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 Ídolo corintiano, Sócrates fez história fora de campo e na Seleção
04 de dezembro de 2011 06h38

Sócrates era um dos principais jogadores da Seleção Brasileira que encantou, mas não levou a Copa de 1982. Foto: Getty Images

Sócrates era um dos principais jogadores da Seleção Brasileira que encantou, mas não levou a Copa de 1982
Foto: Getty Images

Formado em medicina na Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira iniciou a carreira de jogador de futebol no Botafogo-SP, clube o qual também revelou o irmão do ex-jogador Raí, campeão do mundo em 1992 e 1993 pelo São Paulo, no ano de 1974, depois de terminar o curso de graduação.

Com a camisa tricolor no interior, Sócrates mostrou um enorme talento, especialmente na troca de passes. Sem muita velocidade e explosão, o ex-meio-campista notabilizou o toque de calcanhar e a categoria com a bola nos pés. No Botafogo-SP, a principal campanha ocorreu em 1977, quando terminou como artilheiro da competição.

A boa passagem durante os quatro anos pelo clube do interior rendeu a transferência para o clube do Parque São Jorge no ano de 1978, quando se firmou no cenário nacional, conquistando espaço, inclusive, na Seleção Brasileira. Com a camisa alvinegra, o "Doutor", como ficou conhecido no mundo do futebol por conta da formação acadêmica, disputou 298 jogos e assinalou 172 gols - ocupa a oitava colocação no ranking de artilheiros da história do clube. Além das conquistas individuais, o ex-meio-campista se consagrou ao vencer os Campeonatos Paulistas de 1979, 1982, 1983

Além das conquistas esportivas com o Corinthians, Sócrates também teve um papel fundamental na política do clube, atingindo até um nível nacional. O ex-meio-campista acabou sendo um dos líderes da Democracia Corintiana, um movimento de cunho ideológico que transformou o ambiente normal do dia a dia de um clube. Os jogadores, anteriormente submissos às decisões da comissão técnica, passaram a também participar das decisões, como em caso de concentrações, viagens, entre outros.

As atitudes da equipe modificaram a hierarquia dentro do Corinthians. Sob o período da democracia, o voto do presidente em uma decisão interna teria o mesmo peso da opção de um roupeiro. Com tamanha politização fora dos gramados, o ex-jogador se tornou um símbolo, inclusive, da luta contra o regime militar, que acabou abolida no País no ano de 1985.

O movimento criado internamente no clube acabou transferido para o público, especialmente quando o Corinthians vestiu uma camisa com o "patrocínio" das "Diretas Já", variando para frases como "Dia 15, vote", por conta da eleição direta para o governo de São Paulo, e "Eu quero votar para presidente".

Um dos atletas mais influentes dentro do grupo, Sócrates nunca escondeu a insatisfação em relação à ditadura, e externava a liderança dentro da equipe com opiniões fortes em um dos períodos mais tensos da história recente brasileira.

Tal movimento não atrapalhou o desempenho da equipe alvinegra dentro dos gramados. Durante o período da "Democracia", o Corinthians venceu o bicampeonato paulista (1982 e 1983), em uma das formações mais exaltadas pela torcida. O desempenho de Sócrates, inclusive, rendeu ao meio-campista a convocação para a Copa do Mundo de 1982, quando o Brasil perdeu para a Itália nas quartas de final.

Dono de um estilo elegante dentro de campo, Sócrates deixou o Corinthians no ano de 1984 e se transferiu para a Fiorentina, da Itália. No futebol europeu, o ex-jogador não apresentou o mesmo nível de jogo, e retornou ao País um ano depois para defender o Flamengo. No Rio de Janeiro, ele acabou convocado para a Copa do Mundo de 1986.

No Mundial do México, Sócrates ficou marcado por errar a penalidade na disputa por pênaltis contra a França, nas quartas de final. Eliminado com o time nacional, o ex-meio-campista perdeu espaço no elenco. Antes de encerrar a carreira, o "Doutor" ainda vestiu a camisa do Santos e do Botafogo de Ribeirão Preto.

