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 Maradona passa como um furacão pela seleção; relembre polêmicas
27 de julho de 2010 21h22 atualizado às 22h20

A passagem de Maradona como técnico da seleção da Argentina chegou ao fim; nesta terça-feira a AFA informou o desligamento do técnico do comando da .... Foto: Getty Images

A passagem de Maradona como técnico da seleção da Argentina chegou ao fim; nesta terça-feira a AFA informou o desligamento do técnico do comando da seleção
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Rafael Thomé

Nesta terça-feira, a Associação de Futebol Argentino (AFA) oficializou a saída do técnico Diego Armando Maradona da seleção alviceleste. O ex-jogador assumiu o comando da Argentina em outubro de 2008, após a saída de Alfio Basile, e desde então se tornou um personagem quase caricato - que, com suas declarações e atitudes polêmicas e exageradas, ganhou manchetes a cada nova entrevista.

Veja abaixo as polêmicas e confusões que cercaram o "furacão" Maradona nestes quase dois anos à frente da Argentina:

Novembro de 2008: Em menos de um mês, Maradona ameaçou pedir demissão por discordância com o presidente da AFA, Julio Grondona. O novo treinador queria seu amigo e ex-jogador Oscar Ruggeri na comissão técnica, porém, devido a um conflito envolvendo o então técnico do San Lorenzo, Grondona vetou seu nome. Em contrapartida, o dirigente cedeu e permitiu que Alejandro Mancuso integrasse a comissão técnica, fato que acalmou os ânimos de Maradona.

Março de 2009: Numa disputa de egos, o meio-campista Juan Román Riquelme, do Boca Juniors, se incomodou com o pedido de Maradona para que atuasse mais à frente, e, após perder a braçadeira de capitão para Javier Mascherano, renunciou à seleção. O técnico não gostou da atitude do jogador e disse que o meia não vestiria mais a camisa alviceleste enquanto ele estivesse no comando.

Abril de 2009: Enquanto a Fifa e a opinião pública especulavam a proibição de jogos em cidades com grande altitude, Maradona comprou a briga de seu amigo e presidente da Bolívia, Evo Morales, e se declarou a favor da realização de jogos em cidades como La Paz. Porém, o técnico sofreu um duro golpe quando sua equipe foi à capital boliviana e apanhou por 6 a 1 para a fraca seleção local.

Outubro de 2009: Depois de fazer uma campanha irregular nas Eliminatórias, a Argentina foi a Montevidéu enfrentar o Uruguai em confronto que valia a última vaga direta para o Mundial. O gol de Bolatti, aos 40min do segundo tempo, classificou a seleção de Maradona, que desabafou e não poupou críticas à imprensa.

Depois do apito final, o treinador correu ao gramado e, em meio a abraços e afagos nos jogadores, disse em alto e bom som: "chupem agora!". Passado o calor do momento, na entrevista coletiva, o técnico reiterou as críticas à imprensa.

"Estou agradecido ao povo, aos jogadores e a ninguém mais. Aos demais, que chupem. Há um setor que não merece, e eles sabem bem. Tenho memória e vou me lembrar agora mais do que nunca. Isso é para os que não acreditaram na seleção e que me trataram como um lixo. Hoje, estamos no Mundial sem a ajuda de ninguém", desabafou.

20 de maio de 2010: No dia em que ia divulgar a lista dos 23 convocados para a Copa do Mundo da África do Sul, Maradona atropelou um cinegrafista que estava em meio aos inúmeros jornalistas que cercavam seu veículo na chegada à sede da AFA. Ao escutar os gritos do cinegrafista, o técnico respondeu: "que idiota você é! Como vai colocar a perna embaixo da roda?".

26 de maio de 2010: Prestes a embarcar em direção à África do Sul, Diego Maradona, em mais uma de suas declarações polêmicas, disse que se a Argentina conseguisse o tricampeonato mundial, ficaria pelado no Obelisco - monumento que fica na Avenida Nove de Julho, a maior da capital argentina. Ainda pediu para a concentração argentina, em Pretória, ter privadas especiais, para satisfazer seu gosto.

30 de maio de 2010: Assim que começaram os treinamentos da Argentina na África do Sul, Maradona decidiu fechar as portas do hotel que hospedava a seleção. O fato causou indignação na imprensa do país, retratada pelo diário Olé.

"Todos, especialmente a imprensa internacional, buscavam uma imagem da equipe argentina, mas só encontraram um cadeado, como um verdadeiro 'catenaccio'", explicou a reportagem, citando o sistema tático ultradefensivo criado pelo técnico argentino Helenio Herrera no fim dos anos 50.

