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Hóquei vira problema para televisão americana nos Jogos

23 fev 2010
13h31
atualizado às 13h39
Richard Sandomir

A vitória da equipe masculina de hóquei dos Estados Unidos sobre o Canadá por 5 a 3 na noite de domingo existiu na espécie de universo paralelo televisivo que só pode ser criado por uma gigante da mídia noticiosa em um evento como uma Olimpíada.

O jogo foi transmitido das 19h40 até o final pela rede a cabo MSNBC; na rede aberta da NBC, a transmissão das provas de bobsled foi interrompida - Bob Costas entrou lendo um boletim - e os segundos finais da partida de hóquei foram ao ar ao vivo.

Depois de mostrar as entrevistas pós-jogo e um intervalo comercial, a NBC exibiu uma discussão entre Al Michaels e seu parceiro nas transmissões dominicais de futebol americano, Cris Collinsworth (que nada conhece de hóquei) sobre o resultado da partida, direto da arena em que ela havia sido realizada em Vancouver.

O hóquei é uma "maldição" para a NBC no horário nobre. Não há como dividir um jogo de hóquei facilmente em uma sucessão de eventos curtos, ao contrário do que acontece nas provas de esqui e luge, nos programas de patinação artística ou nas provas de patinação de velocidade. Caso a rede não seja capaz de dividir um esporte em segmentos de entre dois e cinco minutos de duração, entremeados por muitos anúncios, é pouco provável que programe exibi-lo no horário das 19h à 0h.

Uma partida de hóquei dura no mínimo 2h30. A NBC jamais dedica 2h30 consecutivas a qualquer esporte, seja nos Jogos de Inverno ou nos de Verão. O vôlei de praia, que mostra homens e mulheres bonitos em trajes de banho, é a modalidade que chega mais perto de constituir uma exceção, mas até mesmo esse esporte oferece pausas naturais para a inserção de comerciais.

A grade esportiva típica do horário nobre olímpico da NBC representa um exercício de esportes para o telespectador deficiente de atenção. Enquanto o jogo de hóquei transcorria sem comerciais na MSNBC (os comerciais eram veiculados apenas nos intervalos entre períodos), eis o que a NBC aberta mostrou:

Primeiro vieram quatro segmentos do esqui combinado alpino masculino, em imagens gravadas durante o dia, cada bloco com no máximo seis minutos de imagens, e separados por intervalos comerciais com duração de dois a três minutos. Em seguida, duas apresentações ao vivo de dança na competição de patinação artística foram mostradas, seguidas por um vídeo de disputa anterior de esqui cross, uma pequena reportagem sobre o canadense Christopher Del Bosco e mais duas provas de velocidade.

Depois, vieram mais cinco descidas de esqui que haviam sido gravadas ao longo do dia. A NBC jamais exibiu um segmento mais longo que os seis minutos necessários a que três esquiadores concluam suas descidas. Por fim, a rede retornou à patinação artística, que só estava sendo exibida ao vivo para os fusos horários leste e central, com três apresentações de coreografias originais, cada uma das quais sucedida por um pequeno intervalo comercial.

Depois de uma cerimônia de medalha e de um corte rápido para a pista de bobsled, a NBC mostrou o finalzinho do jogo de hóquei, antes de mostrar em videotape as descidas finais do bobsled.

Imaginem se a rede tentasse encaixar uma partida de hóquei em sua grade da mesma maneira. Mostraria um pouco de Bode Miller e cortaria para patinadores artísticos em trajes aborígines. Voltaria ao jogo por mais alguns minutos e depois cortaria outra vez para a descida de bobsled dos alemães que conquistaram a medalha de ouro.

E os cortes prosseguiriam no mesmo ritmo, o que serviria para adulterar a ação contínua do jogo e a narração de Mike Emrick.

Ainda assim, a inspiradora vitória dos Estados Unidos em sua partida de fase de grupos contra o Canadá - bem, não tão inspiradora para os canadenses -, combinada ao conhecimento dos telespectadores quanto aos jogadores, muitos dos quais oriundos da liga de hóquei profissional NHL, levará muitos dos fãs mais ardorosos de esporte a imaginar por que a NBC optaria por exibir em horário nobre modalidades nem tão acompanhadas, como o bobsled e a patinação artística.

