inclusão de arquivo javascript

Futebol

 
 

Biografia autorizada contará história de Eurico Miranda

30 de março de 2008 08h47 atualizado às 09h00

Desnecessário dizer o quanto o nome de Eurico Miranda suscita polêmicas. E o dirigente vascaíno está para chegar à mídia mais uma vez, por intermédio das prateleiras da livrarias. O escritor, jornalista e teledramaturgo José Louzeiro, conhecido por seus livros de romance-reportagem, lançará uma biografia autorizada de Eurico. O nome do livro, ainda sem editora, é bastante apropriado: "A lenda e a fúria vascaína".

» Veja as últimas do Vasco

"O Eurico incomoda pelo radicalismo e porque optou pelo marketing negativo. Ele é um cara que não faz nada para agradar ninguém, nem mesmo dentro do próprio Vasco", diz Louzeiro, que vem se dedicando ao livro há três anos e teve como principal obstáculo fazer o próprio Eurico falar.

"Foi uma grande vitória. Tive cerca de dez encontros com ele, em que ele não se furtou a falar de nenhum assunto. Também avisei que iria entrevistar seus inimigos e ele não fez objeção", contou.

Louzeiro, que diz não torcer por nenhum time e nem ser um apreciador de futebol - só passou a conhecer mais do esporte para escrever o livro -, começou a escrever sobre Eurico por sugestão de um amigo publicitário. E animou-se com a chance de pegar mais um personagem polêmico.

"São raras as pessoas que gostam do Eurico. Geralmente ouve-se falar que ele é ladrão, assassino, mas não há comprovação de que ele roubou ou matou alguém. Trabalhei trinta anos como repórter policial e sei que é impossível escrever algo sem que se tenha a comprovação", explica.

Dentre os casos complexos de Eurico que Louzeiro cita no livro está a acusação de que teria matado o próprio pai, o comerciante Álvaro Miranda, na década de 40. O autor de tal acusação teria sido o colunista esportivo Pedro Costa, um dos inimigos de Eurico.

"Mas fui procurar o Pedro e ele próprio disse que isso era mentira. O pai do Eurico se suicidou porque sua padaria, na Urca, faliu", conta.

Dentre os motivos que levam muita gente a detestar Eurico estão suas opiniões inflamadas e o fato de se perpetuar desde 2000 na presidência do clube ¿ estando presente como vice-presidente desde a década de 80.

Seu estilo lhe rendeu amizades longas, como a de Romário, e inimigos declarados, como o presidente do Flamengo, Márcio Braga, e um dos maiores ídolos da história do Vasco, Roberto Dinamite. Segundo Louzeiro, uma personalidade complexa até mesmo para Freud explicar.

"Muitos o odeiam, mas ele não guarda ódio de ninguém. Ele recebeu de braços abertos no Vasco até o Edmundo, que o havia insultado publicamente e processado o Vasco. Se o presidente fosse outro, o Edmundo nem passaria na porta do clube.

Louzeiro diz que nos depoimentos que colheu, todos gravados e filmados, alguns inimigos até reconheceram a importância de Eurico. Foi o caso do próprio Dinamite, seu adversário politico na eleição que terá de ser refeita este ano por ordem judicial.

"O Roberto deve muito a Eurico e reconheceu isso. Ele estava no ostracismo no Barcelona, em 1980, até que Eurico o chamou de volta. A esposa de Dinamite, Jurema, já falecida, também se dava muito bem com o Eurico e era tambem uma figura polêmica", diz o escritor, afirmando também que Eurico encontra mais inimigos dentro do que fora do clube.

"O Vasco, a cada eleição, escolhe 15% de pessoas da oposição para formar o Movimento Unido Vascaíno. São pessoas que fazem campanha aberta contra Eurico, e é gente de dentro do clube", disse.

Louzeiro reconhece, porém, que assuntos como a última eleição do clube são espinhosos.

"É muito discutível. Na qualidade de repórter, eu só posso afirmar o que tenho comprovado através de documentos", diz Louzeiro, que enfatiza que a grande qualidade de Eurico é não mentir. "Ele odeia mentira em futebol, que é um meio desunido em que um quer derrubar o outro, mas tudo pelas costas", completou.

Jornal do Brasil
Jornal do Brasil