inclusão de arquivo javascript

Futebol

 
 

Brasileiro quer levar spray revolucionário para o mundo

09 de maio de 2003 12h35

André Rossi

São Paulo - O Brasil sempre esteve na vanguarda do futebol graças a seus jogadores. Sendo com títulos, primeira Seleção a ser tri, tetra e pentacampeã mundial, ou com atitudes, como Belini, que em 58 imortalizou o gesto de levantar a taça. Agora, a pátria de chuteiras resolveu revolucionar o esporte no planeta na arbitragem.

Criado pelo publicitário mineiro Heine Allemagne, o spray - chamado de "milagroso" pela imprensa européia - usado pelos juízes para demarcar a posição da barreira, eterna briga dos árbitros com os jogadores, se prepara para ganhar o mundo.

Depois de conseguir oficializar o equipamento na CBF, Allemagne levou a sua idéia para a Fifa, onde está sendo analisada e deverá ser testada em breve. Se passar, deve ser implantada no mundo inteiro.

"Está sendo avaliado na Fifa. Deve ter um parecer em breve, positivo, eu torço", disse o publicitário com exclusividade para o Terra Esportes. "Essa avaliação depende do tempo que a Fifa leva para analisar o projeto", acrescenta.

A primeira experiência oficial da Fifa era para ter sido feita no Mundial de Seleções Sub 20, que seria disputado no Oriente Médio, mas foi adiado por causa da invasão dos Estados Unidos ao Iraque. "O Bush travou um pouquinho", brincou Heine.

Segundo Heine, os elogios ao projeto foram unânimes e partiram de personalidades importantes no mundo da bola. "Foi muito elogiada pelo Parreira, pelo (João) Havelange (ex-presidente da Fifa)", vangloria-se.

A idéia também ganhou adeptos na imprensa européia. Spray milagroso e espuma mágica foram algumas das definições, recebidas em Portugal e na França, respectivamente.

Os elogios têm fundamento. Usado pelos árbitros do Brasil a pedido do Conselho Técnico da CBF, antes de ser aprovado, diversos juízes testaram e aprovaram a utilização do spray nos jogos.

No parecer final, os árbitros listaram seis pontos positivos: "Mais ocorrência de gols; menos tempo nas paralisações (48s para 20s); respeito à distância demarcada; menos desgaste para a figura do árbitro, menos cartões amarelos", contou o publicitário.

O árbitro brasileiro da Fifa Paulo César de Oliveira, mais um dos defensores do spray, ilustrou o que os árbitros constataram, em entrevista ao Terra Esportes Show.

"Eu costumo dizer que o spray é um facilitador. Aquele momento de determinar e fazer a barreira ficar no local é chato, o juiz tem que ser chato", falou. "Para mostrar a eficiência, é só ver o Paulistão do ano passado. O zagueiro Andrei foi o artilheiro do campeonato. Para um bom batedor de falta é muito bom", falou.

LUZ

A idéia de fazer um produto para acabar com um dos problemas mais crônicos do futebol surgiu durante um jogo da Seleção.

Vendo a dificuldade que o juiz tinha para colocar a barreira no lugar certo, Heine teve uma luz. "Imaginei uma demarcação provisória. Pensei na espuma porque é barata e o futebol é popular", explica. "Me aliei a um laboratório e coloquei a idéia em prática", completa.

"Eu tive uma idéia show, muito melhor que uma que apareceu na Inglaterra (avançar o lugar da falta para o da barreira, caso ela não ficasse no lugar)", falou.

"Como eu percebi que era uma sacada muito boa eu formalizei, como um projeto brasileiro, o tamanho do tubo, tamanho da linha, a espuma não ser tóxica e ser biodegradável por que tinha que sumir", explica.

O spray foi usado pela primeira vez em uma competição oficial na Taça BH, em Minas. Na decisão, o América venceu o Goiás com um gol de falta de Rodrigo aos 45 minutos do segundo tempo. "O América atribuiu a vitória ao spray", comemora.

Em Minas a idéia ganhou força e foi trazida para São Paulo pelo presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah. "O Farah absorveu a idéia. Foi fantástico. Consegui colocar na Taça Sub 21", relembra Heine. De São Paulo, a espuma ganhou o Brasil sendo usada pela primeira vez em um campeonato nacional na Copa João Havelange, em 2000.

Apesar da grande aceitação, Heine garante que não pensou na idéia para fins comerciais. "Sou um idealizador, fiz para o futebol", comentou. "Eu consegui convencer a fábrica (o laboratório Chemikers) da importância ideológica e eles toparam".

Porém, Heine não descartou faturar com a idéia. "Eu sei que tem um potencial enorme de dinheiro, afinal são milhões de jogos pelo mundo. Mas isso vem com o tempo", falou. "Eu até estive em Brasília. A gente sabe que pode vir a ter um potencial enorme de exportação".

Redação Terra