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Sexta, 20 de julho de 2007, 03h29 Chileno acusa polícia canadense de aplicar choque |
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O jogador chileno Isaias Peralta acusou a polícia cadandense de aplicar descargas elétricas após a partida entre a sua seleção e a Argentina pelo Mundial Sub-20.
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De acordo com a imprensa chilena, pelo menos nove jogadores foram detidos e algemados pela polícia na saída do estádio de Toronto.
Peralta explicou que a confusão começou quando ele e seus companheiros foram, como costumam fazer após os jogos, "dar autógrafos aos torcedores que estavam atrás do ônibus" para "retribuir o carinho" que a seleção tem recebido no Canadá ao longo da disputa do Mundial Sub-20.
"Então, os policiais começaram a nos empurrar e começou toda a desordem. Levamos alguns golpes da polícia e reagimos. Eles tinham que nos proteger, e não nos machucar", disse o jogador chileno.
"Vieram as pancadas e chegaram mais guardas. Nisso, me atingiram com eletricidade e eu desmaiei, inconsciente. Quando acordei, vi que havia 10 policiais jogando ácido na minha cara", acusou.
Peralta disse que "vários companheiros também levaram ácido", mas só ele sofreu descargas elétricas.
"A polícia não agiu da forma como nós pensávamos e nos tratou como animais. E não acho que nos confundiram com torcedores porque nós mostrávamos as credenciais, dizendo 'somos jogadores', mas eles continuavam. Fomos tratados como criminosos. Eles diziam que éramos criminosos e que estávamos bêbados", afirmou.
O atacante se queixou de que "dirigentes da Fifa, entidade que organiza o Mundial, só olhavam como nos batiam e sequer diziam aos policiais que parassem".
"Fui o primeiro agredido estou meio aturdido. Do lado direito, o dos choques, não sinto nada", resumiu, depois de mostrar as marcas no corpo.
A versão de Peralta foi confirmada pelo jornalista Pedro Carcuro, da Televisión Nacional, que afirmou que todos os jornalistas chilenos puderam ver o jogador Isaias Peralta ser atacado com descargas elétricas e depois espancado quando estava no chão, quase inconsciente.
Outro jogador chileno, Nicolás Larrondo explicou que não participou dos incidentes, porque estava no vestiário, recolhendo material para o exame antidoping. Mas contou que depois precisou atender os companheiros, Peralta e Jorge Grondona.
"Grondona tinha gás nos olhos", contou. "Depois deles passaram os outros, junto com a polícia, algemados. Juan Arenas e Gary Medel tinham sangue no rosto. Os outros queriam fazer algo, mas não podiam sair. E aí começou uma batalha entre as duas partes", lembrou.
Larrondo acrescentou que "a polícia atirou gás lacrimogêneo dentro do ônibus". Diante das reclamações, o ministro das Relações Exteriores do Chile, Alejandro Foxley, afirmou nesta sexta que o governo do seu país apresentará uma queixa formal ao Canadá.
"Naturalmente esta não é uma situação normal. Nós vamos exigir uma explicação clara de por que aconteceu essa reação desmedida da polícia, com métodos incomuns num episódio dessa natureza", disse o chefe da diplomacia chilena.
Em declarações à emissora, Foxley disse que nesta sexta-feira o cônsul chileno em Toronto vai se reunir com o prefeito para exigir uma explicação e cobrar uma promessa de que o incidente "não vai se repetir nunca mais".
"Vamos falar com nossos diplomatas seguindo passo a passo a explicação que for dada. Vamos fazer uma queixa formal às autoridades. Quero dizer além disso que o torneio continua, que o comportamento dos jovens da equipe foi exemplar durante toda a competição", acrescentou o chanceler.
"Estamos todos muito orgulhosos. Algum jogador pode ter mostrado expressões duras demais ao fim do jogo, mas a reação da polícia foi extremamente severa. Não aconteceria assim no Chile e vamos exigir uma explicação", disse o ministro.
"Não queremos reagir sem ter todos os antecedentes muito claros.
Mas as coisas se inclinam no sentido de uma queixa formal por um comportamento não habitual de forças policiais que parecem ter se descontrolado", afirmou.
Em Toronto, o porta-voz oficial da Fifa, John Schumacher, informou que "a polícia deteve todos os jogadores da equipe chilena (21 no total) para controlar a situação". Após várias horas, "encontrou-se uma solução, e todos os jogadores foram libertados sob a custódia da delegação chilena", acrescentou.