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 Auxílio-creche causa bate-boca entre sindicato e Internacional
08 de setembro de 2010 17h29 atualizado às 18h05

Entidade ameaça ir à Justiça para ver elevado valor de benefício para mães que trabalham no Beira-Rio. Foto: Fabiana Leal/Terra

Entidade ameaça ir à Justiça para ver elevado valor de benefício para mães que trabalham no Beira-Rio
Foto: Fabiana Leal/Terra

João Paulo Fontoura
Direto de Porto Alegre

Gerir um clube com mais de 100 mil sócios, com grande patrimônio, um vestiário milionário e que movimenta aproximadamente 800 funcionários não é tarefa fácil. Atual bicampeão da Copa Libertadores da América, o Internacional chama atenção do Brasil e do mundo por ostentar um modelo de gestão de dar inveja a muitas instituições.

Nem sempre, entretanto, é possível agradar a todos. O Secefergs (Sindicato dos Empregados em Clubes Esportivos e em Federações no Estado do Rio Grande do Sul), grupo que representa os trabalhadores do Inter, ameaça ir à Justiça na expectativa de ver aumentado o valor do auxílio-creche para as mães que trabalham no Beira-Rio. O alvo da entidade é o vice de administração do clube colorado, Décio Hartmann.

Segundo nota do Secefergs, o dirigente "adota uma atitude antissindical e antifeminista nas negociações com o sindicato". E o comunicado prossegue: "estamos em negociações salariais com o Internacional desde o ano passado e, diferentemente dos acordos conseguidos com o Grêmio, por exemplo, onde fixamos o auxílio-creche em R$ 510, o senhor Décio Hartmann, diretor administrativo, se vale da prepotência de seus hábitos militares, que tenta implantar no clube, e insiste em um auxílio creche de apenas R$ 106 (o que significaria um reajuste de apenas 6%, em relação ao ano passado)".

O presidente do sindicato, Miguel Salaberry Filho, acredita que o reajuste não é uma um exagero dentro da realidade do Inter. "Não é uma demasia pagar uma creche para uma criança enquanto a mãe está no trabalho. A repercussão na folha salarial do clube seria muito pequena, equivalente a dois minutos do contrato de um atleta profissional", afirma Salaberry.

Hartmann, por sua vez, se defende das acusações. "Esta é uma prática conhecida do Miguel. Ele já usou este artifício outras vezes. É a maneira dele jogar as coisas no ar", diz o dirigente, que dá detalhes sobre a conduta do clube gaúcho. "Em 2009, o sindicato não assinou o dissídio. Quando conversei com o presidente Vitorio Píffero ele não concordou com o aumento de R$ 100 para R$ 500 no auxílio-creche. Nós demos, independente do sindicato ter assinado, aumento de 10% para os funcionários que ganham o piso e 6% para os que recebem acima do piso", afirma Hartmann.

Salaberry diz que Hartmann teria concordado com o reajuste no auxílio mediante demissão de um funcionário da administração do clube. Ele afirma inclusive recordar ter ouvido do dirigente a seguinte frase: "se aumentasse de 100 para 500 iria incentivar as mulheres a terem filhos."

"É mentira" , afirma Hartmann. De aproximadamente 800 funcionários do clube, 360 homens e 80 mulheres assinam carteira. O restante presta serviços terceirizados como segurança, limpeza e estacionamento do Beira-Rio. "Nós temos 80 mães que recebem o auxílio-creche. No ano passado, pensamos em um estudo para viabilizar uma creche dentro do estádio, porém o sindicato nomeou uma comissão de mulheres sem filhos", acrescenta. O vice de administração diz não temer que a questão acabe na Justiça.

Enquanto espera um novo contato de Edson Prates (também funcionário do clube), vice-presidente do Secefergs, que assumiu a dianteira nas negociações, Décio Hartmann não descarta que o "imbróglio" ainda possa ser resolvido. "Estamos abertos ao diálogo. Na vida nada é definitivo. Este ano não concordamos sobre o auxílio-creche porque estamos esperando a assinatura do sindicato", diz.

Especial para Terra