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Ex-anônimo, Ramires se despede como grande ídolo no Cruzeiro

15 jul 2009 - 16h51
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Dassler Marques


Quando estreou pelo Cruzeiro, no dia 12 de maio de 2007, Ramires era quase um desconhecido. Dois anos, dois meses e três dias depois, tudo é diferente para ele: negociado com o Benfica e titular da Seleção Brasileira, o camisa 8 cruzeirense se despede do Mineirão nesta quarta-feira, contra o Estudiantes, às 21h50 (de Brasília). Ganhar a Copa Libertadores pode coroar uma trajetória que já é vitoriosa.

Bicampeão mineiro com o Cruzeiro, Ramires acrescentaria um título de ainda mais prestígio a seu currículo na Toca da Raposa. Até o duelo desta noite, contra o Estudiantes, foram 110 jogos e 26 gols do jogador que ficou marcado pela timidez fora de campo - e pela movimentação incansável dentro dele.

No período, o jogador que marca como volante, corre como lateral e finaliza como centroavante também virou selecionável: bronze nos Jogos Olímpicos de Pequim, ele demorou a chegar à seleção principal, mas já na primeira convocação virou titular de Dunga. Foi a grande sensação da Copa das Confederações e desbancou Elano, que tem a admiração do treinador. A Copa Libertadores pode corroborar essa grande fase.

"Estou mais ansioso pelo jogo. Claro que o coração fica um pouco apertado pelo fato de ser o último jogo. Mas é concentrar e fazer um bom jogo junto com os companheiros e buscar o título da Libertadores", destacou Ramires, de quem sempre é difícil arrancar muita palavras, ao site oficial do Cruzeiro.

Ramires quase foi do Inter e do São Paulo

Se hoje o palco predileto de Ramires é o Mineirão, ele bem que podia estar no Morumbi e no Beira-Rio. Em 2007, o camisa 8 se destacava no Joinville e esteve próximo de São Paulo e Internacional, mas a influência do procurador Wilson Gottardo, responsável por levantar a taça da Libertadores de 97, o levou para o Cruzeiro. E aí o resto é história.

Ramires nasceu na modesta Barra do Piraí, município no Rio de Janeiro, e começou a jogar como zagueiro no ainda mais modesto Royal Esporte Clube. Naquela época, já tinha as mesmas canelas finas e o porte físico franzino, então virou meio-campista. Em 2006, determinou que um torneio de juvenis, disputado no Rio, era a última chance no futebol: e brilhou.

No ano seguinte, disputou a Copa São Paulo em janeiro com o Joinville e já passou para os profissionais. Destaque do Campeonato Catarinense, jogando como lateral direito, era titular do Cruzeiro no segundo semestre. Foi uma das grandes revelações do Brasileiro, atuando ao lado de Charles, e fechou a temporada com a vaga na Copa Libertadores e uma convocação para a seleção olímpica - pouco tempo depois de pensar em desistir do futebol.

Ídolo no Cruzeiro

Nos últimos tempos, Ramires, que é casado há cerca de dois anos, apenas confirmou a ótima temporada de estreia. Virou o maior ídolo desde Fred, a ponto de ter seu nome gritado pela torcida até em expulsão de jogo decisivo - contra o Boca Juniors, na última Libertadores. "Ramires, guerreiro", costuma bradar a nação celeste. Pantera e pernalonga são seus outros apelidos.

A identificação que vem, neste caso, é a mesma que volta. Abnegado em campo, Ramires recusou propostas para se transferir à Europa no último ano. Quis ficar e brigar pelo título brasileiro, que novamente acabou nas mãos do São Paulo. Agora não tem nova chance: ele vai mesmo embora.

Em uma polêmica negociação, o jogador foi vendido para Kia Joorabchan, ex-gestor da MSI. O Cruzeiro ficou com 6 dos 7,5 milhões de euros (cerca de R$ 19 milhões), repassando parte ao Joinville, que tinha 30% dos direitos econômicos. Ramires será cedido ao Benfica, que já aguarda por ele com ansiedade. Quando acabar a Libertadores, ele vai correndo para Portugal, exatamente como costuma fazer dentro de campo.

Ramires admite "coração apertado" por saída:
Fonte: Terra
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