Maracanã vira salão de festas da LDU, que unificou os três títulos da Conmebol
Foto: AP
- Dassler Marques
Praticamente o mesmo filme de 2008: o aguardado duelo entre a Liga Deportiva Universitária de Quito, a LDU, e o Fluminense, na decisão da Copa Sul-Americana, teve os mesmos ingredientes da decisão da Copa Libertadores. E também o mesmo final, com o título mais uma vez acabando nas mãos equatorianas.
A conquista da Copa Sul-Americana permite à LDU, em um intervalo de um ano e meio, unificar os três títulos do continente, somando a Recopa vencida contra o Internacional em julho. Tudo fruto de um trabalho bem arquitetado do time que, por seu uniforme todo branco, é conhecido como "o Fantasma".
Domínio total no Equador
Historicamente um dos quatro grandes no futebol equatoriano, ao lado de Emelec, Barcelona e El Nacional, a LDU se desgarrou e construiu uma hegemonia nos tempos recentes. Ganhou cinco dos últimos 11 títulos nacionais, permitindo participar de cinco das seis recentes edições da Libertadores - e multiplicar as receitas.
O período de crescimento coincidiu com a construção do belo Estádio Casa Blanca, inaugurado em 1997, no norte de Quito, com capacidade para 55 mil espectadores. O palco se tornaria um cenário hostil para os visitantes, sobretudo da América do Sul.
As categorias de base foram outro detalhe importante para o crescimento da LDU, que investiu na formação de atletas e colheu resultados. Jogadores como Bolaños, Franklin Salas, Ambrossi, Reasco e Carlos Tenorio foram úteis nas campanhas ao longo da década. O mais novo nome dessa galeria é o bom goleiro Domínguez, responsável por deixar o herói Cevallos no banco.
A dolarização da economia equatoriana foi importante para que o dinheiro da LDU falasse mais alto na disputa por bons jogadores em outras ligas do continente. Com inteligência e "bala na agulha", o clube buscou nomes interessantes como Guerrón, grande nome da última Libertadores, além de Vera e Manso, expoentes daquela equipe. O centroavante argentino Bieler, artilheiro da Copa Sul-Americana, é mais um fruto dessa estratégia.
Com uma boa atmosfera, salários em dia e infraestrutura, a LDU também cultiva a relação com seus principais jogadores. Depois de vendê-los para equipes do exterior, como acontece pontualmente, o clube também trabalha para resgatá-los. Reasco, De La Cruz e Edison Mendez, destaques do time campeão da Sul-Americana, participaram desse processo vitorioso.
Fechando o ciclo, a LDU também é ousada na contratação de treinadores. Apostou em alguns comandantes sul-americanos que viviam momentos de baixa ou ainda não tinham seu devido valor reconhecido. Manuel Pellegrini, hoje no Real Madrid, já passou por lá, assim como o argentino Edgardo Bauza, campeão da Libertadores. A bola da vez hoje é o uruguaio Jorge Fossatti, em sua segunda passagem pelo clube.
A construção de uma hegemonia
O crescimento do clube foi acompanhado pela evolução nítida da seleção equatoriana. Em 2002, pela primeira vez, disputou a Copa do Mundo, façanha repetida em 2006 com, inclusive, vaga nas oitavas de final. Sete dos 23 jogadores do último elenco a ter ido no Mundial eram atletas da LDU.
Cultivando um estilo de jogo muito parecido, apostando em velocidade, força física e máximo aproveitamento dos lados do campo, a LDU se tornou quase imbatível dentro de casa. Teve 14 vitórias e seis empates nas últimas 21 partidas internacionais em seu estádio. A única derrota foi contra o Sport, na última Libertadores, quando já estava eliminado.
O time que enfiou sete gols no River Plate uruguaio e outros cinco no Fluminense não faz sucesso apenas nos últimos dois anos. Na Libertadores de 2004, por exemplo, bateu o eventual semifinalista São Paulo por 3 a 0 e o Santos de Robinho por 4 a 2. Em 2006, foi o único time a ganhar do Internacional, que se sagraria campeão.
Definitivamente, um "fantasma que assombra e papa-títulos" nos torneios da Conmebol.





































