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 Jacqueline teve um começo de carreira difícil no esporte |
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Em um dos três furos de uma bola de boliche era colocada uma nota de dinheiro. Esta bola era lançada na pista em direção aos dez pinos aprumados. Um funcionário, discretamente, pegava a quantia para si e organizava novamente as peças em um triângulo, prontas para um próximo lance. A manobra suspeita nada mais era que uma gorjeta da atual número um do boliche brasileiro, a mineira Jacqueline Costa, a um "pino boy", com o intuito de que ele estendesse seu turno. Essas e outras artimanhas fizeram de um hobby pessoal a maior esperança feminina de medalha brasileira no boliche nos Jogos Pan-Americanos de 2007.
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Nascida em 4 de maio de 1964, a mineira conta que começou a conhecer a modalidade ao acompanhar seus parentes jogando boliche de final de semana. "Ia ao boliche como opção de lazer com meu tio e meu irmão".
De passatempo, a família foi convidada a participar de um campeonato amador. A partir de então, eles começaram a ter mais contato com os federados no boliche e quando se deram conta já estavam entre eles.
Neste período, Jacqueline conheceu seu, futuramente, marido. Em um primeiro contato, Walter Costa era um dos principais entendidos na confecção de artigos para a modalidade. Atualmente, seu marido é também o técnico.
Em entrevista concedida por telefone ao Terra Esportes, Jacqueline, 1,63m e 53kg, lembra que o começo da carreira foi difícil. Seu pai a indagava se a dedicação lhe traria algum retorno: "filha, você tem certeza de que vale a pena?". Suas folgas, férias e até economias eram tomadas pela prática de um esporte não popular.
Esforço este que lhe trouxe oito títulos brasileiros individuais, oito por seleções e cinco por clubes. Fora do País, a mineira conquistou um título sul-americano em 2004 por equipe, quatro vices em dupla e um Torneio das Américas, jogando em dupla mista com o seu marido.
Terra -Como você começou com a idéia de jogar boliche?
Jacqueline - A primeira idéia foi do meu tio, ele que nos convidava para jogar. Ia ao boliche como opção de lazer (ela tinha 24 anos na época) com minha família, meu tio e meu irmão. A gente não fazia confronto entre a gente. Não fazíamos desafios entre nós. Na verdade, com essa assiduidade que a gente desenvolveu, acabamos conhecendo alguns federados, e fomos convidados para um torneio amador, para conhecer mais do boliche. Na primeira competição, a gente mais atrapalhava (risos). A partir de então, começamos a participar cada vez mais. Depois, jogamos um campeonato misto de federados com amadores, que competiam de igual para igual.
Terra -Foram nestes finais de semana com a família que você começou a aprender?
Jacqueline - Com certeza, o primeiro contato com o esporte foi mesmo como um programa de final de semana, sem a menor noção. Com o tempo, aprendemos a técnica. Nos primeiros jogos, acontecia uma coisa curiosa. Na época não era boliche automático e havia o pino boy que organizava as peças. A gente acabava ficando até tarde para jogar e queria que o funcionário que trabalhava durante o dia esticasse o seu turno. Assim, a gente colocava uma nota de dinheiro em um dos furos e lançava a bola. Era uma gorjeta para ele ficar mais tempo.
Terra -Quais são seus maiores objetivos?
Jacqueline - A medalha no Pan seria muito importante, para reconhecimento e crescimento do esporte. Gostaria muito de trazer uma medalha para o País.
Terra -Sua família foi contra a sua vontade de se dedicar ao boliche?
Jacqueline - No início, eu sempre trabalhei, sempre estava envolvida. Aproveitava minhas férias para participar de campeonatos até fora do País. Cheguei a ouvir do meu pai: 'você acha que vale a pena'.
Terra -Este esporte exige algum tipo de alimentação?
Jacqueline - Sempre gostei disso com relação à comida, posso comer bem. Mas tem também o fato de que sempre fiz esporte, não fumo, não bebo. Hoje em dia, tudo que faço é uma caminhada. Não passo três dias sem treinar.
Terra -Como você aprendeu a jogar?
Jacqueline - A gente (família) ficava observando umas pessoas jogando e escolhia algumas pistas que tinham uma inclinação que interessava. Algumas eram mais descaídas, o que ficava mais fácil. Além disso, eu olhava os federados jogando enquanto a gente esperava por uma pista vaga. Comecei a ver como alguns colocavam uma bola com curva.
Terra -Como você conheceu seu marido, seu atual treinador?
Jacqueline - Em 1986, queria comprar minha primeira bola e fui para São Paulo. Lá conheci o Walter, sabia dele só de nome (ele era um dos maiores especialistas do boliche na época). Ele fez uma brincadeira comigo, porque foi fazer uma bola personalizada para mim, pintou minha falange e parte do meu braço. E não precisava nada disso (risos).
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