Mundial de Clubes

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09 de dezembro de 2011 • 10h57 • atualizado às 11h18

Ex-técnico de Guardiola, Pepe enaltece treinador do Barcelona

Técnico de Guardiola no passado, ex-jogador Pepe considera o espanhol o melhor treinador do mundo hoje
Foto: Reuters

Santos e Barcelona, da Espanha, são indicados como os maiores candidatos a realizarem a final do Mundial de Clubes da Fifa deste ano, dia 18, em Yokohama, no Japão. E um ídolo eterno do clube da baixada Santista conhece muito bem o líder do possível rival na decisão do torneio. O eterno "canhão da Vila", José Macia, o Pepe, foi técnico do então volante Pep Guardiola, hoje treinador do Barça, quando ambos trabalharam juntos no Al-Ahli, do Catar.

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"Eu fui técnico do Guardiola no Al-Ahli e pude conviver com ele por cerca de oito meses (entre 2004 e 2005). Ele era disparado o melhor jogador do time tecnicamente e tinha uma visão tática impressionante. Por isso, não foi uma surpresa para mim que ele tenha se tornado um dos maiores treinadores do mundo na atualidade. Ele sempre foi inteligente, gostava muito de treinar, e obedecia a rigor as instruções táticas que lhe eram passadas", disse o antigo camisa 11 do clube alvinegro.

Pepe contou ainda como era o atleta Guardiola no dia-a-dia. "Pela inteligência dele percebíamos que seria um grande treinador. Não que ele fosse humilde, porque ele sabia que era bom. Sabe como é: espanhol tem sempre o nariz meio em pé", brincou.

Segundo o "canhão da Vila", o comandante do Barcelona era atento a tudo o que se passava nos treinos e, por isso, demonstrava já naquela época sua aptidão para seguir carreira como técnico.

"O Guardiola era muito interessado em conversar sobre a equipe. Além disso, naquele período ele sabia que a sua carreira como jogador estava terminando e ele tinha na cabeça que seria treinador futuramente. Ele sempre tinha um amigo ao lado dele, uma espécie de auxiliar, que anotava tudo o que era feito nos treinamentos", comentou.

Indagado se Guardiola herdou algumas de suas características como treinador, o segundo maior artilheiro da história do Santos acredita que o espanhol carrega alguns aspectos em seu trabalho.

"Em determinados pontos, sim. Quando eu era técnico sempre gostava de armar times ofensivos, que privilegiassem a posse de bola. O Guardiola gosta muito disso. Ele diminui a posse de bola do adversário e usa atacantes bem abertos, com os laterais chegando até a linha de fundo também", destacou Pepe.

No entanto, o lendário craque santista relembrou uma característica que tirava Guardiola do sério: a marcação individual.

"Ele não gostava que o marcassem individualmente. Ele era um jogador de defesa, um volante mais de marcação, porém, tinha qualidade para sair jogando. Ele era tipo Clodoaldo, Dunga, etc. Por isso, ele reclamava da marcação individual. O Guardiola falava: 'Mister, no me dejan jugar'. Mesmo assim, conosco ele foi considerado o melhor estrangeiro do campeonato e tínhamos grandes nomes por lá na época", afirmou.

Desta forma, Pepe não crê que Guardiola monte uma marcação individual para deter o atacante Neymar. Segundo o ídolo alvinegro, o treinador do Barcelona já deve conhecer todos os pontos fortes e fracos da equipe brasileira.

"Não é normal no futebol espanhol e na Europa, de maneira geral, você marcar individualmente um atleta. Isso lá não existe. A marcação é feita por zona e numa final, o Guardiola não vai mudar as características do time dele. E, pelo que eu conheço dele, nesse momento o Guardiola sabe até quais são as cores dos olhos dos jogadores do Santos", analisou.

Para encerrar, Pepe falou que vê Guardiola como o melhor técnico do planeta no momento, mas espera que o treinador alvinegro, Muricy Ramalho, o supere no Mundial.

"É difícil falar, pois o Muricy também está na parada. Só que, pelo número de conquistas nos últimos anos, o Guardiola é o técnico mais famoso no momento. Agora, vamos ver o que o Muricy vai aprontar. Vamos ver se na hora da decisão ele coloca o Santos para frente. A minha torcida é para o Muricy e para o meu Santos, é claro", concluiu o bicampeão mundial pelo Santos, em 1962 e 1963.

Gazeta Esportiva