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Maracanã será blindado para receber decisão da Copa das Confederações

29 jun 2013
19h43
atualizado às 19h45

Com um contingente de 10,6 mil policiais e 7,4 homens das Forças Armadas, o Maracanã será praticamente blindado para a disputa da final da Copa das Confederações neste domingo, quando novos protestos deverão ser registrados nos arredores do estádio.

O considerável reforço no desdobramento policial fica ainda mais evidente se comparado aos 5.646 agentes que normalmente patrulham as ruas das cidades do Rio de Janeiro e de Niterói, de acordo com os números publicados pela revista "Veja".

Além do contingente previsto para as áreas externas, outros 1,3 mil seguranças privados deverão reforçar a segurança dentro do estádio, já que o Comitê Organizador Local (COL) da Copa se comprometeu a seguir esse número.

Quem não deverá estar presente na grande final da Copa das Confederações é a presidente Dilma Rousseff, que, segundo a agenda divulgada hoje pelo governo, não terá "compromissos oficiais" neste domingo.

Durante seu discurso na partida de abertura do torneio, no último dia 15 de junho, em Brasília, Dilma, que na ocasião era acompanhada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, recebeu uma sonora vaia dos torcedores presentes.

Esse claro sinal de reprovação veio à tona em paralelo ao início da onda de protestos que acabou se estendendo por todo o país a partir da rejeição a um aumento de R$ 0,20 no preço da tarifa do transporte público em São Paulo.

Apesar dos protestos não estarem dirigidos expressamente contra a presidente, que, inclusive, chegou a estender a mão aos manifestantes, a explosão de um descontentamento até então oculto causou um grande impacto nas avaliações de seu governo.

O índice de aprovação de Rousseff passou de 57%, número registrado dois dias antes do início das manifestações, para 30%, o nível mais baixo de sua gestão, de acordo com uma pesquisa publicada hoje pelo Instituto Datafolha.

Em março, o governo Dilma tinha 65% de popularidade, um número que foi caindo à medida que a inflação subia e a taxa de juros aumentava.

Os protestos, que se repetem diariamente por todo país com uma longa lista de reivindicações, exigem, entre outros fatores, um maior investimento em educação e saúde, além de uma reforma política.

Além das reivindicações sociais, os protestos que levaram milhões de brasileiros às ruas também envolvem o elevado custo da organização da Copa do Mundo de 2014. Por causa deste fato, muitas manifestações - a maioria com episódios de extrema violência - foram realizadas nos arredores dos estádios usados na Copa das Confederações.

Embora a polícia tenha conseguido evitar que os manifestantes se aproximem dos estádios, muitas vezes com uso de gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral, inúmeras batalhas campais foram registradas em consequência dessas ações, assim como ocorreu em Fortaleza e, especialmente, em Belo Horizonte, onde as semifinais foram disputadas.

Diante deste contexto, novas manifestações estão previstas para serem realizadas amanhã no Maracanã, que, por sua vez, estará completamente lotado, tendo em vista que os 79 mil ingressos colocados à venda estão esgotados.

Representantes do chamado Comitê Popular da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, um dos organizadores do protesto de amanhã, se reuniram hoje com a Polícia Militar para comunicar o trajeto que a manifestação deverá seguir.

No encontro citado, as partes envolvidas ressaltaram o dever do estado "de garantir o direito constitucional da população de ir à rua protestar", indicou o grupo em sua página de Facebook, usada para convocar os manifestantes.

Gustavo Mehl, um dos integrantes do Comitê, afirmou à Agência Efe que o descontentamento da população em torno da "imposição" de megaeventos esportivos é um dos motivos que fazem essas manifestações contarem como um grande número de pessoas.

"Não é de estranhar que estas manifestações nascem nesta proporção durante a Copa das Confederações", declarou Mehl.

As principais reivindicações desse Comitê giram em torno do cancelamento da privatização do Maracanã, da retirada de um grupo de indígenas que ocuparam durante anos uma antiga sede do Museu do Índio, situada próximo ao estádio, e parar com as desocupações de imóveis para a realização dos grandes eventos esportivos no Rio.

EFE   

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