Barcelona venceu facilmente o Santos por 4 a 0 na final do Mundial
Foto: AP
- Celso Paiva
- Direto de Yokohama (Japão)
Muitos imaginavam como Muricy Ramalho iria fazer para derrubar o time sensação do momento, mas a forma que o treinador escalou a equipe pegou a maioria com uma certa surpresa. Desde o início de sua passagem como treinador do Santos, o comandante alvinegro escalou a equipe no 4-4-2 e no duelo decisivo contra o Barcelona entrou em campo com um pouco usado 3-5-2. E mais, acostumado a ser um time que agride e ataca, Muricy colocou um time para ver o Barcelona jogar e esperar uma chance para matar o jogo.
A tática mostrou que poderia ter resultado no início, quando em um contra-ataque Neymar carregou a bola, mas errou. Ao invés de passar para Danilo que entrava com liberdade do lado direito, segurou demais a bola e soltou tarde para Borges. O lance, inclusive, fez Muricy se animar na área técnica e Guardiola coçar um pouco a cabeça. Mas ao mesmo tempo que poderia ser um risco positivo, poderia ser um risco negativo. E foi o que acabou acontecendo.
Bastava um cochilo da zaga alvinegra para a surpresa de Muricy ir por água abaixo. Dracena deu espaço para Xavi dominar, Durval furou e Messi entrou sozinho na frente de Rafael para tocar por cobertura. Muricy ficou segundos parado, para em seguida esbravejar com o camisa 6 santista. Ele sabia que as chances santistas estavam praticamente reduzidas a zero.
Sem mostrar entrosamento para saber o que fazer na tática com três zagueiros se tomasse o gol, o Santos continuou com a sua convicção de permitir que o Barcelona dominasse as ações e foi desmoronando pouco a pouco. Entrou na roda literalmente. Viu o time catalão marcar o segundo, depois o terceiro. Muricy, tentou corrigir o erro, trocou o machucado Danilo por Elano, recuando um pouco Léo para formar uma linha de quatro improvisada, com Bruno Rodrigo na lateral direita. O zagueiro continuou tomando um baile do brasileiro Thiago Alcântara.
O treinador alvinegro foi para o intervalo sentindo o baque. Na segunda etapa passou todo o jogo sentado no banco de reservas, como se já tivesse entregue os pontos. Viu o Barcelona esmorecer e o Santos arriscar em dois lances com Neymar e Borges, em boas oportunidades desperdiçadas. O golpe de misericórdia veio com o quarto gol do Barcelona, o segundo de Messi. Muricy levantou, tentou em vão gritar em um jogo que já tinha vencedor definido há muito tempo.
Muricy terminou a partida totalmente cabisbaixo, sabe que será apontado como o maior responsável pela derrota pela tática não ter dado certo. O risco de sair do conservadorismo, que norteou sua carreira, acabou castigado. Agora terá de se preparar para as críticas que vão vir de todos os lados. Alguns falarão que faltou treino coletivo na preparação no Japão, outros reclamarão da loucura de mudar o esquema. Fato é que um trabalho todo do treinador não poderá ser jogado no lixo.
- Terra

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