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Inspirados pela Olimpíada, iniciantes aderem ao curling

26 fev 2010
09h03
Peter Applebome

Aos 55, com 122 kg e um físico que testa os limites de roupas agarradas, fica um pouco difícil conseguir visualizar Chuck Chiodo elegantemente pairando no ar durante um salto de esqui, se lançando impetuosamente em direção ao seu lugar na história do downhill, ou enfeitado de penas concluindo um salto quádruplo impecável.

Mas no Nutmeg Curling Club, você não precisa de um corpo igual ao de Apolo Ohno ou Evgeny Plushenko para sonhar. Assim, revigorado por uma malhação pesada na frente da TV e vestindo uma camiseta do Giants, um boné dos Yankees e jeans, lá estava ele, contemplando seu futuro no esporte olímpico.

"Rússia 2014 e minha foto na caixa de cereais", disse Chiodo, motorista de caminhão de Stratford, Connecticut, antecipando sua marcha rumo à glória olímpica. Ele ainda não havia tocado o gelo, mas ao lado de sua filha de 27 anos, Allison, e o namorado dela, Mario Valentine, 30 anos, ele era um dos cerca de 120 aspirantes ao curling que pagaram US$ 10 (R$ 18,25, aproximadamente) numa noite de segunda-feira para um curso relâmpago sobre o enigmático esporte que transformou a humilde vassoura em equipamento olímpico.

O curling surgiu na Escócia do século 16, quando bravos competidores deslizavam pedras chamadas "loafies" sobre pântanos e lagos congelados. Imigrantes escoceses trouxeram o jogo à América do Norte, primeiro ao Canadá por volta de 1760, depois aos Estados Unidos por volta de 1830, onde ganhou alguns adeptos, principalmente no meio-oeste, até começar sua lenta marcha para se tornar um passatempo de nicho e, por fim, um esporte olímpico em 1998.

E já que o entretenimento de uma pessoa é a oportunidade de marketing de outra, a cada quatro anos, esses clubes - como o Nutmeg, que celebra 50 anos; o Norfolk Curling Club, em Litchfield County; e dezenas de outros ao redor do país - têm uma grande chance de atrair a atenção do público. No Estado de Nova York, existem clubes em Utica, Schenectady, Albany e Ardsley; outro próximo fica em Plainfield, Nova Jersey.

O membro mais velho do Nutmeg, Chuck Owens, 81 anos, pratica curling desde que se associou a um clube de Green Bay, Wisconsin, em 1963. A maioria dos demais se associou nos últimos anos, enquanto o clube se acomodava em seu terceiro lar. O clube começou no velho Crystal Rink, em Norwalk, onde os membros originais usavam gorros e boinas escoceses; mais tarde ele ocupou o Country Club de Darien; depois, foi hóspede em Ardsley; e nos últimos quatro anos habita o Wonderland of Ice, em Bridgeport, uma estrutura de última geração que custou US$ 1,2 milhão (cerca de R$ 2,18 mi).

Ele possui 133 membros, que pagam anuidades de US$ 550 (pouco mais de R$ 1 mi) por uma temporada que vai de setembro a abril. A associação deve US$ 125 mil (cerca de R$ 228 mil) por sua parte no edifício, uma razão pela qual seria bom se aproximar dos 225 membros, segundo o presidente do clube, Joel Leneker.

O curling, como logo se aprende, é um esporte, mas um esporte muito social. A etiqueta é muito importante - comece e termine com um aperto de mão, elogie uma boa jogada, seja cortês. O ambiente social continua bem depois de o jogo terminar; eis a regra número dois sobre o que é ou não permitido segundo a etiqueta do curling: "nada de bebidas sobre o gelo. Os cotovelos devem estar esticados no gelo e dobrados na sala de estar".

Na segunda-feira, os aspirantes tiveram um curso rápido sobre o jogo, semelhante ao shuffleboard ou a bocha sobre gelo, e seu glossário: bonspiels (torneios), hack (o suporte de borracha de onde cada lançador sai), a casa (o alvo, 3,5 m de diâmetro) e a pedra (uma rocha de granito pesando cerca de 19 kg). O esporte é jogado, como até mesmo fãs casuais da Olimpíada devem saber, com quatro jogadores, que se alternam deslizando a pedra por 44,5 m de gelo enquanto dois varredores escovam o gelo furiosamente para que a pedra viaje mais reto ou mais longe.

Todos concordaram que é mais difícil do que parece, sendo o movimento de lançamento um convite para se alongar sobre o gelo e a varrição surpreendentemente aeróbica. E, conforme Chiodo escutou na televisão, a varrição é também um ótimo trabalho abdominal. Praticamente não há equipamento a ser adquirido - talvez os calçados, se você se importar -, sem falar nas vantagens de um esporte olímpico em que é possível usar jeans, jaqueta de couro, piercing de orelha e camiseta do Sex Pistols, o traje de curling favorito de Mike Galella, de Yonkers, Nova York.

Um número razoável de novatos mostrou interesse em continuar, tendo aulas ou participando da Liga Greenhorn. Entre eles estava Chiodo, que tem acompanhado de forma dedicada o curling na Olimpíada e pensa em se associar ao clube. Ele sabe que chegar aos Jogos não será fácil e que vai precisar perder uns 45 kg, mas ele começou uma dieta no dia anterior à sua estreia no curling e acha que tem chance. "Tenho quatro anos pela frente", disse. "Sou bem competitivo. Se a oportunidade aparecer, com certeza vou agarrá-la".

Entenda a prova de curling dos Jogos de Inverno

Espécie de "bocha no gelo", o curling foi modalidade olímpica em 1924 mas depois só voltou ao programa em 1998, com provas masculinas e femininas que são disputadas em uma pista regular de gelo por times formados por quatro jogadores.

O objetivo do esporte é deixar as bolas que pesam cerca de 19 kg o mais perto possível de um círculo localizado no centro da pista (quanto mais próximo, mais pontos). Cada partida tem 10 "finais". Durante elas, os jogadores fazem as pedras deslizarem pelo gelo esfregando a superfície para controlar suas direções.

Jogos Olímpicos de Inverno no Terra

O Terra transmite ao vivo a competição em 15 canais simultâneos de vídeo. Além disso, os usuários têm a possibilidade de assistir novamente a todo o conteúdo a qualquer momento. Todo o acesso é gratuito.

Uma equipe de 60 profissionais está encarregada de fazer a cobertura direto de Vancouver e dos estúdios do Terra, em São Paulo, no Brasil, com as últimas notícias, fotos, curiosidades, resultados e bastidores da competição.

A equipe conta com a participação do repórter especialista em esportes radicais Formiga - com 20 anos de experiência em modalidades de neve -, e o pentacampeão mundial de skate Sandro Dias, que comenta a competição em seu blog no Terra.

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Tradução: Amy Traduções

Disputa do curling surpreende desavisados
The New York Times
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