Libertadores 2008

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Quinta, 3 de julho de 2008, 01h09 Atualizada às 08h10

Vice, Flu vê fim de sonho e amarga jejum internacional

A derrota nos pênaltis para a LDU-EQU na final da Copa Libertadores da América e a chance desperdiçada de garantir o seu lugar entre os maiores clubes do continente devem trazer os torcedores do Fluminense de volta à rotina de acumular conquistas dentro dos gramados cariocas, mas de decepcionar em disputas diretas nacionais.

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Considerando 49 anos de disputas oficiais de competições nacionais (desde a Taça Brasil de 1959, ganha pelo Bahia), o Flu chegou ao topo em três vezes, justamente em três disputas diferentes. A primeira delas veio em 1970, com o extinto Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Até então, sob a batuta de Telê Santana - então ponta-direita - e principalmente do goleiro Castilho, o clube conseguira dois Torneios Rio-São Paulo, em 1957 e 1960.

No ano em que a Seleção Brasileira alcançara o tri-mundial no México com os jogadores tricolores Félix e Marco Antônio, o clube das Laranjeiras chegou à decisão do Roberto Gomes Pedrosa (precursor do Campeonato Brasileiro, que viria no ano seguinte) em um quadrangular com o Palmeiras e a dupla mineira Cruzeiro e Atlético-MG. Venceu os dois primeiros, no Maracanã e Mineirão, respectivamente, e um empate com a equipe alvinegra em 1 a 1, novamente no estádio carioca, e garantiu a primeira conquista nacional da história do Flu, que consagrou o avante Mickey à galeria de ídolo da torcida.

A euforia de ser o melhor time do País só voltou a ser sentida pelos torcedores 14 anos depois, em 1984. Sob o comando de Carlos Alberto Parreira, que nunca escondeu a sua predileção pelo time tricolor, o Fluminense garantiria a única taça do Brasileiro em sua galeria. E com uma campanha impecável, com 15 vitórias e apenas duas derrotas em 26 jogos disputados, eternizando nomes como o do goleiro Paulo Vítor, o meia paraguaio Romerito, o casal 20, Washington e Assis, e o zagueiro Ricardo Gomes.

A conquista nacional não foi vista como surpresa, como em 1970. O Flu era, efetivamente, um dos melhores clubes do País e esbanjava uma supremacia dentro do Campeonato carioca invejável: foi tricampeão entre 1983 e 1985. Na fase de mata-mata, a equipe não teve dificuldades para superar Coritiba (goleada por 5 a 0 no confronto no Maracanã) e Corinthians (vitória por 2 a 0 em pleno Morumbi) e chegar à decisão contra o Vasco. Romerito marcou e garantiu o 1 a 0 do primeiro jogo. Vantagem essa que 128.781 pessoas viram ser fundamental com o empate sem gols do segundo duelo, resultado que definiu a conquista do troféu.

Com um período de crise onde disputou - e venceu - a Série C do Brasileiro, em 1999, o Flu engatou campanhas boas e regulares na principal competição nacional, mas voltou a escrever seu nome na história dos maiores do País em 2007. Com Renato Gaúcho no banco de reservas e apenas uma derrota em 12 partidas, a equipe assegurou o título da Copa do Brasil, o primeiro após dois vices: em 1992, quando perdeu nas Laranjeiras para o Internacional e, de forma mais marcante, em 2005, quando não segurou a zebra Paulista de Jundiaí, em pleno Rio de Janeiro.

Em uma campanha de altos e baixos, afinal o time tricolor penou para eliminar América-RN e Bahia, o título foi assegurado na casa do adversário, com uma vitória por 1 a 0 sobre o Figueirense no Orlando Scarpelli, garantida na primeira chance do jogo, aos 2min, quando Roger aproveitou cruzamento de Adriano Magrão, dominou de peito e finalizou às redes, quebrando mais um jejum de 23 anos sem uma conquista nacional de relevância.

Foi a primeira conquista de Renato Gaúcho como técnico. Justo ele, que 12 anos antes escrevera seu nome na história ao marcar de barriga o histórico gol da vitória por 3 a 2 sobre o Flamengo na decisão do título carioca. O Flu conquistou o Estadual novamente em 2002 e 2005, mas até hoje aquela campanha marca os fãs tricolores pela forma que foi assegurada: o empate era benéfico ao rival rubro-negro, três jogadores foram expulsos (Lira, Lima e Sorlei) e criticava-se Gaúcho por estar em fim de carreira.

Dentro do estado do Rio de Janeiro, ninguém é tão vencedor quanto o Fluminense e seus 30 títulos estaduais. O número foi alcançado pelo Flamengo neste ano, mas é nas Laranjeiras que se venceram tantas disputas consecutivas. São um tetracampeonato, em de 1906 a 1909 (em 1907 dividido com o Botafogo), três tris, em 1917 a 1919, em 1936 a 1938 e 1983 a 1985, além de dois bis, em 1940/41 e 1975/76.

Os títulos dos anos 1970, aliados às conquistas de 1971 e 1973, ficaram conhecidos como a "Máquina Tricolor". Com o advogado Francisco Horta na presidência, o Flu adotou a política das trocas e conseguiu montar um dos maiores times de sua história, liderado por Rivellino dentro de campo e nomes como Toninho Baiano, Carlos Alberto Pintinho, Marco Antônio, Paulo César Caju, Gil e Mário Sergio, além da revelação Edinho.

Ainda atuaram naquele time ídolos como o lateral Carlos Alberto Torres, o ponta Dirceu, o zagueiro Miguel, o goleiro Renato, o lateral Rodrigues Neto e o atacante argentino Doval, autor do gol da vitória sobre o Vasco na prorrogação, na decisão de 1976. Todos com passagem, seja marcante ou meteórica, na Seleção Brasileira.

Redação Terra

AP
Manso, da LDU, tenta passar pela marcação de Arouca na final disputada no Maracanã
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