Às vésperas de uma amistoso contra a Espanha, na próxima quarta-feira, a seleção austríaca passa por uma profunda crise entre seu técnico, Dietmar Constantini, e alguns dos principais jogadores do país, que afirmaram que não vestirão a camisa da equipe enquanto o treinador for mantido no cargo.
Um deles é Martin Stranzl, considerado um dos melhores jogadores austríacos nos últimos dez anos. Na quarta à noite, o zagueiro do Spartak de Moscou anunciou sua renúncia à seleção, por não ter sido escalado nas últimas partidas.
Stranzl se une assim a Alexander Manninger, goleiro reserva da Juventus de Turim. Em agosto, ele decidiu não mais defender a Áustria, após Constantini mantê-lo no banco apesar de suas boas atuações pela equipe italiana, quando substituiu o lesionado titular Gianluigi Buffon.
Quem ainda não chegou a tal ponto, mas também poderá adotar a mesma medida em breve é o atacante Marc Janko, do Red Bull Salzburg, que no ano passado conquistou a Chuteira de Bronze europeia, com 41 gols. Na seleção, ele não sai da reserva até mesmo em partidas importantes, como as das Eliminatórias para a Copa do Mundo.
O meia Andreas Ivanschitz, considerado a grande promessa do futebol local, é outro preterido por Constantini, apesar dos inúmeros pedidos de torcedores por sua convocação. Atuando pelo modesto Mainz 05, o jogador é um dos líderes da artilharia do Campeonato Alemão, com seis gols e seis assistências.
Adepto de um estilo rígido, Constantini é criticado ainda por outros técnicos austríacos que discordam de algumas de suas atitudes, como a de fazer com que os convocados para enfrentar a Espanha fiquem concentrados por oito dias.
"Não vamos decidir nenhum título contra os espanhóis. Não é necessário que os jogadores fiquem trancados em um hotel por uma semana. A maioria deles só vê suas famílias por fotos", afirmou o técnico do Rapid Viena, Peter Pacult.
Mas Constantini também tem alguns defensores de peso, como o ex-atacante Hans Krankl, que fez sucesso no Barcelona e na seleção austríaca nas décadas de 70 e 80. Segundo ele, o sacrifício de concentrar a equipe por um longo período é válida.
"Esse jogo contra a Espanha vale nossa honra, não é uma partida qualquer. Enfrentaremos a melhor seleção do mundo, e precisamos de um bom resultado", disse em sua coluna no jornal Österreich.
A Áustria não se classifica para uma Copa do Mundo desde a edição de 1998, na França, e caiu na primeira fase da Eurocopa de 2008 mesmo sendo um dos países anfitriões (junto com a Suíça), marcando apenas um gol e obtendo um empate e duas derrotas.
Nas Eliminatórias para o Mundial da África do Sul, os austríacos terminaram em terceiro lugar do grupo 7, atrás da classificada Sérvia e da França, que disputará a repescagem.

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