda ter assinado um acordo de paz com a maioria das facções da Flec em julho de 2006, alguns grupos dissidentes mantiveram a luta pela independência.

Apenas em 2009, que o Governo de Luanda, controlado desde a independência pelo Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA), declarou como finalizada a guerra em Cabinda, uma das quatro sedes da Copa Africana.

Antes do início da Copa da África, que vai até o dia 31 de janeiro, alguns grupos rebeldes ameaçaram cometer atentados durante a competição.

Adebayor critica organização da Copa Africana
Adebayor critica organização da Copa Africana
Foto: EFE
EFE   
publicidade