Mundial Feminino de Futebol 2007

Mundial Feminino de Futebol 2007

Quinta, 27 de setembro de 2007, 20h18  Atualizada às 22h45

"Quero que o Brasil ganhe o Mundial", diz goleira dos EUA

Ricardo Setyon
Direto de Hangzhou
Ricardo Setyon/Terra

No hotel, goleira Solo encontra consolo no ombro do pai
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Barrada pelo treinador Greg Ryan na semifinal contra o Brasil depois de ser titular em todas as partidas do Mundial feminino de futebol, a goleira Hope Solo, dos Estados Unidos, elogiou as jogadoras brasileiras depois da partida e afirmou que está torcendo pelo Brasil.

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"Quero que o Brasil ganhe este Mundial. Merecem muito mais que qualquer outra equipe. Jogaram bonito, leve, solto e marcaram presença em campo de maneira imponente", disse a goleira, que não esteve em campo na derrota por 4 a 0 para a Seleção, nesta quinta-feira.

Fora o show das brasileiras, a bela Solo e a veterana Brianna Scurry foram o centro das atenções nas últimas 48 horas, na China, devido ao fato de que o técnico norte-americano decidiu avisá-las, pouco antes do jogo com o Brasil, que ele retirava a titular, e utilizaria a reserva.

Ao longo da competição, Solo tinha conquistado não só a posição nas quatro partidas em que jogou, mas também a simpatia da torcida: foi eleita pela imprensa chinesa e a torcida local a mais bela jogadora deste Mundial, em eleição realizada por um diário local.

"Foram momentos muito estranhos. Esperava tanto jogar pela primeira vez contra o Brasil. Não aconteceu. A razão, sem dúvida não foi coerente. Acho que o treinador não explicou de maneira convincente, agora ele terá de pagar por isso, pois foi algo que trouxe um mal à equipe e a mim. Ele quis algo, mas arruinou todo o trabalho de uma equipe. Perdemos", desabafou Solo.

Scurry recebeu toda a pressão e, principalmente as críticas, por estar fora de ritmo de jogo, já que não atuou por um minuto que seja durante este Mundial. Em campo, já teve que amargar dois gols em menos de meia hora.

"Foram cenas impressionantes", disse um dos dirigentes norte-americanos, Aaron Heifetz, "ver as faces, os sentimentos, a raiva e o mal estar no time inteiro, somente por causa dessa situação das goleiras."

Até mesmo a organização do Mundial se envolveu no caso, quando menos esperava-se o placar do estádio mostrou o treinador Greg Ryan na hora dos dois primeiros gols.

Minutos depois, era a vez de Scurry estar no foco principal da câmera que levava imagens ao telão, abalada, cabisbaixa e caminhando lentamente na sua área. Porém, o que mais impressionou foram os quatro momentos em que Solo teve sua face em primeiro plano no placar eletrônico.

Sentada no banco dos EUA, com as mãos dentro de suas luvas de goleira, Solo observava passivamente o que ocorria. Após a derrota, Scurry, saiu em lágrimas do campo, enquanto Solo foi aplaudida pela torcida em volta do ônibus da seleção norte-americana.

Já no hotel, Scurry disse ao Terra: "tudo isso que aconteceu gerou uma história de bonzinhos e maus. Eu virei a bruxa de uma história mal contada, onde o interesse da equipe ficou em último lugar".

Solo, circundada de parentes, amigos e torcedores, estava tranqüila, preparando a volta a Xangai, onde os EUA enfrentarão a Noruega para decidir o terceiro lugar da competição.

"Sabemos que a culpa não foi de nenhuma das jogadoras. A vida é mesmo estranha, não? Foi realmente um dia que queremos esquecer. Mas eu lembrarei muito dele", disse Solo.

Redação Terra