Libertadores

publicidade
08 de julho de 2009 • 13h30 • atualizado às 13h37

Campeões da Libertadores, Palhinhas apostam no Cruzeiro

Figura marcante dos anos 90 no futebol brasileiro, Palhinha foi campeão da Libertadores de 97
Foto: Gazeta Press

Dassler Marques


Nas duas vezes em que foi campeão da Copa Libertadores, o Cruzeiro tinha um Palhinha em campo. Em 1976, o meio de campo com faro de gol aguçado compunha a forte equipe comandada por Zezé Moreira, enquanto em 97 o meia-atacante inteligente e experiente, com passagem marcante pelo São Paulo, era uma das referências do time que superou desconfianças. Ídolos celestes, ambos apostam no tricampeonato cruzeirense.

"O Cruzeiro está com o título na mão, é mais equipe que o Estudiantes. Agora, tem que ter muita tranquilidade nesse jogo, atitude, pegar, lutar, porque o rendimento fora de casa não é tão convincente", avalia o Palhinha mais experiente, hoje empresário, e que completará 59 anos de vida no próximo domingo. "Aposto que o Cruzeiro ganha os dois jogos", prevê o xará mais jovem, 41 anos, e que atualmente tem atuado como comentarista esportivo.

"Até nós, só o Santos havia ganhado a Libertadores no Brasil"

Nome fundamental da equipe que venceu 11 dos 13 jogos que fez na Libertadores de 77, Palhinha lembra com saudade do time recheado de jogadores talentosos. "Nós mesclamos muito a juventude de uns com a experiência de outros. Então tínhamos o Piazza, o Zé Carlos, o Raul e o Jairzinho, como mais experientes, e outros mais novos como eu, Joãozinho e Eduardo. E o Zezé (Moreira, treinador) transmitia muita tranquilidade, era muito calmo", lembra.

Palhinha, que depois seria contratado por Vicente Matheus para defender o Corinthians por uma quantia milionária, lembra que até aquele momento, o único clube brasileiro campeão da Libertadores era o Santos de Pelé, que ergueu a taça no biênio 1962/63. "Foi muito importante também por isso. Era um time de alta qualidade técnica e a conquista marcou muito para todos. Fiz dez jogos, porque tive uma lesão durante o torneio, e mesmo assim marquei 13 gols", observa.

Para ele, não há momento mais marcante que os confrontos contra o Internacional, válidos pela fase de grupos da competição. Em 75, os gaúchos tinham sido campeões brasileiros justamente sobre o Cruzeiro, no célebre gol iluminado de Figueroa, no Beira-Rio. "Eles também tinham uma grande equipe. Perdemos o Nacional, infelizmente, mas em seguida veio a Libertadores em que os eliminamos naquele jogo inesquecível", recorda. No Mineirão, a vitória foi celeste, em um memorável 5 a 4 que entrou para a história como uma das maiores partidas da história do futebol brasileiro.

Time base do Cruzeiro de 1976

Raul; Nelinho, Morais, Darcy Menezes e Vanderley; Ronaldo Drummond, Piazza e Zé Carlos; Eduardo, Palhinha e Joãozinho
Téc: Zezé Moreira

"Aquele time era muito bom, tá louco. Dá saudade só de lembrar"

Três derrotas nos três primeiros jogos da Libertadores de 97. Treinador demitido e o elenco rachado. A história do título cruzeirense há 12 anos tem roteiro cinematográfico. Se fosse para as telas, o experiente e habilidoso Palhinha provavelmente seria um dos protagonistas. Deixou o São Paulo em 96, bastante criticado, apesar de ser bicampeão da mesma Libertadores e do Mundial Interclubes

"Começamos mal o campeonato e acabamos passando da forma que foi. A chegada do (Paulo) Autuori foi importante e mudou bastante coisa. O importante foi deixar a vaidade de lado. A porca torceu o rabo e colocamos na cabeça que tinha que fechar o grupo", explica. Ao contrário do que costuma se dizer, ele não foi incluído na troca que levou cinco jogadores do São Paulo ao Cruzeiro e envolveu Belletti e Serginho. "Foram Donizete, Aílton, Gilmar, Ronaldo Luís e Vítor", recorda. Só o último era titular da equipe campeã.

"Quando saí do São Paulo, falaram que eu só jogava lá. E o Cruzeiro tinha jogadores de muita qualidade. Aquele time era muito bom, tá louco. Dá saudade só de lembrar". Ele cita Dida, Luiz Fernando, Cleisson, Marcelo Ramos e Nonato. "Era uma equipe organizada, sabia o que queria. Ficou determinada com o Autuori", destaca.

Time base do Cruzeiro de 1997

Dida; Vítor, Gélson, Gottardo e Nonato; Fabinho e Ricardinho; Cleisson e Palhinha; Marcelo Ramos e Elivélton
Téc: Paulo Autuori

Terra