16 de junho de 2010: Criticado por sua carreira como técnico por Pelé e Michel Platini, Diego Maradona não conteve sua língua afiada e disparou contra os dois ex-jogadores: "isso não me surpreende. Pelé que volte para o museu. Sobre Platini, sempre tive uma relação distante com ele. Sabemos como são os franceses. Ele é francês e acredita que é maior que os outros. Nunca dei bola a ele", disse.

17 de junho de 2010: Um dia depois de cutucar Pelé e Platini, Maradona voltou atrás e pediu desculpas ao craque francês. "Recebi uma carta de Platini dizendo que não havia dado as declarações que vocês (jornalistas) me falaram. Quero pedir desculpas agora a Platini. Mas não a Pelé", disse o técnico, lembrando da notícia de que o francês teria dito que "como técnico, Maradona foi um grande jogador".

3 de julho de 2010: Após o apito final que decretou a derrota por 4 a 0 para a Alemanha, e a consequente eliminação do Mundial, Maradona se envolveu em mais uma polêmica. Aparentemente xingado por alemães que estavam atrás do banco de reservas argentino, o técnico se aproximou e começou uma discussão até que Dalma, uma de suas filhas, entrou em campo e conteve o pai.

Na entrevista coletiva, Maradona mostrou-se arrasado. Ele falou com a voz carregada, como se segurasse o choro, e disse ter perdido a força com a derrota por 4 a 0: "isto foi como um soco de Muhammad Ali. Não tenho mais forças para nada", disse.

12 de julho de 2010: Ainda abatido com a eliminação, Maradona estava há alguns dias exilado em sua casa, perto de Buenos Aires, quando surgiram rumores de que ele teria voltado a consumir drogas. Rapidamente, seu médico particular, Alfredo Cahe, tratou de negar os boatos.

"Diego não está bem, porque a partida com a Alemanha (derrota por 4 a 0) foi algo difícil, mas ele está se recompondo. Vejo-o pensativo, chateado, porque a vitória escapou. Ele teve uma melancolia natural, mas não voltou ao vício. Isso que dizem é uma barbaridade. Ele já estava fazendo tratamento", afirmou o médico.

22 de julho de 2010: Previsto para se reunir com o presidente da AFA, Julio Grondona, para definir sua situação na seleção argentina, Maradona adiou o compromisso e viajou à Venezuela para se encontrar com Hugo Chávez, político por quem tem muito apreço. O fato desagradou ao mandatário do futebol argentino, que, nesta terça-feira (27 de julho), confirmou a saída de Maradona do cargo de treinador por discordâncias na formação da comissão técnica.

Terra
  1. A passagem de Maradona como técnico da seleção da Argentina chegou ao fim; nesta terça-feira a AFA informou o desligamento do técnico do comando da seleção

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  2. Maradona estreou no comando da Seleção Argentina em um amisotoso diante da Escócia, realizado na cidade de Glasgow, em outubro de 2009

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  3. Maradona foi a favor dos jogos na altitude, inclusive defendendo publicamente, quando todos eram contra e, por ironia do destino, viu a Argentina ser derrotada por 6 a 1 pela Bolívia, em La Paz

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  4. Após o gol de Palermo, contra o Peru, Maradona deu um peixinho no campo para comemorar a proximidade da vaga para a Copa do Mundo

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  5. Com gol de Bollatti, a Argentina venceu o Uruguai, em Montévideu e se classificou de forma direta para o Mundial da África do Sul

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  6. Após a partida, o técnico ironizou a imprensa argentina que não acreditava no resultado e disse: "Estou agradecido ao povo, aos jogadores e a ninguém mais. Aos demais, que chupem"

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  7. "El Pibe" impôs e Mancuso, seu amigo pessoal foi integrado à comissão técnica da seleção argentina

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  8. Durante a Copa do Mundo, as entrevistas concedidas pelo treinador ficaram marcadas por toda sua irreverência nas respostas aos jornalistas de todo o mundo

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  9. Os treinamentos da Argentina durante o Mundial foram marcados por brincadeiras, em que Maradona interagia com os jogadores, seja cobrando faltas ou atuando como goleiro

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  10. Outra polêmica do ex-jogador no comando da seleção argentina foi o isolamento dos jogadores durante o Mundial, que tiveram poucos contatos com imprensa e torcedores

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  11. Por onde passou Maradona foi muito bem recebido, principalmente pelas crianças, que adoram todo o carisma do ex-técnico

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