Rio - Renato Gaúcho não é mais o técnico do Fluminense. Ele não resistiu à derrota por 3 a 0 para a Ponte Preta, nesta quinta-feira, e à pressão de uma parte da torcida e da diretoria. O técnico chegou a chorar ao se despedir do clube.
Para o jogo contra o São Paulo no final de semana no Maracanã, Renato será substituído, interinamente, por Gílson Gênio, técnico da equipe de juniores, e que tem o apoio do presidente, David Fischel.
A diretoria do clube já corre atrás de um substituto. Mário Sérgio, que está no São Caetano, já foi contatado, mas negou o convite. Joel Santana e Valdir Espinosa são os próximos nomes da lista.
Muito emocionado, Renato Gaúcho se despediu do grupo, que pediu a sua permanência, após ter uma conversa, segundo ele bastante amigável, com a diretoria do clube.
"Cheguei a um consenso com os dirigentes e achei melhor sair para poupar outras pessoas de pressão. Agradeço de coração pela oportunidade que tive de treinar o Fluminense. Esse grupo é maravilhoso", derreteu-se Renato. "Foram mais de 30 jogadores me abraçando, me beijando...Fico feliz pela reação deles", acrescentou.
Fischel reconheceu que a pressão da torcida ? durante a semana, a Young Flu exigiu a saída de Renato ? e dos conselheiros foram preponderantes para a demissão do treinador.
"Havia um clima hostil dos conselheiros e da torcida para com o Renato, e isto afetava o trabalho dele. O time podia jogar bem numa partida, mas a cada derrota a pressão voltava. Esperamos agora recuperar a confiança dos torcedores e de todos, de uma maneira geral", disse Fischel.
Renato negou que esteja deixando o Flu magoado com alguém ou com as críticas que recebeu de parte da diretoria e de alguns torcedores. "Eu sempre aprendo com as críticas. E errar todo mundo erra. Até o técnico da Seleção Brasileira, que tem os melhores jogadoroes, falha. Por que eu não erraria?".
O técnico tinha assumido o Fluminense em setembro do ano passado. Levou o time à quarta colocação no Campeonato Brasileiro de 2002 e ao vice estadual de 2003.
Renato deixa o Fluminense na 12ª colocação do Brasileiro com 22 pontos ganhos. Nas 17 partidas que disputou, o time carioca conlecionou seis vitórias, obteve quatro empates e perdeu sete vezes.
Nem mesmo a volta de Romário foi capaz de tirar o Fluminense da gangorra do Brasileiro. Renato vinha pedindo a contratação de reforços e a volta do Baixinho foi encarada pela direção do Flu como um verdadeiro presente para o treinador. Como o clube não conseguiu decolar no Brasileiro, a situação de Renato foi ficando insustentável.
O ex-jogador vinha sendo cobrado por parte da diretoria desde a derrota para o lanterna Goiás, em pleno Maracanã por 3 a 2. Sem conseguir levar o time às primeiras posições, o treinador já não contava com o respaldo da direção do Flu.
GÍLSON GÊNIO
O técnico interino do Fluminense, Gílson Gênio, foi um dos componentes da Máquina Tricolor nos anos 70. Ele chegou ao clube em 1970, aos 13 anos. Atuou pelo Tricolor a década toda como ponta-esquerda.
Gílson voltou às Laranjeiras em 2001 como técnico das divisões de base. Foi campeão estadual juvenil em 2001 e bi de juniores em 2002 e 2003.
?Fiquei surpreso e nem esperava que fosse desta maneira. Mas estaria mentindo se dissesse que não tinha o sonho de treinar o Fluminense, clube que me deu muitas alegrias. Estou preparado", disse Gilson.
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