Em 2004, o carismático médico-jogador ainda "voltou" aos gramados. Aos 50 anos de idade, Sócrates acabou contratado pelo Garforth Town, uma equipe semi-profissional do norte da Inglaterra. Com um contrato de um mês, o ex-atleta da Seleção Brasileira atuou por menos de 15 minutos, em partida contra Tadcaster Albion, por um campeonato regional.

Apesar da aposentadoria e do estilo de vida do "momento", como declarou no último dia 19 de agosto o amigo e jornalista Juca Kfouri, Sócrates continuou perto do futebol. O ex-jogador trabalhou como articulista na revista Carta Capital, como comentarista no programa Cartão Verde, da TV Cultura, e foi blogueiro do Terra durante a Copa do Mundo de 2010, na África do Sul.

Terra
  1. Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, 57 anos, foi um dos maiores craques da história do futebol brasileiro. Ídolo do Corinthians, ele defendeu o clube alvinegro entre 1978 e 1984

    Foto: Gazeta Press

  2. Meia de habilidade, o paraense Sócrates iniciou a carreira no Botafogo-SP na década de 1970; ele deixou o clube de Ribeirão Preto em 1978, quando se transferiu para o Corinthians

    Foto: Gazeta Press

  3. Sócrates foi um dos principais astros da badalada Seleção Brasileira da Copa do Mundo de 1982, eliminada pela Itália de Paolo Rossi

    Getty Images
    Foto: Getty Images

  4. Astro brasileiro na década de 1980, Sócrates só levou a carreira de futebolista a sério depois de se formar em medicina

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  5. Sócrates, que defendeu a italiana Fiorentina entre 1984 e 1985, retornou ao futebol nacional para defender o Flamengo

    AFP
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  6. O meia foi convocado para a Seleção Brasileira que disputou a Copa do Mundo de 1986

    Getty Images
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  7. Um dos pilares da "Democracia Corintiana" quando defendeu o time paulista, Sócrates se destacou na campanha brasileira na Copa de 1986

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  8. Sócrates integrou uma forte Seleção Brasileira em 1986, em um time que ainda contava com nomes como Zico, Careca e Júnior, Falcão e Casagrande

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  9. Sócrates, porém, ficaria marcado em 1986 por perder uma cobrança na decisão por pênaltis contra a França, que eliminou o Brasil nas quartas de final

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  10. Entre 1988 e 1989, Sócrates teve uma rápida passagem pelo Santos, antes de se aposentar pelo Botafogo-SP

    Foto: Gazeta Press

  11. Sócrates deixou o futebol brasileiro quando seu irmão mais novo, Raí, despontou para se tornar ídolo do São Paulo

    Foto: Gazeta Press

  12. Em 2004, com 50 anos, Sócrates participou de uma partida pelo Garforth Town, da oitava divisão do futebol inglês

    AFP
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  13. Em 2005, Sócrates bateu bola com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

    AFP
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  14. Em 2010, Sócrates foi à África do Sul, palco da Copa do Mundo, onde participou da cerimônia de abertura e divulgou a instituição beneficente que apoia

    Getty Images
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  15. Sócrates foi um dos pilares da Fundação 1 Goal, que promove a educação

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  16. Além de Sócrates, outros boleiros apoiaram a Fundação 1 Goal, como Andrew Cole e Scott Fortune

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  17. Após as primeiras internações, em agosto e setembro deste ano, o ex-jogador participou de diversos programas da televisão brasileira e afirmou que o susto fez com que ele mudasse de atitude em relação à bebida

    Foto: Zé Paulo Cardeal / TV Globo/Divulgação

  18. O ex-jogador esbanjou bom-humor durante entrevista no programa Altas Horas, da TV Globo, em uma de suas últimas participações na televisão brasileira

    Foto: Zé Paulo Cardeal / TV Globo/Divulgação

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