Ex-jogadora de prestígio no futebol feminino, Juliana Cabral pendurou as chuteiras há dois anos. Nada mudou no cenário nacional desde então. Agora comentarista esportiva, a ex-zagueira da Seleção Brasileira lamenta a falta de organização que acaba por minar todos os avanços obtidos por sua geração nos últimos anos.
"O futebol feminino precisa se organizar. A Lei Pelé não diferencia futebol masculino e feminino. Não há leis distintas, é uma só para o esporte todo. Precisa de profissionalização, de contratos e patrocínios, de um calendário", lamentou a ex-jogadora, que por 16 anos atuou profissionalmente, quando as condições eram ainda piores.
Com passagens por Corinthians, São Paulo, Vasco e times no exterior, Juliana foi titular da Seleção por 13 anos. Disputou duas Olimpíadas e dois Mundiais. Conseguiu a medalha de prata nos Jogos de Atenas, em 2004, feito inédito para o esporte. No ano seguinte, participou da campanha da medalha de ouro no Pan-americano de Santo Domingo.
"Infelizmente, o futebol feminino só é lembrado em épocas importantes. O Campeonato Paulista está sendo disputado agora e só tem o Santos de time grande. Tem o Juventus, que é de tradição, mas de resto são times de prefeitura lutando para se manter. No final do ano, vai ter a Copa do Brasil. São só dois campeonatos. Precisamos de um calendário", cobra a comentarista de 28 anos.
A desorganização do esporte acabou influenciando no final prematuro da carreira de Juliana. Em 2008, ela passou por uma indefinição quanto à continuidade do time feminino do Corinthians. "Quando vimos, já tinha um time novo contratado e o velho foi dispensado inteiro", relembrou a ex-defensora, que diz não guardar mágoas.
"Fiquei chateada porque ainda tinha objetivos a alcançar. Depois que aconteceu isso, decidi fechar esse ciclo da minha carreira. Não tenho mágoas, mas foi uma decisão difícil para mim. Dei tudo o que eu tinha", complementou Juliana, na expectativa por mudanças estruturais para aumentar o incentivo ao esporte.
- Gazeta Esportiva


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