Brasil "pipoca" para argentinos na Libertadores? Craques respondem

21 de julho de 2009 • 17h48 • atualizado às 17h48
O Cruzeiro de Kléber perdeu a final da Copa Libertadores para os argentinos do Estudiantes Foto: Henrique Alvim/Lightpress/Especial para Terra
O Cruzeiro de Kléber perdeu a final da Copa Libertadores para os argentinos do Estudiantes
16 de julho de 2009
Foto: Henrique Alvim/Lightpress/Especial para Terra

Allan Farina




Quando o Cruzeiro perdeu a final da Copa Libertadores para o Estudiantes, entrou para a triste galeria de equipes do país que caíram em decisões do torneio para equipes argentinas. Times do Brasil costumam ter azar ao enfrentar os vizinhos, enquanto, ao mesmo tempo, a Seleção faz da Argentina um freguês. Por que, então, brasileiros tem tanta dificuldade com argentinos na Libertadores?

"Tem que jogar duro, mas tem que ter a qualidade técnica. Às vezes os brasileiros esquecem a técnica, daí fica fácil para os argentinos vencerem na catimba e na conversa", explica o ex-atacante Palhinha, bicampeão sul-americano com o São Paulo - a primeira vez, em 1992, sobre os hermanos do Newell´s Old Boys.

"A gente tinha um time muito bom e que brigava muito. Esse era o diferencial do São Paulo", diz o ex-jogador. "No jogo do Cruzeiro, o Verón deu duas chegadas no Ramires e ele sumiu no jogo. O Wagner tomou duas chegadinhas, o juiz não deu falta e ele parou de jogar. Quando brasileiro vence é porque jogou duro."

O título de 1992 foi a última vez que uma equipe brasileira venceu uma argentina na final. Na história da Libertadores, os rivais se enfrentaram em mata-mata 35 vezes, e a vantagem hermana é vasta. Os vizinhos venceram 21 desses confrontos, enquanto times do Brasil triunfaram em 14 oportunidades. Em finais, a vergonha nacional é ainda maior. Equipes da Argentina foram campeãs nove vezes sobre os rivais, enquanto o inverso só ocorreu três vezes.

Técnica e força

Herói da conquista são-paulina de 1992, por defender pênalti que garantiu o troféu, o ex-goleiro Zetti também vê na combinação de técnica e força o diferencial dos argentinos. "Eles são muito bons em contragolpes. São muito guerreiros e tem a técnica, mas nossa técnica é superior a deles. O Cruzeiro esteve muito mais próximo de fazer o gol, enquanto o Estudiantes esperou. Ficou lá trás jogando, usando a catimba que nós não aceitamos. A gente gosta de jogar futebol, de dar um drible, fazer uma jogada de feito. Eles esperam um erro nosso para aproveitar", comenta.

Campeão da Libertadores com o Vasco da Gama em 1998, o ex-zagueiro Mauro Galvão aponta a eficiência e a paciência como virtudes que destacam os argentinos. Hoje diretor executivo do Grêmio, o ex-jogador passou pelo River Plate em uma emocionante semifinal na campanha vitoriosa com o time carioca. "O Grêmio foi superior contra o Cruzeiro na semifinal deste ano, mas não conseguiu resolver. E o mesmo aconteceu com o Cruzeiro na final. O Estudiantes foi eficiente. Marcou bem e foi superior nos dois jogos", explica o dirigente.

"Foi o que fizemos contra o River Plate, em 1998. Não fizemos um jogo brilhante, mas conseguimos resolver. Às vezes você tem que jogar pensando na classificação."

Freguesia argentina

E de onde vem a dificuldade argentina em enfrentar a Seleção Brasileira? A questão estaria na diferença de nível técnico entre clubes, que se equipara, mas que não é vista nas partidas entre seleções. "Na Libertadores, os times argentinos unem bem a técnica e a determinação em campo. Na seleção, porém, quando enfrentam o Brasil, perdeu na questão da técnica. No momento, o Brasil é superior", comenta Mauro Galvão.

A opinião do ex-zagueiro é compartilhada por Palhinha. Eliminado nas quartas-de-final da Copa América de 1993 pela Argentina, o ex-atacante vê um baixo nível na safra de jogadores dos vizinhos. "Dez anos atrás a Argentina tinha mais qualidade. Hoje tem muita força e velocidade, mas jogam mal. Tem muito jogador que está ganhando uma fortuna e dez anos atrás não teria condições de jogar na seleção", explica o ex-jogador.

Titular na eliminação de 1993, Zetti concorda com as análises de Palhinha e Mauro Galvão e considera diferenças nas seleções argentinas daquela época para a que hoje enfrenta o Brasil. "Naquele momento, no final dos anos 80 e começo de 90, os argentinos tinham uma seleção mais técnica, mais apurada. Tinham grandes jogadores. A Argentina hoje tem pouco potencial. Tem o Messi e dois ou três jogadores só", aponta Zetti.

Redação Terra
 
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