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 Atacante-modelo, musa juventina alia beleza, futebol e estilo
06 de setembro de 2008 13h51 atualizado em 07 de setembro de 2008 às 16h55

Bruna Castro alia paixão ao futebol com estilo e moda. Foto: Gazeta Press

Bruna Castro alia paixão ao futebol com estilo e moda
Foto: Gazeta Press

Ela se destaca entre as mais de 30 garotas do time feminino do Juventus que se reuniram para ver de perto as jogadoras da Seleção Brasileira, prata nos Jogos Olímpicos de Pequim. Em apenas 15 minutos, muda o jeito de prender o cabelo três vezes. No Salão Nobre da Federação Paulista, os reflexos proporcionados pelas paredes espelhadas deixam a bela Bruna Castro à vontade. Enquanto suas colegas gastam as baterias de seus celulares tirando fotos incessantemente, ela aproveita para arrumar a barra da calça e verificar o novo look.

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Recém-formada em moda pela Faculdade Belas Artes, a jovem de feições delicadas e cabelos lisos tentou se afastar do futebol, mas não conseguiu. Quando estava no terceiro ano do curso, voltou a jogar bola com os garotos de seu condomínio e sentiu o amor pelo esporte renascer. Para não abandonar a vida acadêmica, resolveu aliar as duas paixões. Como Projeto de Conclusão de Curso, ela decidiu abordar a feminilidade no futebol. Insatisfeita com os uniformes atuais, Bruna criou looks para goleiras e jogadoras, além de trajes de passeio.

"Todos os clubes do Brasil que têm times femininos usam modelagem masculina. Nenhuma empresa nunca pensou em criar algo específico para o corpo da mulher. Não precisamos daqueles shorts imensos e camisetas gigantes", reclama a estilista. Para a atacante do Juventus, os uniformes que não valorizam as formas das mulheres contribuem apenas para aumentar o preconceito e a resistência em torno da modalidade. A idéia é provar que as meninas podem manter sua beleza mesmo dentro do gramado. "Eu sou um exemplo disso", diz a jovem.

Na hora de vestir a camisa do Juventus na disputa do Campeonato Paulista feminino, Bruna não abre mão da vaidade. "O rímel é indispensável! Eu adoro usar e sempre usei, não tem porque tirar na hora de trabalhar. As meninas sempre brincam comigo, mas eu digo que é para enxergar melhor", diverte-se a atacante. Perfumada e de unhas vermelhas, ela tenta contagiar suas companheiras dentro do vestiário. "Elas podem ver que é possível ficar mais bonita, arrumar o cabelo de um jeito diferente", enumera a jogadora, admiradora do goleiro Júlio César.

No corpo modelado pela prática esportiva, Bruna ostenta quatro tatuagens. Além do sobrenome escrito no pulso, ela tem um símbolo egípcio na panturrilha, uma cruz nas costas e um ideograma chinês no bíceps. A beleza aliada à habilidade com a bola no pé serviu para colocar a jogadora e estilista na carreira de modelo. A garota participou de uma campanha da Coca-Cola relacionada ao futebol, fez fotos de divulgação para a Centauro, loja de produtos esportivos, e atuou em uma propaganda da Vivo, entre outros trabalhos.

"Se (a beleza) puder me ajudar em alguma coisa, com certeza vou usar isso a favor, mas o foco é ser jogadora de futebol e mostrar o meu talento. Não quero apenas ser um rostinho bonito", explicou a atleta. Bruna tem duas irmãs. Cristiane, a mais velha, é jornalista, mas trabalha como modelo e foi a responsável por levar a caçula para o mercado publicitário. Karina, a do meio, formada em turismo, joga futebol há nove anos e atualmente defende o Corinthians no Campeonato Paulista feminino. O primeiro obstáculo para seguir na carreira, as garotas encontraram dentro de casa.

"Meu pai nunca apoiou muito nem eu nem a minha irmã, mas chega uma hora que não tem mais o que falar. Ele nunca gostou muito, preferia que nós praticássemos outro esporte ou trabalhássemos nas nossas áreas", conta a jovem. Enquanto não consegue jogar em uma equipe com boa remuneração como a irmã, a atacante do Juventus cogita abrir um negócio próprio. Marta é uma das preferidas de Bruna, assim como Cristiane, revelada nas categorias de base do time da Mooca ao lado de Érika e Ester. Ela espera que a medalha de prata conquistada pela Seleção nos Jogos de Pequim sirva para aumentar a estrutura da modalidade no Brasil.

"A gente fica mais motivada. A cada conquista do futebol feminino, você vai criando uma esperança maior. Mas faz tempo que o Brasil está entre os três melhores do mundo e não muda nada. Quero ver o que vai acontecer", diz Bruna, que se despede do Campeonato Paulista feminino às 15h deste sábado, contra o Santos, no CT Rei Pelé. A poucos metros das jogadoras que vestiram a camisa da Seleção nos Jogos Olímpicos de Pequim, a atacante sonha com o sucesso na profissão. Para priorizar o futebol, a bela juventina promete que está sem namorado...

Redação Terra