Diretor do GET considera que campeã Espanha "pode ser considerado um dos grandes times do século"
Foto: AFP
O Mundial realizado na África do Sul foi marcado pelo futebol envolvente e de toques rápidos da campeã Espanha e pelos fracassos de craques consagrados no planeta, como Kaká, Cristiano Ronaldo, Messi, Rooney, Ribery, entre outros. No entanto, para Jean-Paul Brigger, diretor do Grupo de Estudos Técnicos da Fifa (GET), o grande legado da Copa de 2010 para os times é a marcação sob pressão exercida pela maioria das equipes que se deram bem no continente africano.
"Vimos que todas as 32 seleções tinham uma boa ou até uma ótima organização. Hoje, todos sabem se defender, cada um do seu jeito. O conceito defensivo tem funcionado muito bem", afirmou Brigger, em entrevista ao site oficial da Fifa, destacando que a marcação começava já pelos atacantes ou homens de criação. "O que chamou a atenção é que tanto as equipes sul-americanas quanto a Espanha e a Holanda estavam adiantando muito a marcação", disse.
"Mesmo quando perdiam a bola perto da meta adversária, os jogadores já começavam a marcar lá na frente e não recuavam. Esta marcação no campo de ataque será muito utilizada pelas grandes equipes. Outra tendência é o deslocamento em bloco entre as duas áreas. As equipes trabalham como uma unidade compacta. Todos participam e ninguém fica apenas observando", completou o estudioso.
O inédito feito conquistado pela Espanha, campeã mundial pela primeira vez, e uma final 100% europeia, também mereceu destaque no site da entidade. "Isso mostrou que a Europa é muito forte. Os espanhóis atuam de forma compacta, são muito combativos e correm muito. Os meio-campistas Xavi, Iniesta e Xabi Alonso se movimentam muito e jogam um bom futebol. É uma seleção completa. Quase já pode ser considerado um dos grandes times do século. A Holanda também jogou um futebol fantástico até a final", disse.
Já o domínio sul-americano na primeira metade do torneio e o fracasso na reta final também mereceu ser comentado por Brigger, que elogiou o futebol apresentado pelas equipes. "O Brasil perdeu da Holanda por muito pouco. Na primeira etapa, os brasileiros jogaram um futebol de altíssimo nível, mas não conseguiram manter a qualidade no segundo tempo e sofreram dois gols em bolas paradas. Isso mostra que, jogando em um nível tão alto, pequenos erros podem custar a eliminação de uma equipe. A Argentina recebeu uma lição de futebol da Alemanha no que diz respeito a organização e inteligência em campo", disse, para em seguida citar os grandes "azarões" da América do Sul.
"O Paraguai foi uma seleção que incomodou muito e perdeu por muito pouco da Espanha. O goleiro Iker Casillas estava em um grande dia e o atacante David Villa marcou o gol decisivo pouco antes do apito final. A partida foi decidida pelo talento individual. O Uruguai, por sua vez, mostrou que é possível chegar longe se a equipe é bem organizada em campo, se esforça, joga coletivamente e, além disso, conta com dois atacantes de tanta categoria. Os uruguaios mereceram a quarta colocação", afirmou.
Para finalizar, o diretor do GET rasgou elogios à coragem da Alemanha em promover jovens atletas como Thomas Müller e citou fracassos de Itália e França, finalistas da edição de 2006. "Alemanha me surpreendeu muito. A forma como os alemães integraram os jovens à equipe é algo digno de respeito. O técnico Joachim Löw estava correndo um sério risco ao dar uma chance aos jogadores mais novos para que eles disputassem uma Copa do Mundo", disse. "É normal que seja difícil disputar o Mundial seguinte depois de conquistar o título. Já a França precisa ser completamente reestruturada", finalizou.
- Redação Terra




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