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Técnico de Togo diz que suspensão da equipe "é imoral"

30 jan 2010
20h10
atualizado às 20h54

O técnico da seleção do Togo, o francês Hubert Velud, disse neste sábado que considera de uma "imoralidade extrema" a decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de suspender a equipe das próximas duas edições do campeonato continental.

Os togoleses desistiram de participar da Copa Africana de Nações deste ano, após o ônibus que levava seus jogadores ter sido metralhado quando seguia rumo a Angola, país-sede do torneio.

Em entrevista por telefone, Valud disse ter sido surpreendido pela medida, e disse que ela contraria uma promessa do presidente da CAF, o camaronês Issa Hayatou, de que a seleção "não seria sancionada" por abandonar a competição.

"Havia cerca de trinta pessoas por perto quando Hayatou fez a promessa e, enquanto estamos enterrando um dos nossos, nos anunciam essa decisão. É de uma imoralidade extrema", disse Velud.

Por sua vez, Aimé Ekpé, secretário-geral da Associação de Jornalistas Esportivos do Togo (APST), disse temer pelo futuro do futebol togolês.

"Não posso entender o que motivou essa decisão da CAF", acrescentando que "toda uma geração de jogadores poderá ser desperdiçada",já que a punição afastaria os togoleses do torneio até 2016.

Nas ruas da capital do país, Lomé, o sentimento é de indignação.

Jacob Nomagnon, motorista de moto-táxi, disse que "se trata de uma decisão irresponsável da CAF, que atua como se não tivessem acontecido mortes".

Em nota, a CAF se disse solidária aos jogadores togoleses, mas condenou a decisão do governo local de obrigá-los a se retirarem da competição.

"A decisão tomada pelas autoridades políticas infringe as normas da CAF", informa o comunicado. Além da suspensão da equipe, a desistência rendeu à federação de futebol do Togo uma multa de US$ 50 mil (cerca de R$ 93 mil).

Nesta sexta-feira, as famílias dos dois mortos no atentado ao ônibus apresentaram um requerimento judicial em Paris (França) contra a guerrilha que assumiu a autoria do atentado. Elas também processaram a CAF e seu presidente, além do governo de Angola, por terem colocado em risco a delegação que seguia para a disputa da Copa Africana ao organizarem a competição em "uma zona de guerra".

Amélété Abalo, assistente-técnico, e Ocloo Stan, assessor de imprensa da seleção togolesa morreram no dia 8 de janeiro, pouco depois do veículo cruzar a fronteira do Congo com a província de Cabinda, território onde atuam grupos armados que pedem sua independência de Angola.

EFE   
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