
Atualizada às 08h10 A derrota nos pênaltis para a LDU-EQU na final da Copa Libertadores da América e a chance desperdiçada de garantir o seu lugar entre os maiores clubes do continente devem trazer os torcedores do Fluminense de volta à rotina de acumular conquistas dentro dos gramados cariocas, mas de decepcionar em disputas diretas nacionais.
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Considerando 49 anos de disputas oficiais de competições nacionais (desde a Taça Brasil de 1959, ganha pelo Bahia), o Flu chegou ao topo em três vezes, justamente em três disputas diferentes. A primeira delas veio em 1970, com o extinto Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Até então, sob a batuta de Telê Santana - então ponta-direita - e principalmente do goleiro Castilho, o clube conseguira dois Torneios Rio-São Paulo, em 1957 e 1960.
No ano em que a Seleção Brasileira alcançara o tri-mundial no México com os jogadores tricolores Félix e Marco Antônio, o clube das Laranjeiras chegou à decisão do Roberto Gomes Pedrosa (precursor do Campeonato Brasileiro, que viria no ano seguinte) em um quadrangular com o Palmeiras e a dupla mineira Cruzeiro e Atlético-MG. Venceu os dois primeiros, no Maracanã e Mineirão, respectivamente, e um empate com a equipe alvinegra em 1 a 1, novamente no estádio carioca, e garantiu a primeira conquista nacional da história do Flu, que consagrou o avante Mickey à galeria de ídolo da torcida.
A euforia de ser o melhor time do País só voltou a ser sentida pelos torcedores 14 anos depois, em 1984. Sob o comando de Carlos Alberto Parreira, que nunca escondeu a sua predileção pelo time tricolor, o Fluminense garantiria a única taça do Brasileiro em sua galeria. E com uma campanha impecável, com 15 vitórias e apenas duas derrotas em 26 jogos disputados, eternizando nomes como o do goleiro Paulo Vítor, o meia paraguaio Romerito, o casal 20, Washington e Assis, e o zagueiro Ricardo Gomes.
A conquista nacional não foi vista como surpresa, como em 1970. O Flu era, efetivamente, um dos melhores clubes do País e esbanjava uma supremacia dentro do Campeonato carioca invejável: foi tricampeão entre 1983 e 1985. Na fase de mata-mata, a equipe não teve dificuldades para superar Coritiba (goleada por 5 a 0 no confronto no Maracanã) e Corinthians (vitória por 2 a 0 em pleno Morumbi) e chegar à decisão contra o Vasco. Romerito marcou e garantiu o 1 a 0 do primeiro jogo. Vantagem essa que 128.781 pessoas viram ser fundamental com o empate sem gols do segundo duelo, resultado que definiu a conquista do troféu.
Com um período de crise onde disputou - e venceu - a Série C do Brasileiro, em 1999, o Flu engatou campanhas boas e regulares na principal competição nacional, mas voltou a escrever seu nome na história dos maiores do País em 2007. Com Renato Gaúcho no banco de reservas e apenas uma derrota em 12 partidas, a equipe assegurou o título da Copa do Brasil, o primeiro após dois vices: em 1992, quando perdeu nas Laranjeiras para o Internacional e, de forma mais marcante, em 2005, quando não segurou a zebra Paulista de Jundiaí, em pleno Rio de Janeiro.
Em uma campanha de altos e baixos, afinal o time tricolor penou para eliminar América-RN e Bahia, o título foi assegurado na casa do adversário, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Figueirense no Orlando Scarpelli, garantida na primeira chance do jogo, aos 2min, quando Roger aproveitou cruzamento de Adriano Magrão, dominou de peito e finalizou às redes, quebrando mais um jejum de 23 anos sem uma conquista nacional de relevância.
Foi a primeira conquista de Renato Gaúcho como técnico. Justo ele, que 12 anos antes escrevera seu nome na história ao marcar de barriga o histórico gol da vitória por 3 a 2 sobre o Flamengo na decisão do título carioca. O Flu conquistou o Estadual novamente em 2002 e 2005, mas até hoje aquela campanha marca os fãs tricolores pela forma que foi assegurada: o empate era benéfico ao rival rubro-negro, três jogadores foram expulsos (Lira, Lima e Sorlei) e criticava-se Gaúcho por estar em fim de carreira.
Dentro do estado do Rio de Janeiro, ninguém é tão vencedor quanto o Fluminense e seus 30 títulos estaduais. O número foi alcançado pelo Flamengo neste ano, mas é nas Laranjeiras que se venceram tantas disputas consecutivas. São um tetracampeonato, em de 1906 a 1909 (em 1907 dividido com o Botafogo), três tris, em 1917 a 1919, em 1936 a 1938 e 1983 a 1985, além de dois bis, em 1940/41 e 1975/76.
Os títulos dos anos 1970, aliados às conquistas de 1971 e 1973, ficaram conhecidos como a "Máquina Tricolor". Com o advogado Francisco Horta na presidência, o Flu adotou a política das trocas e conseguiu montar um dos maiores times de sua história, liderado por Rivellino dentro de campo e nomes como Toninho Baiano, Carlos Alberto Pintinho, Marco Antônio, Paulo César Caju, Gil e Mário Sergio, além da revelação Edinho.
Ainda atuaram naquele time ídolos como o lateral Carlos Alberto Torres, o ponta Dirceu, o zagueiro Miguel, o goleiro Renato, o lateral Rodrigues Neto e o atacante argentino Doval, autor do gol da vitória sobre o Vasco na prorrogação, na decisão de 1976. Todos com passagem, seja marcante ou meteórica, na Seleção Brasileira.
Redação Terra
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AP
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