Mas isso é parte da constante discussão sobre como a NBC (e as emissoras que a precederam como detentoras dos direitos de transmissão) programam seu horário nobre olímpico: sempre na forma de um programa de variedades destinado a atender a um público múltiplo, e não como uma transmissão esportiva contínua que mostra uma partida do começo ao fim. O hóquei, aliás, raramente conquista grandes audiências televisivas, nem mesmo na disputa da Copa Stanley, o título máximo da NHL.

O uso de redes a cabo ou alternativas como a MSNBC ou CNBC para a transmissão ao vivo do hóquei é parte do esforço da NBC Universal para dar aos torcedores acesso a esportes que, antes de os canais a cabo aumentarem a capacidade de cobertura olímpica de uma rede aberta, eram raramente vistos na TV.

O hóquei também é um dos dois esportes (o curling é o outro) cujas partidas estão sendo transmitidas ao vivo via Internet no site NBCOlympics.com.

Existe certa preocupação com relação a essas alternativas, às quais os torcedores ainda não se acostumaram de todo. Há quem se queixe de que a NBC não promove devidamente as transmissões olímpicas de hóquei em seus canais de cabo MSNBC, CNBC e USA. Um torcedor canadense que está de férias na Flórida me disse que nem sabia da existência do canal MSNBC. Além disso, os três canais a cabo são vistos por entre 10 milhões e 20 milhões de domicílios a menos que os canais abertos da NBC; nenhuma rede de cabo, nem mesmo a ESPN, atinge tantos domicílios quanto uma rede aberta.

Os usuários precisam contar que seus provedores de TV por assinatura - cabo, via satélite ou via linhas telefônicas - tenham acordo com a NBC para exibir esses canais, que não procede no caso de cerca de 5% dos prestadores de serviços televisivos.

Os espectadores que gostam de assistir hóquei em alta definição podem se preocupar por apenas 16 milhões dos 92,4 milhões de domicílios que recebem a MSNBC contarem com HD; 26 milhões dos 97 milhões de domicílios que recebem a CNBC contam com o recurso; e 34 milhões dos 98 milhões de domicílios que recebem o USA. O total de domicílios atendidos pela NBC que contam com HD pode chegar a 50 milhões.

A próxima partida do hóquei masculino americano, quarta-feira contra o vencedor do jogo entre Suíça e Bielo-Rússia, será transmitida de dia pela NBC.

Já pensando nos Jogos de Inverno de 2014, que se realizarão em Sochi, Rússia, as redes da NBC ou ESPN teriam de mostrar jogos ao vivo de tarde, considerando a diferença de fuso horário de oito horas entre o local dos jogos e a costa leste americana. Os russos certamente desejarão os melhores jogos em seu horário nobre.

Entenda o torneio de hóquei no gelo dos Jogos de Inverno

Esporte mais popular do Canadá, país-sede da Olimpíada, o hóquei no gelo é disputado em três tempos de 20 minutos, com o relógio parando a cada interrupção da partida e 15 minutos de intervalo após o primeiro e o segundo período. As equipes se enfrentam em times de seis jogadores e tentam acertar o gol adversário com uma espécie de disco (puck).

Em Vancouver, os 12 países participantes foram divididos em três chaves de quatro. O vencedor de cada grupo avança à fase final, disputada em mata-mata. Em caso de empate após os três tempos, os times se enfrentam em prorrogação com "gol de ouro". Nova igualdade e a disputa vai para os pênaltis.

Jogos Olímpicos de Inverno no Terra

O Terra transmite ao vivo a competição em 15 canais simultâneos de vídeo. Além disso, os usuários têm a possibilidade de assistir novamente a todo o conteúdo a qualquer momento. Todo o acesso é gratuito.

Uma equipe de 60 profissionais está encarregada de fazer a cobertura direto de Vancouver e dos estúdios do Terra, em São Paulo, no Brasil, com as últimas notícias, fotos, curiosidades, resultados e bastidores da competição.

A equipe conta com a participação do repórter especialista em esportes radicais Formiga - com 20 anos de experiência em modalidades de neve -, e o pentacampeão mundial de skate Sandro Dias, que comenta a competição em seu blog no Terra.

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Tradução Paulo Migliacci

Hóquei no Gelo (M) - CAN 3 x 5 USA
The New York Times
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