PUBLICIDADE

Santos jogou 3 horas e meia em jogo decisivo de 62

1 fev 2009 - 11h01
(atualizado em 7/2/2009 às 00h12)
Publicidade

Dassler Marques



Os confrontos Brasil e Uruguai, por si só, já têm uma característica particular. Mas o que a Vila Belmiro presenciou na noite de 2 de agosto de 1962, em que Santos e Peñarol disputaram o jogo de volta da final da Copa Libertadores, foi ainda mais impressionante. A partida, que se arrastou por três horas e 34 minutos, entrou para a história como a que os santistas acharam ter levado o título. Que só veio mesmo em uma terceira decisão realizada na Argentina, 28 dias depois.

A partida, que oficialmente terminou 3 a 2 para o Peñarol, teve um terceiro gol marcado por Pagão para os santistas no finzinho, que foram para o vestiário se achando campeões após o suposto empate na batalha dentro de campo. Logo foram avisados, porém, de que cerca de meia hora de bola rolando não havia valido absolutamente nada. "A arbitragem e o pessoal da confederação não considerou nosso último gol. Eles conduziram mais o jogo, alegando que não havia segurança para terminá-lo", conta o zagueiro Lima, titular do Santos naquela noite.

As diversas paralisações ao longo do jogo têm explicação. Dois ônibus abarrotados de fanáticos uruguaios fizeram o trajeto Montevidéu-Santos e dominaram um pequeno espaço da arquibancada na Vila Belmiro. Assim como os atletas, os torcedores estavam dispostos a tudo. Ao atirarem objetos em um dos bandeirinhas chilenos, iniciaram uma série de eventos que tumultuaram a partida.

"Tinha tudo para ser um jogo normal, embora eles tivessem perdido em casa. Mas o interessante de tudo é que a confusão foi armada pela torcida do Peñarol, mas quando agrediram o bandeirinha, o árbitro achou que era a torcida do Santos", completa Lima, se referindo ao chileno Carlos Robles.

Trocas de socos em campo entre os jogadores se tornaram comuns na partida, que teve até um gol uruguaio graças a uma suposta trapaça. "Posso falar com segurança que o gol do Sasía foi feito porque ele atirou terra nos olhos do Gilmar e concluiu logo depois", conta Lima. Segundo ele, os santistas reclamaram à arbitragem, mas não foram atendidos. "Normalmente os uruguaios fazem isso por achar que tumultuando a coisa fica mais fácil para eles. Como não tinham condições de ganhar, arrumam algum atrito", critica um exaltado Lima.

A indignação santista se deu principalmente pela frustração de precisar realizar um jogo novo para definir o campeão. "Quando nós vínhamos saindo de campo, com o título conquistado, o lateral deles me falou que havíamos perdido, que haviam deixado o jogo transcorrer, pois a torcida ia derrubar o alambrado. Eu não acreditei na hora e nós festejamos, as rádios entraram no vestiário e demos entrevistas como campeões", recorda, com detalhes, Pepe, referência da equipe que não teve Pelé em campo, lesionado. Com facilidade para entender o idioma falado pela arbitragem, apenas os uruguaios entenderam que, embora a bola estivesse rolando, não estava valendo nada.

Pepe, porém, ressalta o potencial dos adversários que, embora valentes, também tinham muita qualidade. "Eles tinham uma equipe muito boa, quase tão boa quanto a nossa. Era a base da seleção uruguaia", recorda. Com a necessidade de um terceiro jogo, a decisão foi marcada para o Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. "O Uruguai tinha mais torcida na Argentina, mas o Santos era querido em todo o mundo e inclusive por eles. E lá demos um chocolate, um passeio danado. Desmontamos eles jogando um futebol prático", lembra. Com Pelé em campo fazendo dois gols, os santistas venceram por 3 a 0 e, enfim, levaram o título.

Fonte: Terra
Publicidade